Pré-candidato do PL tarifa de 25% sobre produtos brasileiros ele acha normal Brasil que se fod@
Donald Trump, Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro (Foto: Donald Trump/Redes sociais)
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, afirmou nesta terça-feira (2) que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros recém-anunciada pelos Estados Unidos não teria como alvo as empresas nacionais, mas o presidente Lula. Segundo ele, a medida estaria relacionada à postura do governo brasileiro diante dos EUA. De acordo com a CNN Brasil, Flávio Bolsonaro disse que o tarifaço seria consequência do que classificou como “sentimento anti-americano” de Lula.
O senador afirmou que a política externa do presidente estaria colocando interesses ideológicos acima dos interesses econômicos do país. “Então, não são as empresas brasileiras que estão sendo tarifadas. Quem está sendo tarifado é o presidente Lula: é ele e o seu comportamento, são as suas ameaças aos Estados Unidos e o seu sentimento anti-americano. É a sua ideologia sendo colocada na frente do interesse do povo brasileiro que pode fazer com que as empresas brasileiras sejam mais uma vez tarifadas”, declarou Flávio Bolsonaro.
O senador também afirmou que as novas tarifas seriam resultado de medidas iniciadas em 2025 e negou relação direta com sua reunião com Donald Trump realizada na semana anterior. Segundo Flávio, sua ida aos Estados Unidos teve outro objetivo.
“Não foi na semana passada quando eu estive lá pra defender o Brasil, pra ajudar o Brasil a ter mais segurança pública. Essa tarifa, que pode ser anunciada em breve, é a tarifa do Lula, gente”, disse.
O tarifaço foi medida foi recomendado pelo USTR, o Representante Comercial dos Estados Unidos, que apresentou diferentes justificativas para a ação. Entre os pontos citados pelo órgão estão “ordens judiciais secretas” contra Big Techs, o banimento da plataforma X em 2024 e o papel do BCB (Banco Central do Brasil) como regulador e operador do PIX, situação classificada pelo órgão estadunidense como conflito de interesse.
Nos últimos meses, o Palácio do Planalto tentou barrar a investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre o Brasil. Essa apuração resultou nas tarifas recém-anunciadas, que ampliaram a tensão entre os dois governos.
Nesta terça-feira, Lula afirmou que está “esperando um telefonema de Trump” para tratar do tema. O presidente disse que havia combinado com o presidente dos Estados Unidos um prazo de 30 dias para que ministros dos dois países negociassem uma resposta à proposta brasileira.
O presidente cobrou uma conversa direta com Trump para esclarecer o que ocorreu durante a ausência dos dois nas tratativas.
“Você me deve uma reunião e eu devo uma pra você. Porque demos 30 dias para nossos ministros negociarem. Então, eu to esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”, afirmou Lula.
Presidente afirmou ao Washington Post que divergências políticas com Donald Trump não impedem diálogo institucional e defesa da democracia brasileira
Presidente Lula durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua relação pessoal com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, pode contribuir para ampliar investimentos norte-americanos no Brasil, evitar novas tarifas comerciais e fortalecer o respeito à democracia brasileira. A declaração foi dada em entrevista ao jornal The Washington Post, repercutida pela agência Reuters neste domingo (7).
Na conversa com o veículo norte-americano, Lula destacou que mantém diferenças políticas em relação ao presidente dos Estados Unidos, mas afirmou que isso não interfere na relação diplomática entre os dois países. O petista ressaltou que busca uma convivência institucional baseada no respeito mútuo e no reconhecimento da soberania brasileira. “Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, declarou Lula.
O chefe do Executivo brasileiro ainda comentou sobre o último encontro entre eles na Casa Branca, além de temas da política internacional. “Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Esse é um problema dele. Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”
O presidente brasileiro também afirmou que suas divergências ideológicas com Trump não impedem o diálogo entre os dois chefes de Estado. Segundo ele, a relação bilateral deve ser conduzida com base na legitimidade democrática e na defesa dos interesses nacionais.
Lula defende relação institucional com os EUA
Durante a entrevista, Lula reforçou que pretende manter um canal de interlocução com Washington, mesmo diante de posições divergentes em temas internacionais sensíveis. O presidente brasileiro afirmou que sua prioridade é assegurar que o Brasil seja tratado com respeito no cenário internacional.
“Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que eu sou o presidente democraticamente eleito aqui.”
As declarações ocorrem em meio a um momento de aproximação diplomática entre Brasília e Washington. Em maio, Lula esteve na Casa Branca para uma reunião com Trump, em encontro que abordou temas como comércio bilateral, tarifas, investimentos estratégicos e cooperação no combate ao crime organizado.
Segundo informações divulgadas anteriormente pela Reuters, o encontro entre os dois presidentes durou cerca de três horas e foi considerado positivo por integrantes do governo brasileiro. Após a reunião, Lula afirmou que as conversas ajudaram a estabilizar a relação entre os dois países.
Relação bilateral e cenário internacional
A agenda entre Brasil e Estados Unidos ganhou relevância após o governo Trump impor tarifas elevadas sobre produtos brasileiros em meio a disputas comerciais e tensões políticas envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo brasileiro, por sua vez, tenta evitar novos entraves econômicos e ampliar o diálogo institucional com Washington.
Na entrevista, Lula indicou que sua estratégia diplomática passa pela manutenção de uma relação pragmática com os Estados Unidos, sem abrir mão das posições históricas do Brasil em temas internacionais. O presidente citou divergências sobre Oriente Médio e América Latina para demonstrar que o diálogo entre os dois países pode coexistir com diferenças políticas.
Governo dos Estados Unidos tenta conter alta dos preços da carne enquanto rebanho norte-americano atinge o menor nível em 75 anos
Presidente Lula durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar decretos para ampliar as importações de carne bovina, em uma decisão que pode beneficiar diretamente o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo. A medida busca conter a alta persistente dos preços da carne no mercado norte-americano e ocorre em meio à forte redução do rebanho bovino dos EUA.
