Trump diz a Lula que os EUA não se envolverão nas eleições do Brasil

Em ligação telefônica, líderes abordaram o cenário político brasileiro, tarifas comerciais e o combate ao crime organizado

Lula e Donald TrumpCrédito: Ricardo Stuckert/PR I Casa Branca

– As eleições gerais no Brasil foram um dos principais temas tratados durante uma conversa por telefone entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo ocorreu na sexta-feira (21) e foi realizado por iniciativa do mandatário brasileiro a partir do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Segundo Igor Gadelha, do Metrópoles, relatos de fontes do governo brasileiro dão conta de que o líder norte-americano perguntou a Lula sobre o andamento do cenário eleitoral no país. Em resposta, o presidente brasileiro explicou que há diversos candidatos na disputa e enfatizou categoricamente que o sistema eleitoral brasileiro é “muito confiável”. O ponto alto da conversa ocorreu quando Trump assegurou a Lula que os Estados Unidos não irão se envolver nas eleições do Brasil. A garantia dada pelo norte-americano foi confirmada por pelo menos duas fontes governamentais, sendo que uma delas acompanhou diretamente a ligação entre os dois líderes.

O telefonema, que teve a duração total de uma hora e 20 minutos, foi classificado por interlocutores do governo como um passo crucial que “reabriu o contato de alto nível” entre os dois países. Durante a interação, mantida em tom descontraído, Lula brincou com Trump, afirmando que ambos se gostam e que, por esse motivo, não necessitam de intermediários para se comunicar.

A iniciativa da chamada partiu de Lula e teve como objetivo central discutir três pautas estratégicas: o tarifaço aplicado sobre produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e a busca por soluções para os conflitos globais. Auxiliares do governo brasileiro ressaltaram que o contato não teve a finalidade de rebater os recentes ataques do Departamento de Estado dos Estados Unidos ao Brasil. A busca pelo diálogo ocorreu diante da escalada das tensões internacionais, que, na visão de Lula, provocam impactos globais. O contato com Trump soma-se às conversas recentes mantidas por Lula com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, líderes cujos países integram o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Durante a ligação no Palácio da Alvorada, o presidente brasileiro esteve acompanhado por quatro de seus principais auxiliares: o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o chefe da assessoria internacional da Presidência e ex-chanceler, Celso Amorim; o secretário de imprensa da Presidência, Laércio Portela; e o assessor especial do presidente, embaixador Audo Faleiro.

Governo reage ao tarifaço dos EUA e abre processo de reciprocidade

Medida abre caminho para contramedidas, mas governo brasileiro afirma que continuará priorizando o diálogo

Lula e Donald TrumpCrédito: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação

O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que iniciou o processo para adoção de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas pelo governo estadunidense sobre produtos brasileiros.

O procedimento tem como base a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025. A legislação permite ao Brasil adotar medidas contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao país.

Em nota, o governo informou que abriu uma análise para verificar o enquadramento das medidas estadunidenses na legislação brasileira.

“O governo brasileiro informa que deu início à análise de pleito ordinário de enquadramento, sob a Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), das medidas unilaterais adotadas pelo governo dos Estados Unidos da América no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio daquele país”, informou o governo em nota.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) também comunicará formalmente o governo dos Estados Unidos sobre o início do procedimento e solicitará a realização de consultas diplomáticas.

China inicia novo plano quinquenal com resiliência e novos motores de crescimento

Novos motores de crescimento — representados pela manufatura de alta tecnologia, pela economia digital e pelos serviços modernos — responderam por mais de 40% do crescimento econômico da China no primeiro semestre de 2026

Xi JinpingCrédito: Xinhua/Xie Huanchi

O crescimento estável da China no primeiro semestre de 2026 evidenciou a resiliência da segunda maior economia do mundo e o peso crescente de novos motores de crescimento no início de um novo ciclo de desenvolvimento de cinco anos, segundo autoridades chinesas, de acordo com análise divulgada no Diário do Povo.

Apesar do aumento das incertezas no cenário externo, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 4,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 69,6 trilhões de yuans (cerca de US$ 10,25 trilhões) no primeiro semestre de 2026, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas.