A informação foi divulgada pela Reuters. Segundo uma autoridade da Casa Branca, os decretos também devem incluir ações de apoio à recomposição do rebanho bovino norte-americano, que caiu ao menor nível em 75 anos.
Embora a autoridade não tenha detalhado o conteúdo das medidas, o Wall Street Journal informou anteriormente que Trump suspenderia temporariamente as cotas tarifárias sobre a carne bovina, permitindo a entrada de um volume maior do produto nos Estados Unidos com tarifas mais baixas.
O jornal também informou que Trump deverá orientar a Administração de Pequenas Empresas a ampliar a oferta de crédito a pecuaristas. Outra iniciativa prevista seria a redução das proteções a lobos-cinzentos e lobos-mexicanos estabelecidas pela Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, sob o argumento de que esses animais atacam rebanhos.
Brasil ganha espaço no mercado norte-americano
A expectativa de aumento das importações de carne bovina brasileira já provocou reações no mercado futuro de gado nos Estados Unidos após o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.
Na segunda-feira, os contratos futuros de gado vivo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago chegaram a cair nas negociações iniciais, refletindo o temor de maior concorrência externa, mas recuperaram parte das perdas e encerraram o dia em leve alta.
O Brasil aparece como um dos principais potenciais beneficiados pelas medidas devido à sua posição de destaque global na produção e exportação de carne bovina. Em novembro do ano passado, Trump retirou a tarifa punitiva de 40% sobre a carne bovina e o café brasileiros, ampliando o acesso do país ao mercado norte-americano.
Antes disso, em outubro, o governo norte-americano já havia determinado a ampliação das importações de carne da Argentina.
Apesar das iniciativas, os preços seguem pressionados. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA, a carne bovina ficou 12,1% mais cara em abril na comparação anual. Desde o retorno de Trump à Presidência, em janeiro de 2025, os preços acumulam alta superior a 16%.
Crise no rebanho pressiona preços nos EUA
O rebanho bovino norte-americano caiu ao menor patamar em 75 anos após anos de seca persistente, que devastaram pastagens e elevaram os custos de alimentação do gado. Os altos preços também estimularam os pecuaristas a venderem animais para abate em vez de mantê-los para reprodução.
Diante desse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta que o país importará um recorde de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina em 2026, um aumento de cerca de 6% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2024.
Grande parte dessas importações corresponde a cortes magros utilizados na produção de carne moída, amplamente consumida no país.
O economista agrícola David Anderson, da Universidade Texas A&M, afirmou à Reuters que o aumento das importações pode ajudar redes de hamburguerias e restaurantes a reduzir custos, mas demonstrou ceticismo sobre uma queda significativa nos preços ao consumidor.
“Já estávamos importando uma quantidade recorde. Quanto mais isso vai adicionar ao que já importávamos?”, disse Anderson. “Tenho dificuldade em imaginar que isso terá um grande impacto nos preços. Seria difícil que isso representasse um grande aumento na oferta.”
Presidente afirma que disputa no Brasil será decidida pelo povo e rejeita interferência estrangeira após encontro com líder dos EUA
Lula, Donald Trump e as delegações em Washington (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), em Washington, que Donald Trump não terá “qualquer influência nas eleições brasileiras” e defendeu que a escolha do futuro político do país cabe exclusivamente ao povo brasileiro. A declaração foi dada após reunião com o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca, em um encontro que também tratou de comércio, tarifas, crime organizado e minerais críticos.
Ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de interferência de Trump na política nacional, Lula afirmou que não considera legítimo que presidentes estrangeiros tentem influenciar processos eleitorais de outros países. O presidente brasileiro relacionou o tema à defesa da soberania nacional e disse que qualquer disputa interna deve ser resolvida apenas pelos eleitores brasileiros.
“Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu. Porque eu ganhei as eleições”, disse Lula.
O presidente afirmou ainda que a soberania eleitoral do Brasil não será colocada em discussão em reuniões internacionais. Segundo Lula, a relação entre chefes de Estado deve partir do respeito mútuo aos mandatos conferidos pelas populações de cada país.
“Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras. Até porque quem vota é o povo brasileiro”, declarou.
Lula também foi questionado se havia tratado com Trump da eleição brasileira prevista para o fim do ano e sobre eventual apoio do presidente estadunidense a setores da oposição. O presidente descartou a hipótese de discutir o tema com qualquer liderança estrangeira.
“Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer país do mundo. Esse é um assunto brasileiro”, afirmou.
Soberania como limite da relação bilateral
Apesar da ênfase na boa relação construída com Trump, Lula deixou claro que democracia e soberania são pontos fora de negociação. O presidente disse que o Brasil está aberto a conversar com os Estados Unidos sobre qualquer tema de interesse bilateral, mas ressaltou que decisões políticas internas pertencem exclusivamente ao país.
“A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, declarou.
Para Lula, a eventual tentativa de um presidente estrangeiro de interferir em eleições de outro país contraria princípios básicos de convivência democrática entre nações. Ele afirmou que o respeito à autodeterminação dos povos deve orientar a relação entre Brasil e Estados Unidos.
“Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país”, disse.
O presidente acrescentou que essa posição vale também para o Brasil em relação aos Estados Unidos. Lula afirmou reconhecer Trump como presidente eleito pelo povo norte-americano e disse que não cabe ao governo brasileiro questionar a decisão dos eleitores dos EUA.
“O meu respeito ao presidente Trump é porque ele foi eleito pelo povo americano. E só pelo fato de ele ter sido eleito pelo povo americano, não cabe a mim questionar”, afirmou.
Relação com Trump
Mesmo ao rejeitar qualquer influência externa sobre a política brasileira, Lula avaliou positivamente a relação com Trump. Segundo ele, o diálogo entre os dois evoluiu desde o primeiro contato, durante a Assembleia Geral da ONU, passando por telefonemas e por um encontro anterior na Malásia.
“A nossa relação é muito boa, mas muito boa. Eu diria uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez”, afirmou.