“Essas conquistas, arduamente alcançadas, lançaram uma base sólida para o alcance das metas de desenvolvimento econômico e social deste ano e proporcionaram um início promissor para o 15º Plano Quinquenal (2026-2030)”, afirmou Wang Guanhua, funcionário do Departamento Nacional de Estatísticas, durante a edição mais recente do China Economic Roundtable, programa de entrevistas da Agência de Notícias Xinhua com participação de diversos veículos de comunicação.

Resiliência em um mundo volátil

Em um contexto no qual diversas instituições internacionais reduziram suas projeções para as principais economias do mundo, o desempenho da China no primeiro semestre foi particularmente expressivo, sobretudo diante da dimensão de sua economia, destacaram as autoridades.

Segundo Yang Te, funcionário da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), o resultado ficou em linha com a meta de crescimento anual de aproximadamente 4,5% a 5% e manteve a China entre as economias de crescimento mais acelerado do mundo.

Yang observou que a expansão de 4,7% representou um acréscimo de 3,6 trilhões de yuans na produção econômica apenas no primeiro semestre de 2026, valor equivalente ao PIB anual de uma economia europeia de porte médio.

Entre os indicadores que sustentaram esse desempenho, o Departamento Nacional de Estatísticas informou que a taxa de desemprego urbano pesquisada caiu para 5% em junho, ante 5,1% em maio, enquanto a renda disponível per capita aumentou 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

De janeiro a junho, a produção industrial de valor agregado avançou 5,4% na comparação anual, enquanto o total das vendas no varejo de bens de consumo, um dos principais indicadores da força do mercado interno, cresceu 2,7%.

Yang atribuiu a resiliência da economia a dois fatores principais: a solidez das cadeias industriais e de suprimentos e a segurança energética.

Segundo ele, apesar dos diversos choques externos registrados no período, as cadeias industriais e de suprimentos da China permaneceram resilientes, reforçando o papel do país como “fábrica do mundo” e “mercado mundial”.

Ao mesmo tempo, diante das fortes interrupções no fornecimento global de energia, a China intensificou medidas para garantir o abastecimento energético e estabilizar os preços, protegendo as atividades econômicas e o cotidiano da população.

“Ao manter um desenvolvimento estável em meio às incertezas externas, a China continuou a atuar como estabilizadora e motor fundamental do crescimento econômico global, reforçando ainda mais seu papel como âncora da estabilidade global”, afirmou Yang.

Ascensão de novos motores de crescimento

Na base dessa resiliência está uma rápida transição para novos motores de crescimento, afirmaram os participantes da mesa-redonda.

“A transição dos antigos para os novos motores de crescimento tornou-se uma das características mais marcantes da economia chinesa”, disse Wang Guanhua. “Ela não se limita a avanços em alguns poucos setores, mas reflete uma ampla modernização em toda a economia.”

Segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas, novos motores de crescimento — representados pela manufatura de alta tecnologia, pela economia digital e pelos serviços modernos — responderam por mais de 40% do crescimento econômico no primeiro semestre de 2026.

Essa transformação é particularmente visível nos setores estratégicos emergentes. A produção chinesa de circuitos integrados alcançou 279,8 bilhões de unidades nos seis primeiros meses do ano, o equivalente a mais de 1,5 bilhão de chips produzidos por dia.

Huang Hanquan, presidente da Academia Chinesa de Pesquisa Macroeconômica, vinculada à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, afirmou que a China consolidou sua posição entre os principais países do mundo em inovação em inteligência artificial ao aproveitar as oportunidades abertas pela transformação tecnológica e industrial.

Segundo Huang, as indústrias ligadas à inteligência artificial deverão crescer mais de 30% neste ano, fortalecendo ainda mais os novos motores de crescimento da economia chinesa.

“O rápido desenvolvimento das indústrias emergentes não é um ganho passageiro, mas o resultado de anos de esforços contínuos para alcançar avanços em tecnologias essenciais, promover a integração entre inovação tecnológica e industrial e estimular o surgimento de empresas inovadoras”, afirmou Wang.