Lula disse acreditar que Trump gosta do Brasil e demonstrou interesse em fortalecer acordos com os Estados Unidos. O presidente brasileiro defendeu que a relação bilateral avance em áreas como comércio, investimentos, infraestrutura e transição energética, desde que respeitados os interesses nacionais.
“Eu tenho razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil. E por isso eu quero que ele saiba que nós brasileiros temos interesse em fazer os melhores acordos com os Estados Unidos”, disse.
Comércio e tarifas também entraram na pauta
A reunião também abordou divergências comerciais entre os dois países. Lula afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho para discutir tarifas e apresentar uma proposta em até 30 dias. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos precisam tratar o tema de forma objetiva, com metas e prazos definidos.
“Quem tiver errado vai ceder. Se alguém tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, afirmou.
Questionado sobre o risco de novas tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros, Lula disse estar otimista. O presidente afirmou que há divergências entre os dados apresentados pelos dois governos, mas defendeu que o diálogo técnico pode destravar o impasse.
“Olhe para a minha fisionomia. Você acha que eu estou otimista ou pessimista? Eu estou muito otimista”, disse.
Democracia e diálogo
Lula afirmou que a boa relação entre Brasil e Estados Unidos pode servir como exemplo internacional por envolver as duas maiores democracias do hemisfério. O presidente disse que a aproximação com Trump não elimina diferenças, mas permite que temas sensíveis sejam discutidos diretamente.
Segundo Lula, o Brasil está preparado para tratar de qualquer assunto com qualquer país, desde que a conversa preserve os princípios democráticos e a soberania nacional.
“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo qualquer assunto. Nós não temos veto, não tem assunto proibido”, afirmou.
Um vídeo registrou o momento exato da captura do suposto autor dos disparos durante um evento com o presidente Donald Trump, em Washington, na noite de sábado (25). As imagens, divulgadas pelo próprio Trump na TruthSocial, mostram o homem tentando passar correndo pela barreira de segurança dos agentes do Serviço Secreto e do FBI.
De acordo com informações confirmadas pela Fox News e CNN, o suspeito foi identificado como Cole Thomas Allen. Nas redes sociais, ele se apresenta como graduado em Engenharia Mecânica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e mestre em Ciência da Computação pela Universidade Estadual da Califórnia e se define como “desenvolvedor independente de jogos por experiência e professor por vocação”.
Reprodução/TruthSocial
A investigação aponta que ele estava hospedado no Hotel Washington Hilton, local onde o evento de gala ocorria. Essa condição pode ter facilitado o acesso do suspeito, que conseguiu ultrapassar o forte esquema de segurança portando “diversos armamentos”, segundo o próprio presidente Donald Trump, em entrevista coletiva logo após o atentado.
Cole está sob custódia do FBI. A promotora federal Jeanine Pirro já formalizou acusações por dois crimes graves: uso de arma de fogo durante crime violento e agressão contra agente federal com arma perigosa. Um agente do Serviço Secreto foi atingido, mas salvo pelo colete à prova de balas.
Um panorama recente do setor de contêineres revela um cenário de forte concentração no comércio marítimo mundial. Poucas empresas exercem enorme influência sobre o fluxo de mercadorias, determinando o ritmo das cadeias logísticas internacionais.
O poder das três maiores
Juntas, três companhias respondem por cerca de 47,6% da capacidade global de transporte de contêineres. Esse nível de concentração confere a elas um papel decisivo na dinâmica do comércio internacional.
MSC (Mediterranean Shipping Company) Ocupa a liderança com aproximadamente 21,4% do mercado e uma frota que se aproxima de mil embarcações.
Maersk A tradicional empresa da Dinamarca mantém a segunda posição, com cerca de 13,8% de participação.
CMA CGM Com 12,4%, a companhia francesa completa o grupo das três maiores, reforçando a presença europeia no setor.
Participação das demais empresas
Outras operadoras relevantes, como COSCO, Hapag-Lloyd e ONE, continuam atuando de forma significativa, mas com participação bem menor em comparação às líderes do mercado.
O cenário deixa evidente que o transporte marítimo global está concentrado nas mãos de poucos agentes. Isso significa que decisões tomadas por essas grandes companhias impactam diretamente rotas, custos e a eficiência do comércio internacional como um todo.
Presidente apresenta oportunidades de investimento no Brasil durante Hannover Messe 2026
Presidente Lula durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha (Foto: Ricardo Stuckert / PR) blogmarcosmontinely
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a criação de um novo padrão de desenvolvimento global exige um sistema internacional mais equilibrado. A declaração foi feita durante a abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, onde ele também destacou oportunidades de investimento no Brasil, especialmente nas áreas de energia limpa, minerais estratégicos e inovação industrial.
As falas ocorreram neste domingo (19), durante a Hannover Messe 2026, considerada a maior feira mundial de tecnologia industrial. O evento reuniu autoridades governamentais e lideranças empresariais para debater desafios econômicos e fortalecer a cooperação entre Brasil e Alemanha.
Defesa de um novo modelo global
Lula criticou a distribuição desigual dos benefícios da globalização e relacionou esse cenário ao avanço do extremismo. Segundo ele, a integração dos mercados não tem gerado ganhos para todos, o que evidencia limitações do modelo atual. Para o presidente, um novo paradigma de desenvolvimento deve ser baseado em um multilateralismo mais justo e equilibrado.
Ele também destacou ações do governo voltadas ao fortalecimento da indústria e à inclusão social. Desde 2023, segundo Lula, o país vem recuperando a capacidade do Estado de estimular o crescimento econômico e promover inclusão. Nesse contexto, mencionou um programa de neoindustrialização com foco na economia verde e na indústria 4.0, além de ressaltar o papel do Brasil como parceiro confiável em um cenário global instável.
Impactos das tensões internacionais
Ao comentar o cenário global, o presidente apontou os efeitos econômicos dos conflitos armados, destacando o aumento dos preços de energia e transporte devido à volatilidade do petróleo, além da escassez de fertilizantes, que impacta a produção agrícola e amplia a insegurança alimentar. Ele enfatizou que as populações mais vulneráveis são as mais afetadas por esses problemas.
Lula também mencionou contradições do momento atual, citando avanços tecnológicos, como a exploração espacial e a inteligência artificial, ao mesmo tempo em que persistem conflitos violentos que atingem civis. Segundo ele, tecnologias modernas também têm sido utilizadas em contextos militares sem regulamentação adequada.
Reformas e cooperação internacional
O presidente voltou a defender mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que alguns membros permanentes do Conselho de Segurança atuam fora dos princípios da Carta da entidade. Ele também criticou o protecionismo e reforçou a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento econômico.
Como exemplo de integração, citou o acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve entrar em vigor em breve, criando um mercado com cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de 22 trilhões de dólares.
Energia limpa e indústria
Lula destacou o papel do Brasil na transição energética, lembrando que o país foi pioneiro no uso de biocombustíveis desde a década de 1970. Também afirmou que houve redução significativa do desmatamento nos últimos anos e ressaltou que a matriz elétrica brasileira é majoritariamente limpa, além do potencial para produção de hidrogênio verde a baixo custo.
Minerais estratégicos e investimentos
O presidente enfatizou a importância dos minerais críticos para a descarbonização e a transformação digital, defendendo que esses recursos sejam utilizados para promover desenvolvimento econômico e social. Segundo ele, o Brasil não pretende se limitar ao papel de exportador de matérias-primas.
Economia e inovação
Lula destacou o desempenho econômico recente do país, afirmando que o Brasil tem se consolidado como destino relevante para investimentos estrangeiros. Também mencionou propostas em debate, como a redução da jornada de trabalho para ampliar o descanso dos trabalhadores.
Por fim, ressaltou iniciativas tecnológicas nacionais, como o Pix, que classificou como uma das maiores plataformas de pagamento instantâneo do mundo, destacando seu caráter público, gratuito e inovador.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve presente no UFC 327, na noite deste sábado (11), em Miami, e acompanhou a vitória do brasileiro Paulo Borrachinha sob o russo Azamat Murzakanov. O brasileiro dedicou uma “dança da vitória” ao líder americano.
Após a luta, Borrachinha pulou a grade do octógono para cumprimentar Trump, que assistia ao combate da primeira fila. O presidente dos EUA parabenizou o brasileiro e fez elogios à beleza do atleta: “Você é bonito demais para ser um lutador. Poderia ser modelo”, disse o presidente.
Um registro do encontro foi publicado no perfil pessoal de Dan Scavino, assistente do presidente e diretor do Gabinete de Pessoal Presidencial da Casa Branca, na rede social X (antigo Twitter).
Em entrevista após o combate, Borrachinha comentou sobre o teor da conversa com o presidente dos EUA. “Sou brasileiro e temos alguns amigos em comum. As coisas não estão boas no Brasil agora, então tivemos uma pequena conversa”, afirmou o lutador.
Jornalista aponta desespero dos Estados Unidos e sustenta que a guerra já alterou o equilíbrio de poder no Oeste da Ásia
Pepe Escobar diz que cessar-fogo é improvável e vê Irã fortalecido no tabuleiro geopolítico (Foto: Brasil247)
Em entrevista à TV 247, transmitida no YouTube neste sábado, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que as negociações em Islamabad entre representantes dos Estados Unidos e do Irã acontecem em meio a uma tensão extrema e sob condições impostas por Teerã. Na conversa com Leonardo Attuch, Escobar sustentou que o atual processo diplomático foi organizado a partir de exigências iranianas e descreveu o momento como uma inflexão histórica no tabuleiro geopolítico do Oeste da Ásia.
Logo no início da entrevista, Escobar resumiu o clima da negociação em curso com uma imagem contundente. “A gente está no meio do vulcão”, disse. Segundo ele, as conversas começaram em salas separadas, com delegações americana e iraniana discutindo temas técnicos, sobretudo o programa nuclear iraniano e a questão dos mísseis. Para o analista, o simples fato de as partes terem chegado a esse ponto já revela uma mudança relevante na correlação de forças.
Na avaliação de Escobar, a pressão das últimas 24 horas antes do encontro foi intensa e incluiu episódios de ameaça militar direta na região do estreito de Ormuz. Ele relatou que os iranianos teriam advertido sobre a presença de um destróier norte-americano e afirmou que o navio recuou. Ao comentar o episódio, Escobar usou uma de suas expressões mais duras para se referir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “orangotango da barbárie”. Para ele, Washington tenta interferir o tempo todo por meio da construção de narrativas e de operações de comunicação, mas esbarra numa realidade estratégica muito mais desfavorável do que admite publicamente.
Escobar diz que os EUA pediram o cessar-fogo
Um dos principais argumentos de Pepe Escobar ao longo da entrevista foi o de que os Estados Unidos não conduzem o processo, mas reagem a uma situação criada no campo de batalha. Segundo ele, “quem pediu o cessar fogo e quem pediu o que a gente tá vendo agora em Islamabad, foram os americanos”. Ainda de acordo com o jornalista, os pedidos teriam sido feitos inicialmente por canais como Catar e Turquia, sem sucesso, até chegarem ao Paquistão.
Na reconstrução apresentada por Escobar, Islamabad assumiu um papel central justamente ao se tornar o intermediário entre Washington e Teerã. Ele descreveu um vaivém de mensagens traduzidas do inglês para o farsi e vice-versa, conduzido pelos paquistaneses, até que se formasse a base mínima para o encontro atual. Em sua leitura, o Paquistão aproveitou a crise para elevar seu peso político internacional e se apresentar como ator indispensável numa negociação de escala global.
O analista também atribuiu papel decisivo à China. Segundo ele, Pequim atuou discretamente nos bastidores, conversando com o Irã e oferecendo respaldo diplomático — e, segundo sua versão, até militar, caso o processo fracassasse. Escobar afirmou que os russos teriam dado sinais semelhantes, numa demonstração de alinhamento estratégico entre Moscou e Pequim em torno da crise.