No esboço do 15º Plano Quinquenal, divulgado em março, a China assumiu o compromisso de concentrar esforços na modernização de seu sistema industrial e no desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade.

À medida que esses novos motores de crescimento ganham força, tornam-se um pilar cada vez mais importante para sustentar a estabilidade da economia chinesa em um ambiente externo complexo, concluiu Wang.

Tarifaço para inglês ver: Trump isenta produtos brasileiros que podem afetar a inflação nos Estados Unidos

Lista divulgada pelo governo norte-americano preserva café, petróleo, fertilizantes, suco de laranja e outros insumos estratégicos

Lula e Donald TrumpCrédito: Ricardo Stuckert/PR I Casa Branca

Os Estados Unidos divulgaram a lista de produtos brasileiros que ficarão isentos da nova sobretaxa de 12,5% imposta pelo governo de Donald Trump sob a justificativa de combater o trabalho forçado. A relação, publicada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), inclui 471 itens considerados estratégicos para a economia americana, como café, petróleo, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja e derivados de açaí.

A decisão reforça a percepção de que a medida tem forte componente econômico e inflacionário. Ao preservar produtos essenciais para o abastecimento da indústria e dos consumidores norte-americanos, Washington evita impactos sobre preços internos ao mesmo tempo em que mantém pressão comercial sobre outros setores da economia brasileira.

As informações são da Agência Brasil.

Produtos estratégicos escapam da sobretaxa

Entre os principais produtos poupados pelo governo americano estão alguns dos itens de maior importância para a pauta comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Além de café, petróleo bruto, gás natural e fertilizantes, também foram incluídos na lista de exceções madeira, suco de laranja, derivados de açaí, couro, ferro-gusa, resíduos de alumínio, defensivos agrícolas, medicamentos e obras de arte.

A escolha indica que o governo Trump procurou preservar cadeias produtivas e segmentos cuja interrupção ou encarecimento poderia elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos.

Tarifa de até 37,5% entra em vigor

Para os produtos que ficaram fora da lista de exceções, a nova sobretaxa de 12,5% começou a valer nesta sexta-feira (24).

Como esses produtos já estavam sujeitos à tarifa adicional de 25% anunciada anteriormente, a tributação total poderá chegar a 37,5%, substituindo a alíquota provisória de 10% que vinha sendo aplicada desde fevereiro.

O aumento afeta milhares de mercadorias brasileiras destinadas ao mercado americano e deverá elevar os custos de exportação para diversos setores da economia nacional.

Justificativa oficial é combate ao trabalho forçado

A medida foi adotada após investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

Segundo Washington, as tarifas pretendem pressionar o Brasil a fortalecer o combate ao trabalho forçado na produção de determinados bens exportados.

O governo brasileiro, no entanto, rejeita essa justificativa. Brasília afirma que possui uma das legislações mais rigorosas do mundo sobre trabalho escravo contemporâneo, ratificou todos os principais instrumentos internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o tema e considera a decisão americana uma medida unilateral de caráter protecionista.

Economia pesou na decisão americana

Embora o governo dos Estados Unidos tenha fundamentado a medida em questões trabalhistas, o próprio desenho das exceções evidencia que fatores econômicos tiveram peso significativo.

Segundo o USTR, foram considerados aspectos como a importância estratégica de determinados produtos para a economia americana, compromissos comerciais já existentes e características específicas de alguns mercados.

Na prática, ficaram protegidos justamente produtos cuja tributação poderia provocar aumento de custos para a indústria dos Estados Unidos ou pressionar a inflação doméstica.

Parceiros comerciais receberam tratamentos distintos

O governo americano também estabeleceu regras diferenciadas para outros parceiros comerciais.

Países como Argentina, Canadá e membros da União Europeia foram enquadrados em regimes específicos em razão de acordos comerciais existentes ou de mecanismos considerados eficazes de combate ao trabalho forçado.

No caso do setor têxtil, por exemplo, Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia poderão exportar parte de suas roupas sem a nova tarifa, desde que utilizem insumos produzidos nos Estados Unidos, como algodão.

Governo brasileiro recorrerá à OMC

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou que contestará as novas tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e utilizará os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica para responder às medidas adotadas por Washington.