O papel do Paquistão na mediação
Um dos trechos mais longos da entrevista foi dedicado ao Paquistão. Escobar sustentou que Islamabad se tornou peça-chave na tentativa de contenção da guerra porque reúne atributos que a tornam especialmente respeitada por Teerã e, ao mesmo tempo, incontornável para Washington.
Ele enfatizou dois fatores: o fato de o Paquistão ser potência nuclear e o de não reconhecer Israel como nação. Na visão de Escobar, isso reduz drasticamente a possibilidade de ações militares israelenses em território paquistanês e transforma o país num ambiente de negociação incomparavelmente mais seguro para a cúpula iraniana.
Ao falar do país, o jornalista também adotou tom pessoal e afetivo. Disse que o norte paquistanês está entre seus lugares preferidos do planeta, elogiou a Karakoram Highway, a região de Karimabad e o vale de Hunza, e descreveu o Baluchistão e as áreas tribais com admiração. Segundo ele, o Paquistão reúne uma riqueza cultural e humana extraordinária, além de um senso de acolhimento muito forte com estrangeiros interessados em sua cultura.
Israel, Líbano e o impasse da guerra
Ao tratar de Israel, Escobar fez uma das análises mais contundentes da entrevista. Para ele, não existe hoje mecanismo político capaz de conter o que chamou de lógica psicopatológica do Estado israelense. “O único jeito de refreá-los é uma derrota militar esmagadora”, afirmou.
Na sua avaliação, se o Irã mantiver os bombardeios por mais algumas semanas, teria condições de comprometer o funcionamento do Estado israelense ao atingir aeroportos, portos, centrais elétricas e centros de inteligência. Escobar mencionou ainda o ataque iraniano nas proximidades de Dimona como uma mensagem de que Teerã teria capacidade de atingir alvos ainda mais sensíveis.
Sobre o Líbano, ele destacou que a repercussão internacional dos ataques foi profundamente negativa, inclusive em partes da Europa e do Sul Global. Segundo o jornalista, a ofensiva ampliou o desgaste de Israel perante a opinião pública internacional e contribuiu para aumentar a crítica interna nos Estados Unidos ao alinhamento automático de Washington com Tel Aviv.
Trump, JD Vance e o movimento Maga
A entrevista também avançou para a política norte-americana. Leonardo Attuch questionou Escobar sobre o papel de JD Vance nas negociações e sobre a crise interna do movimento Maga. Escobar respondeu com cautela sobre o vice-presidente, mas observou que ele pode emergir com novo peso político se conseguir capitalizar o processo diplomático.
Ainda assim, o jornalista insistiu que Vance não decide sozinho. “Ele é vice-presidente. As diretrizes vêm do orangutango”, disse, reiterando sua visão de que Donald Trump continua a ser o centro das decisões, embora esteja, segundo ele, encurralado economicamente e politicamente pela guerra.
Escobar foi além ao associar JD Vance ao universo da Palantir e à influência de Peter Thiel. Na parte mais sombria de sua análise, afirmou que a empresa estaria profundamente integrada ao aparato de segurança dos Estados Unidos e aos sistemas de inteligência utilizados por Israel. “Ele é o herdeiro escolhido pela Palantir”, declarou, ao descrever Vance como figura ainda mais perigosa no longo prazo por sua conexão com o tecnofeudalismo e com a militarização da inteligência artificial.
China, BRICS e a disputa pelo século
Nos minutos finais da entrevista, Escobar voltou à China para sustentar que Pequim operou a crise com enorme precisão estratégica. Ele lembrou que China e Rússia vetaram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que poderia abrir caminho para intervenção no estreito de Ormuz e afirmou que, quase simultaneamente, Pequim começou a convencer Teerã a aceitar uma tentativa de cessar-fogo em posição vantajosa.
Segundo o analista, os chineses também aproveitaram o momento para avançar em outro dossiê sensível: Taiwan. Ao mencionar um encontro entre Xi Jinping e a liderança do Kuomintang, ele disse que Pequim começou a construir um caminho para uma reincorporação pacífica da ilha. Em sua avaliação, trata-se de uma demonstração de como a China consegue agir em múltiplos tabuleiros ao mesmo tempo.
Escobar resumiu a lógica estratégica chinesa com uma expressão do xadrez e do jogo de Go: “Qualquer movimento que você faz você perde”. Para ele, os Estados Unidos foram conduzidos a uma posição em que suas alternativas se estreitaram drasticamente, enquanto China, Rússia e Irã fortalecem uma arquitetura mais ampla de poder no Sul Global.
Ao comentar o próximo encontro dos BRICS, previsto para este ano na Índia, o jornalista demonstrou ceticismo. Para ele, o bloco chega ao momento fragilizado por contradições internas, especialmente depois da entrada de países árabes com agendas conflitantes e do alinhamento do governo indiano com o lado que, em sua leitura, saiu derrotado nessa guerra.
“A guerra que define o século”
No encerramento, Escobar voltou a insistir que nada está garantido. Para ele, o cenário mais positivo seria a continuidade das conversas após consultas internas em Washington e em Teerã. O cenário negativo, por sua vez, seria a retomada plena da guerra caso as exigências iranianas sejam rejeitadas.
Ainda assim, o jornalista deixou claro que considera o Irã preparado para um conflito mais longo do que seus adversários. “Os iranianos se programaram por meses, não por semanas”, afirmou. Em sua visão, os Estados Unidos não teriam preparo real para uma escalada prolongada e poderiam recorrer apenas a operações de efeito midiático para tentar vender uma aparência de controle.
Sua frase final resumiu o sentido que atribui à crise atual. “Essa é a guerra que define o século”, disse, antes de defender um “brinde ao Irã e ao Paquistão”. A fala sintetiza a interpretação geopolítica apresentada ao longo de toda a entrevista: a de que o confronto em curso não se limita a um cessar-fogo eventual, mas pode marcar o início de uma nova fase na disputa entre império, soberania regional e reorganização do poder global.
O delegado Diogo Gonçalves Bem, da Polícia Civil de Pernambuco, pagou para que uma quadrilha fraudasse o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 e beneficiasse a esposa dele, Lariça Saraiva Amando Alencar, segundo a Polícia Federal (PF). A mulher passou em primeiro lugar para auditora-fiscal no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cargo que ocupa atualmente.
A informação consta numa representação feita pela PF à Justiça Federal na Paraíba, em que a corporação detalha um esquema milionário de fraudes em concursos públicos, como exibido no “Fantástico”, no domingo (22). Sobre a suposta participação do servidor pernambucano, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que abriu uma investigação (entenda mais abaixo).
Conforme a representação da PF à Justiça, documento ao qual o g1 teve acesso, o grupo atuava oferecendo aprovação em concursos mediante pagamento, que podia ocorrer antes ou depois das provas.
A suposta participação de Diogo Bem e Lariça Saraiva veio à tona a partir da delação premiada de Thyago José de Andrade, apontado como chefe da organização criminosa, e da companheira dele, Lais Giselly Nunes de Araújo.
Segundo a PF, Thyago não detalhou como ocorreu o repasse de respostas do concurso à esposa do delegado. Já no depoimento da companheira dele, Lais Giselly, consta que “uma esposa de um delegado também fraudou o concurso do CNU, sendo aprovada em primeiro lugar. Que o nome da candidata era Lariça”.
Além das citações dos dois depoentes, chamou a atenção da polícia a discrepância de notas obtidas por Lariça na primeira e na segunda fases do concurso. Na primeira, ela teve a melhor nota nas provas objetiva e discursiva, o que apontaria para um suposto repasse de informações.
Já na segunda fase, do curso de formação, obteve notas “relativamente baixas” nas duas provas realizadas. Isso, segundo a PF, “indica certo despreparo e pode corroborar com a informação de fraude trazida por Thyago”.
Ainda segundo a PF, o delegado pernambucano “pagou que sua esposa fosse beneficiada com a fraude do CNU, sendo que ela foi aprovada em primeiro lugar”, e, portanto “financiou a fraude da esposa”.
O g1 entrou em contato com o delegado Diogo Bem e com a auditora-fiscal do trabalho Lariça Alencar, mas ambos não responderam até a última atualização desta reportagem.
O Ministério do Trabalho e Emprego também foi procurado, mas não respondeu.
SDS investiga delegado
Procurada, a Polícia Civil de Pernambuco, instituição da qual o delegado Diogo Bem faz parte, não quis se manifestar sobre o caso, e disse que “não se pronuncia sobre investigações realizadas por outros órgãos”.
Já a Corregedoria da SDS informou que iniciou uma investigação preliminar “por meio da qual as informações estão sendo verificadas, assim como estão sendo coletados os subsídios necessários à análise e aferição de eventuais condutas irregulares do servidor”. (Íntegra clique aqui)
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Ação militar ocorre em meio à escalada de tensões e impacto direto no mercado global de petróleo
Imagem aérea revela o litoral do Irã e a ilha de Qeshm, localizada no estreito de Ormuz, bandeira do Irã e Donald Trump (Foto: Dado Ruvic/Reuters I Reuters)
Os Estados Unidos realizaram um ataque contra instalações de mísseis do Irã localizadas na costa do estreito de Ormuz, em meio à intensificação do conflito na região. A operação foi confirmada pelo Comando Central norte-americano nesta terça-feira (17), em um novo capítulo da escalada militar envolvendo Teerã.
Segundo informações divulgadas pela RT, o comando militar afirmou que a ofensiva utilizou armamentos de alta capacidade destrutiva contra alvos considerados estratégicos. “Há algumas horas, as forças dos EUA lançaram com sucesso várias munições de penetração profunda de 5.000 libras [mais de 2.200 quilos] contra instalações de mísseis iranianas fortificadas, localizadas ao longo da costa do Irã, perto do Estreito de Ormuz”, informou o comunicado oficial.
De acordo com o Comando Central, as estruturas atingidas abrigavam mísseis de cruzeiro antinavio que representavam ameaça direta à navegação internacional. “Os mísseis de cruzeiro antinavio iranianos localizados nessas instalações representavam um risco para a navegação internacional no estreito”, acrescentou a nota.
O ataque ocorre em um momento de forte tensão geopolítica, após o Irã anunciar o bloqueio do estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A via conecta o golfo Pérsico ao golfo de Omã e é responsável por cerca de um quinto do fluxo global de petróleo.
Autoridades iranianas afirmaram que a medida foi adotada após ações militares dos Estados Unidos e Israel. O governo de Teerã declarou que não permitirá a saída de petróleo pela região. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica reforçou que embarcações norte-americanas e de países aliados não poderão atravessar o estreito.
Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a passagem permanece aberta, mas restrita a nações não consideradas inimigas.
O impacto da crise já se reflete no mercado internacional de energia. O bloqueio da rota marítima provocou forte volatilidade nos preços do petróleo. No início de março, o barril superou a marca de 100 dólares, chegando próximo de 120 dólares em determinados momentos. Mais recentemente, os contratos futuros do Brent voltaram a subir, sendo negociados acima de 104 dólares por barril, patamar não observado desde julho de 2022.
A intensificação das ações militares na região do Golfo Pérsico amplia as preocupações globais sobre segurança energética e estabilidade no comércio internacional, especialmente diante da importância estratégica do estreito de Ormuz para o abastecimento mundial de petróleo.
As micro, pequenas e médias empresas desempenharam um papel essencial nesse crescimento
Bandeira da Índia (Foto: REUTERS/Priyanshu Singh)
Em 2025, a Índia consolidou sua posição como o segundo maior produtor de smartphones do mundo. A produção de celulares aumentou 28 vezes em comparação com os dados de 2014-2015, alcançando 5,5 trilhões de rúpias (mais de R$ 335 bilhões). As exportações também cresceram significativamente, subindo 127 vezes, totalizando 2 trilhões de rúpias (cerca de R$ 122 bilhões), segundo dados do governo divulgados pela TV BRICS.
Esse avanço no setor de eletrônicos foi impulsionado por programas governamentais, como o “Feito na Índia”, e iniciativas de incentivo à produção local. Essas medidas atraíram investimentos e contribuíram para o aumento significativo da produção interna.