Para Brasília, a decisão norte-americana carece de fundamento jurídico e utiliza a pauta dos direitos humanos como justificativa para impor barreiras comerciais incompatíveis com as regras do sistema multilateral de comércio.

A ampla lista de exceções divulgada pelo próprio governo dos Estados Unidos reforça, segundo analistas, a percepção de que as tarifas foram calibradas para evitar impactos relevantes sobre a inflação e a atividade econômica americanas, preservando setores considerados estratégicos enquanto mantêm pressão sobre parte das exportações brasileiras.

Condenado pelo STF e atuando contra o Brasil, Eduardo Bolsonaro ganha green card do governo Trump

Eduardo Bolsonaro ganha green card do governo TrumpCrédito: Reprodução

 A administração do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu o green card ao ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O documento permite que estrangeiros vivam, trabalhem e estudem em território estadunidense por tempo indeterminado, sem necessidade de autorizações especiais para permanecer no país. As informações são da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo.

A concessão ocorre em um período de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Na semana passada, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em 2025, ao adotar a primeira medida econômica contra o Brasil, o presidente estadunidense relacionou as tarifas a uma suposta perseguição do Estado brasileiro ao ex-mandatário Jair Bolsonaro.

No mês passado, Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a Corte, ficou comprovado que o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para interferir no julgamento da ação penal em que Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Conforme a denúncia, Eduardo afirmou, à época, que havia realizado gestões para que o governo Trump aplicasse sanções contra autoridades brasileiras e adotasse medidas econômicas contra o Brasil.

Proteção jurídica nos Estados Unidos

Aliado do ex-parlamentar, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo afirmou que a obtenção do documento amplia a proteção jurídica de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense. “Eduardo agora está protegido pela Constituição americana”, disse. “Qualquer ação de perseguição ou censura, por exemplo, contra ele, pode se inserir no mesmo contexto das ações que já levaram a sanções dos EUA ao Brasil”, acrescentou.

A possibilidade de extradição de Eduardo Bolsonaro para cumprimento da pena no Brasil já era considerada remota por ministros do STF, em razão do apoio manifestado pelo governo dos Estados Unidos ao ex-deputado. Com a concessão do green card, essa hipótese se torna ainda mais distante.

De acordo com Paulo Figueiredo, o pedido de residência permanente foi protocolado há mais de um ano, e o documento foi concedido neste mês. Embora passe a contar com direitos semelhantes aos de cidadãos estadunidenses para viver e trabalhar no país, Eduardo Bolsonaro não terá direito ao voto.

Messi afirma que dinheiro dos argentinos “não chega ao fim do mês”

Messi durante coletivaCrédito: Fifa

O atacante Lionel Messi afirmou que muitos argentinos seguem enfrentando dificuldades econômicas e que há pessoas cujo dinheiro “não chega ao fim do mês”. A declaração do capitão da seleção argentina motivou uma resposta oficial do governo do presidente Javier Milei, que concordou com o diagnóstico apresentado pelo jogador, mas atribuiu a situação às administrações dos ex-presidentes Néstor Kirchner e Cristina Kirchner. 

A manifestação do governo foi divulgada por meio do Escritório de Resposta Oficial (Opra), órgão criado pela gestão Milei para responder a reportagens da imprensa e rebater críticas ao governo. O presidente compartilhou o comunicado em suas redes sociais.

Messi fez o comentário após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, em entrevista ao site TyC Sports. Ao falar sobre o significado da campanha da seleção, o camisa 10 destacou o contexto social vivido por parte da população.

“Estamos orgulhosos e felizes por poder dar essa alegria ao povo. Sabemos que as Copas do Mundo são especiais para nós e nos esquecemos de todas as coisas ruins pelas quais temos que passar, que existem pessoas que estão tendo dificuldades, que não têm emprego, que não conseguem chegar ao fim do mês ou que estão constantemente lutando; em nossa vida, é o que sempre nos tocou”, afirmou.

O jogador acrescentou que espera que a seleção tenha proporcionado um momento de felicidade aos argentinos diante das dificuldades enfrentadas no cotidiano.

“Ao poder dar a eles esse tipo de alegria de estar em uma final de Copa do Mundo mais uma vez, chegando a duas finais consecutivas, conquistamos algo incrível”, disse. “Fomos os melhores nos últimos quatro anos e provamos mais uma vez que ninguém nos deu nada de graça e que tudo o que conquistamos foi em campo.”

As declarações ganharam ampla repercussão na Argentina e passaram a ser utilizadas por críticos da administração Milei como evidência das dificuldades econômicas enfrentadas pela população.

Na resposta divulgada pelo Opra, o governo reconheceu que a avaliação feita por Messi corresponde à realidade, mas colocou a culpa nos governos anteriores. “Em relação às palavras do melhor jogador de futebol da História, Lionel Messi, de que há pessoas que estão passando por momentos difíceis, isso é totalmente verdade”, afirmou o comunicado oficial. 

Luto: Rafael Lima, filho de Agenorzinho, morre aos 34 anos em Massachusetts

                              Foto: Rafael Lima, de camisa vermelha; atrás dele, o irmão Thiago Lima, de preto, e o primo Paulinho
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O afogadense Rafael Lima Barros morreu aos 34 anos em Worcester, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Filho do músico Agenor Lima, conhecido como Agenorzinho, e de Maria do Socorro Barros, Rafael nasceu em Afogados da Ingazeira e ainda criança se mudou com a família para os Estados Unidos, onde passou a viver. Ele possuía dupla cidadania.

De acordo com informações obtidas junto a familiares, Rafael sofreu uma queda da cama, bateu a cabeça e teve uma hemorragia intracraniana. Após ser internado, foi constatada a morte cerebral.

Abalado com a perda do filho, Agenorzinho recebe o apoio de familiares e amigos. Rafael era doador de órgãos, e o procedimento de captação está previsto para esta sexta-feira. Após essa etapa, a família definirá se o sepultamento será realizado nos Estados Unidos ou em Afogados da Ingazeira.

Atualização: A causa da hemorragia intracraniana ainda não foi esclarecida. Segundo informações repassadas ao blog, Rafael não apresentava qualquer hematoma aparente na cabeça.a.

Espanha na final da Copa do Mundo pela 2ª vez na história

A Espanha está na final da Copa do Mundo pela 2ª vez na história. Nesta terça-feira (14/7), a seleção espanhola derrotou a França por 2 x 0 e carimbou a classificação para a decisão da competição. Agora, os espanhóis esperam o vencedor de Inglaterra x Argentina, que acontece na quarta-feira (15/7).

A primeira vez que a Espanha chegou na final da Copa do Mundo foi em 2010, na África do Sul, ano em que levantou a taça do Mundial após derrotar a Holanda na decisão.

A seleção espanhola passou na 1ª colocação no Grupo H, na frente de Chile, Suíça e Honduras. Nas oitavas de final, os espanhóis derrotaram Portugal por 1 x 0. Depois foi a vez de derrotar o Paraguai e a Alemanha pelo placar mínimo, nas quartas e semifinal, respectivamente.

Na grande decisão da Copa do Mundo, a Espanha venceu a Holanda por 1 x 0, gol marcado por Iniesta, na prorrogação. Este foi o primeiro e único título da competição conquistado pela seleção espanhola.

Ele era auditor, mas perdeu a vida por causa das bets: ‘Dívida de R$ 1,5 milhão’

Por Aline Reskalla, do Estadão – Alerta: A reportagem abaixo trata de temas como suicídio e vício. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

A vida da advogada e auditora do Tribunal de Contas da Bahia, Juliana Prates, 43 anos, se divide entre antes e depois de 21 de dezembro de 2025. Naquele dia, Juliana encontrou seu irmão, Otacílio Prates, sem vida. Ele tinha 46 anos e deixou mulher e filha.

O choque foi duplo: além da cena dolorosa, Juliana se surpreendeu ao descobrir, no celular dele, várias plataformas de apostas online abertas (bets), com depósitos em Pix que somavam R$ 109 mil. Mais tarde, descobriria que as dívidas chegavam a R$ 1,5 milhão.