As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) desempenharam um papel essencial nesse crescimento, integrando-se ativamente às cadeias de fornecimento dos grandes fabricantes e ajudando a fortalecer o ecossistema nacional de eletrônicos.
Além do destaque na produção de smartphones, a Índia também obteve crescimento expressivo na fabricação de outros dispositivos eletrônicos, como componentes, modems e servidores, consolidando sua posição como um importante centro de produção eletrônico.
Com esses avanços, a Índia segue fortalecendo sua competitividade no mercado global de eletrônicos, consolidando-se como um dos maiores produtores e exportadores da indústria.
Presidente dos Estados Unidos indica novos alvos e afirma que ofensiva contra o Irã pode atingir áreas e grupos ainda não atacados
Donald Trump (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou neste sábado (7) que pretende intensificar a ofensiva militar contra o Irã e afirmou que novos alvos poderão ser atingidos nas próximas ações militares. A declaração foi publicada na rede social Truth Social, onde Trump escreveu que o país será atacado “muito duramente”.
Na publicação, o presidente norte-americano afirmou que a ampliação das ações militares está sendo considerada e que a lista de alvos pode incluir regiões e grupos que até agora não estavam contemplados na operação. “Sob séria consideração para destruição completa e morte certa, por causa do mau comportamento do Irã, estão áreas e grupos de pessoas que não estavam sendo considerados como alvos até este momento”, escreveu.
Trump também mencionou um pronunciamento anterior do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmando que o líder iraniano teria pedido desculpas e assumido compromissos com países vizinhos do Oriente Médio. Segundo o presidente dos Estados Unidos, Pezeshkian teria se rendido aos países da região e prometido que o Irã não voltará a atacar esses Estados. “Essa promessa só foi feita por causa do ataque implacável dos Estados Unidos e de Israel”, afirmou Trump, em referência às operações militares conduzidas pelos dois países.
Na mesma publicação, o presidente norte-americano intensificou as críticas ao Irã e declarou que o país teria perdido sua posição de força na região. “O Irã não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’; agora é o ‘PERDEDOR DO ORIENTE MÉDIO’ e continuará assim por muitas décadas até que se renda ou, mais provavelmente, colapse completamente. Hoje o Irã será atingido muito duramente!”, escreveu.
A postagem ocorre uma semana após o início da operação militar lançada pelos Estados Unidos contra o governo iraniano, em um cenário de crescente tensão geopolítica no Oriente Médio. As declarações de Trump indicam que a ofensiva pode avançar para uma nova etapa, com ataques direcionados a novos alvos que não estavam previstos nas fases iniciais da campanha militar.
O Irã voltou a chamar atenção no cenário militar internacional após a revelação de uma estratégia de engano surpreendentemente simples, mas eficaz. Imagens de satélite e registros recentes indicam que algumas bases aéreas do país possuem silhuetas de aviões pintadas diretamente no concreto das pistas, criando a aparência de que caças estão estacionados no local.
A manobra teria surtido efeito. Durante um ataque aéreo, forças dos Estados Unidos teriam direcionado bombas guiadas para o que aparentavam ser aeronaves posicionadas na base. Após as explosões, no entanto, ficou claro que os alvos atingidos não passavam de desenhos pintados no chão.
Especialistas em defesa apontam que uma única bomba guiada de precisão pode custar centenas de milhares de dólares e, dependendo do armamento empregado, o custo total de um ataque pode ultrapassar os US$ 5 milhões. Na prática, isso significa que milhões de dólares podem ter sido gastos para destruir apenas tinta sobre concreto.
Enquanto isso, segundo analistas militares, os aviões reais estariam protegidos em hangares reforçados ou até em bunkers subterrâneos, fora do alcance imediato de ataques.
Táticas de engano como essa não são inéditas na história militar. Ao longo do tempo, diversos países já utilizaram tanques infláveis, aviões falsos e até cidades cenográficas para confundir satélites e sistemas de reconhecimento. No caso iraniano, porém, o que chamou atenção foi justamente a simplicidade da técnica: apenas pintura no solo foi suficiente para enganar sensores e observação aérea.
O episódio reforça que, mesmo em uma era marcada por tecnologia militar avançada e armamentos inteligentes, soluções simples ainda podem gerar grandes prejuízos ao adversário.
A China passou a integrar de forma definitiva o grupo restrito de nações com capacidade estratégica hipersônica. O enigmático bombardeiro associado ao projeto MD-22, capaz de alcançar velocidades de até Mach 7 — sete vezes a velocidade do som —, teve detalhes divulgados recentemente, reacendendo o debate sobre o equilíbrio militar global. Atualmente, nenhum sistema convencional de defesa antiaérea foi concebido para interceptar um vetor que opere com tal velocidade e altitude.
O veículo emprega a tecnologia conhecida como boost-glide: inicialmente, é impulsionado por um foguete até altitudes elevadas e velocidades extremas; em seguida, passa a planar em trajetória variável rumo ao alvo, dificultando a detecção e a interceptação. A Mach 7, o atrito com a atmosfera pode gerar temperaturas superiores a 2.000 °C, exigindo o uso de materiais altamente resistentes ao calor, desenvolvidos especificamente para esse tipo de aplicação. Em 2021, a China já havia demonstrado domínio dessa tecnologia ao lançar um veículo hipersônico que circundou o planeta antes de se aproximar do alvo. A adaptação desse conceito para um bombardeiro capaz de decolar de bases em território chinês e atingir alvos a milhares de quilômetros representa um avanço operacional significativo.
Analistas de defesa avaliam que a combinação do MD-22 com o arsenal hipersônico já em desenvolvimento — incluindo versões do míssil YKJ-1000, produzidas em larga escala e com custo até 90% inferior aos modelom programas semelhantes, mas o ritmo e a escala da modernização chinesa têm despertado atenção especial em centros de análise de defesa no Ocidente.