Ninguém da família desconfiava, segundo a advogada, que o irmão era viciado em bets, embora alguns sinais indicassem que algo não estava bem. “Ele vinha num processo de mudança de comportamento havia 10 meses. Meu irmão sempre foi alegre e presente, um superprofissional. Mas começou a ficar irritado, passando todo o tempo ao celular, e a pedir dinheiro para as pessoas, inclusive para mim”.

Otacílio, que também era auditor no tribunal, dizia ter feito aplicações financeiras malsucedidas. “Ele chegou a ter surto psicótico, foi internado. Começou um tratamento, porém, não para sua real condição, que era a ludopatia, mas para surto”, conta a advogada. Melhorou, voltou a trabalhar. Mas a rotina de pedir dinheiro emprestado se intensificou – de R$ 50 a valores maiores, chegando a pedir R$ 8 mil a um colega de trabalho.

As pessoas começaram a me ligar, assustadas, porque nossa família sempre teve boa condição financeira. Pensou-se que ele estava envolvido com drogas pesadas. Tudo era muito estranho, mas ele nunca falou que apostava nas bets legalizadas”, conta ela.

No fim do ano passado, após Otacílio passar uma temporada com os pais em Almenara (MG) e retornar para Salvador, a mãe deles ligou para Juliana, estranhando o sumiço do filho. O celular não atendia.

“Fui procurá-lo primeiro na casa dos meus pais, onde ele ficava, pois não estava bem com a esposa. E acho uma carta. Nessa carta ele fala que a vida tinha perdido o sentido, que tinha perdido o dinheiro todo recebido no final de ano. Dizia que nos amava, que tínhamos feito tudo por ele, mas que a vida tinha perdido o sentido.”

Juliana não o encontrou, mas o telefone dele estava lá, e aberto. “Foi quando vi diversas plataformas abertas de bets e vários Pix realizados. Só ali deu mais de R$ 109 mil. Fiquei sem entender nada e ainda precisava encontrá-lo”, relata.

“Rodei Salvador até que meu marido sugeriu que o procurasse no terraço do próprio prédio dos meus pais.” Do local onde eles cresceram e brincavam, ela ligou de volta. “Achei meu irmão”. Ele havia se matado.

O choque foi tão grande que Juliana, logo após o enterro, sentiu necessidade de relatar a tragédia nas redes sociais para alertar outras famílias. “Não era possível isso ter acontecido sem que a gente percebesse nada. Sou auditora, trabalhava junto com meu irmão. Sempre fui estudiosa, estou terminando mestrado em Políticas Públicas e não sabia nada dessas apostas. Não identifiquei que ele estava em uma plataforma jogando.”

O Brasil tem enfrentado uma epidemia de viciados em apostas online. Após um período de popularização das bets, o governo tem criado restrições, como o veto para participantes do Bolsa Família e a criação de uma plataforma pública em que o cidadão pode pedir sua autoexclusão de qualquer site de apostas. Os dados mostram que o brasileiro já gasta mais com bets do que com arroz e feijão.

Juliana se surpreendeu com a quantidade de mensagens de pessoas viciadas em apostas online pedindo ajuda. “Isso é um problema de saúde pública. Não é possível que nos deparamos com um problema desses e ninguém está falando nada.”

Juliana iniciou então uma jornada em busca de informações e se tornou uma das principais ativistas do tema no País. Ela até propôs um projeto de lei para vetar a propaganda de bets durante as festividades de São João na Bahia. E conseguiu.

No dia 28 de maio, 6.ª Vara da Fazenda Pública de Salvador atendeu parcialmente a uma ação popular proposta por Juliana, que questionava as propagandas das marcas de apostas online durante as festas. Na ação, Juliana argumentou que, como o São João é uma festa aberta, inclusive para crianças, adolescentes e pessoas que recebem auxílio do governo, autorizar propaganda de bets sem regras é arriscado, pois apostas online podem viciar e prejudicar a saúde das pessoas, além de causar dívidas sem controle.

A Justiça determinou uma série de restrições à publicidade de apostas esportivas em festas juninas, como exibição só após as 22h, proibição em eventos infantis e familiares, assim como ações de abordagem direta ao público, distribuição de brindes e uso de QR Codes para apostas.

Ela costuma dizer que saiu do “luto para a luta”. E se emocionou ao dizer que o ativismo ajuda a manter Otacílio próximo, de alguma forma. “Cada pessoa que ajudo é mais luz para ele e uma forma de deixá-lo comigo. Muitas vezes paro para ver as fotos, os vídeos, e isso traz uma permanência.”

Recentemente, a família criou o Instituto OTA (Orientação, Transformação e Amparo) para promover ações de transformação social. “A gente ainda está organizando como fazer isso, porque o ludopata (viciado em jogos) é uma pessoa sem dinheiro. Meu irmão, por exemplo, deixava de pagar suas despesas, inclusive plano de saúde. Você deixa de cumprir com suas obrigações em razão dessa doença.”

Na avaliação de Juliana, o Brasil não se preparou para o impacto das bets. “O País não imaginava que essa atividade fosse tão danosa, que causaria esse estrago gigantesco. E os casos são cada vez mais chocantes.”

A auditora Juliana Prates é uma das principais ativistas do País sobre o vício em apostas

Onde buscar ajuda?

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Plataforma Pare de apostar

O governo federal criou uma plataforma de autoexclusão para usuários de casas de aposta online, além de não terem acesso à publicidade dessas plataformas.

O cadastro para realizar esse procedimento é feito pelo site. O usuário escolhe na ferramenta sobre o prazo que quer optar pela autoexclusão, que pode ser por tempo indeterminado ou de um, três, seis, nove ou 12 meses.

Jogadores Anônimos

É um caminho de apoio terapêutico coletivo que oferece reuniões e aconselhamento nas maiores capitais do Brasil, com reuniões presenciais e online.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site Mapa da Saúde Mental mostra unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

Governo Trump responde carta de Flávio Bolsonaro e diz que manterá tarifas anunciadas contra o Brasil

 

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta oficial ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em resposta a uma correspondência anterior do parlamentar e à recente visita do senador a Washington.

No documento, datado de 23 de junho de 2026, Rubio utiliza o contato para reafirmar a postura dos EUA em relação à proposta de aplicação de novas tarifas contra o Brasil e à classificação de facções criminosas como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.

Em um trecho da carta, Rubio afirma que o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, “deixou claro” que os dois países continuam tendo “diferenças substanciais” sobre a conclusão da investigação comercial contra o Brasil.

A investigação a que Rubio se refere acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.

A apuração foi aberta em julho do ano passado, a pedido do presidente norte-americano Donald Trump, pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

Na própria carta, Rubio esclarece: “Ele [Jamieson Greer] propôs uma ação responsiva para comentário público. Esta determinação e a proposta de ação responsiva [sobretaxas] decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 sob a direção específica do Presidente Trump”, diz um trecho da carta, traduzido para o português.

Logo no início da mensagem, Rubio agradece o envio da carta por Flávio e menciona pontos de convergência entre os dois.

“Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho de sua convicção de que a amizade duradoura entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental”, diz outro trecho.

Traidor da pátria, Flávio Bolsonaro considera normal o tarifaço imposto por Trump ao Brasil.

Pré-candidato do PL tarifa de 25% sobre produtos brasileiros ele acha normal Brasil que se fod@

Donald Trump, Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro (Foto: Donald Trump/Redes sociais)

 O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, afirmou nesta terça-feira (2) que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros recém-anunciada pelos Estados Unidos não teria como alvo as empresas nacionais, mas o presidente Lula. Segundo ele, a medida estaria relacionada à postura do governo brasileiro diante dos EUA. De acordo com a CNN Brasil, Flávio Bolsonaro disse que o tarifaço seria consequência do que classificou como “sentimento anti-americano” de Lula.

O senador afirmou que a política externa do presidente estaria colocando interesses ideológicos acima dos interesses econômicos do país. “Então, não são as empresas brasileiras que estão sendo tarifadas. Quem está sendo tarifado é o presidente Lula: é ele e o seu comportamento, são as suas ameaças aos Estados Unidos e o seu sentimento anti-americano. É a sua ideologia sendo colocada na frente do interesse do povo brasileiro que pode fazer com que as empresas brasileiras sejam mais uma vez tarifadas”, declarou Flávio Bolsonaro.