Mach 7. Sem aviso. Sem interceptação. Um bombardeiro cuja existência, até recentemente, permanecia envolta em discrição.
s anteriores — coloca a China entre as potências que mais rapidamente expandem sua capacidade estratégica de ataque de longo alcance. Estados Unidos e Rússia mantê
A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, provocou neste domingo uma onda de protestos e tentativas de invasão a representações diplomáticas dos Estados Unidos no Oriente Médio e no sul da Ásia. Multidões se reuniram diante de instalações ligadas ao governo americano em Bagdá, no Iraque, e em Karachi, no Paquistão. Os confrontos deixaram pelo menos dois mortos e agravaram ainda mais a tensão na região.
Funcionário de banco compara nota de dólar falsa (embaixo) com nota verdadeira (em cima), em Bangkok, Tailândia 26/01/2023 REUTERS/Athit Perawongmetha
O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (20), acompanhando o movimento global de busca por ativos de maior risco após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.
A moeda norte-americana contra o real encerrou o dia cotada a R$ 5,1766, com recuo de 0,99%. O DXY, que mede o desempenho da moeda dos EUA frente a uma cesta de seis divisas fortes, marcava 97,80 pontos às 17h07, com queda de 0,04%.
Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.
Às 17h06, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,77% na B3, aos R$5,1840.
A decisão da Justiça norte-americana foi anunciada no fim da manhã. O tribunal entendeu que a interpretação da norma para permitir a imposição de tarifas comerciais extrapola as atribuições do Executivo e invade competências do Congresso, violando a chamada doutrina das “questões principais”, que exige autorização clara do Legislativo para medidas de ampla relevância econômica e política.
A reação foi imediata nos mercados globais. No Brasil, além da queda do dólar, as taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) recuaram ao longo da curva. A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 12,54%, queda de 7 pontos-base ante 12,613% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2035 marcou 13,38%, com recuo de 6 pontos-base frente a 13,443%.
Nos Estados Unidos, o movimento foi diferente. Os rendimentos dos Treasuries avançaram, com investidores reduzindo posições em títulos públicos. Às 16h35, o Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 1 ponto-base, a 4,086%.
Decisão judicial responsabiliza ex-chefe de Estado por tentativa de impor lei marcial em dezembro de 2024
Yoon Suk Yeol (Foto: Chung Sung-Jun/Pool via Reuters)
Um tribunal da Coreia do Sul declarou nesta quinta-feira (19) o ex-presidente Yoon Suk Yeol à prisão perpétua por liderar uma insurreição ao tentar instaurar a lei marcial no país em dezembro de 2024. A decisão marca um desdobramento relevante na crise política que envolveu a breve e fracassada medida adotada durante seu governo.
As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que acompanha o caso desde a abertura do processo judicial. Segundo a reportagem, o tribunal concluiu que Yoon esteve à frente da tentativa de impor a lei marcial, iniciativa que acabou sendo revertida e desencadeou investigações sobre possível afronta à ordem constitucional.
O julgamento ocorreu em meio a grande atenção pública e cobertura intensa da imprensa sul-coreana. Em Seul, cidadãos acompanharam pela televisão as atualizações sobre o veredicto, que responsabiliza formalmente o ex-presidente por sua conduta no episódio de dezembro de 2024.
A tentativa de decretação da lei marcial, à época, provocou forte repercussão política e institucional no país asiático. A medida foi considerada controversa e acabou sendo revertida, dando origem a questionamentos jurídicos que culminaram no processo agora concluído.
Com a decisão, o tribunal estabelece que a iniciativa liderada por Yoon configurou insurreição, conforme a legislação sul-coreana. O caso representa um momento significativo na história política recente da Coreia do Sul, ao envolver a responsabilização judicial de um ex-chefe de Estado por atos praticados durante o exercício do cargo.
O BRICS deixou de ocupar um espaço periférico no cenário global e passou a se consolidar como um dos principais polos de influência internacional. Atualmente, mais de quarenta nações já sinalizaram oficialmente interesse em se aproximar do grupo, seja por meio de adesão, parcerias ou acordos estratégicos. Isso não acontece por acaso, nem por alinhamento ideológico passageiro. Trata-se de uma decisão pragmática.
A razão é clara: o BRICS reúne economias em expansão, mercados internos massivos, vastas reservas de energia, produção de alimentos, acesso a minerais estratégicos e, acima de tudo, capacidade de decisão soberana. Em contraste com o modelo tradicional, baseado em sanções, imposições políticas e dependência financeira, o bloco oferece cooperação econômica, crédito e comércio sem exigir submissão. Para grande parte do Sul Global, essa diferença é determinante.
Hoje, os países do BRICS somam mais da metade da população mundial, detêm uma parcela cada vez maior do PIB global em paridade de poder de compra e exercem influência sobre cadeias produtivas essenciais — da energia à agricultura, dos minerais críticos à indústria. Regiões como África, Oriente Médio, Ásia Central, Sudeste Asiático e América Latina veem no BRICS não um projeto ideológico, mas uma alternativa concreta para garantir estabilidade econômica e autonomia nacional.
Outro fator central é a construção de caminhos fora do sistema financeiro dominado pelo dólar. Instituições próprias, transações em moedas locais, novos instrumentos de crédito e acordos bilaterais têm reduzido a dependência de estruturas controladas por potências tradicionais. Para países historicamente vulneráveis a sanções e pressões externas, isso representa um ganho estratégico significativo.
O receio que esse movimento desperta não está no crescimento do BRICS em si, mas no efeito multiplicador que ele provoca. Cada novo parceiro enfraquece o modelo de poder concentrado. Cada transação fora do dólar diminui o alcance da coerção econômica. Cada acordo entre países do Sul fortalece caminhos próprios de desenvolvimento.
Por isso, o BRICS já não pode ser visto apenas como um agrupamento de economias emergentes. Ele se afirma como um dos eixos centrais da reorganização da ordem internacional — não por retórica, mas por dados concretos: população, recursos, produção e estratégia.
Enquanto alguns ainda questionam se o BRICS terá êxito, grande parte do mundo já fez seus cálculos. E decidiu se aproximar.