O senador também afirmou que as novas tarifas seriam resultado de medidas iniciadas em 2025 e negou relação direta com sua reunião com Donald Trump realizada na semana anterior. Segundo Flávio, sua ida aos Estados Unidos teve outro objetivo.

“Não foi na semana passada quando eu estive lá pra defender o Brasil, pra ajudar o Brasil a ter mais segurança pública. Essa tarifa, que pode ser anunciada em breve, é a tarifa do Lula, gente”, disse.

O tarifaço foi medida foi recomendado pelo USTR, o Representante Comercial dos Estados Unidos, que apresentou diferentes justificativas para a ação. Entre os pontos citados pelo órgão estão “ordens judiciais secretas” contra Big Techs, o banimento da plataforma X em 2024 e o papel do BCB (Banco Central do Brasil) como regulador e operador do PIX, situação classificada pelo órgão estadunidense como conflito de interesse.

Nos últimos meses, o Palácio do Planalto tentou barrar a investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre o Brasil. Essa apuração resultou nas tarifas recém-anunciadas, que ampliaram a tensão entre os dois governos.

Nesta terça-feira, Lula afirmou que está “esperando um telefonema de Trump” para tratar do tema. O presidente disse que havia combinado com o presidente dos Estados Unidos um prazo de 30 dias para que ministros dos dois países negociassem uma resposta à proposta brasileira.

O presidente cobrou uma conversa direta com Trump para esclarecer o que ocorreu durante a ausência dos dois nas tratativas.

“Você me deve uma reunião e eu devo uma pra você. Porque demos 30 dias para nossos ministros negociarem. Então, eu to esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”, afirmou Lula.

‘Trump sabe que sou melhor que Bolsonaro’, diz Lula ao Washington Post

Presidente afirmou ao Washington Post que divergências políticas com Donald Trump não impedem diálogo institucional e defesa da democracia brasileira

Presidente Lula durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua relação pessoal com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, pode contribuir para ampliar investimentos norte-americanos no Brasil, evitar novas tarifas comerciais e fortalecer o respeito à democracia brasileira. A declaração foi dada em entrevista ao jornal The Washington Post, repercutida pela agência Reuters neste domingo (7).

Na conversa com o veículo norte-americano, Lula destacou que mantém diferenças políticas em relação ao presidente dos Estados Unidos, mas afirmou que isso não interfere na relação diplomática entre os dois países. O petista ressaltou que busca uma convivência institucional baseada no respeito mútuo e no reconhecimento da soberania brasileira. “Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, declarou Lula.

O chefe do Executivo brasileiro ainda comentou sobre o último encontro entre eles na Casa Branca, além de temas da política internacional. “Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Esse é um problema dele. Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”

O presidente brasileiro também afirmou que suas divergências ideológicas com Trump não impedem o diálogo entre os dois chefes de Estado. Segundo ele, a relação bilateral deve ser conduzida com base na legitimidade democrática e na defesa dos interesses nacionais.

Lula defende relação institucional com os EUA

Durante a entrevista, Lula reforçou que pretende manter um canal de interlocução com Washington, mesmo diante de posições divergentes em temas internacionais sensíveis. O presidente brasileiro afirmou que sua prioridade é assegurar que o Brasil seja tratado com respeito no cenário internacional.

“Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que eu sou o presidente democraticamente eleito aqui.”

As declarações ocorrem em meio a um momento de aproximação diplomática entre Brasília e Washington. Em maio, Lula esteve na Casa Branca para uma reunião com Trump, em encontro que abordou temas como comércio bilateral, tarifas, investimentos estratégicos e cooperação no combate ao crime organizado.

Segundo informações divulgadas anteriormente pela Reuters, o encontro entre os dois presidentes durou cerca de três horas e foi considerado positivo por integrantes do governo brasileiro. Após a reunião, Lula afirmou que as conversas ajudaram a estabilizar a relação entre os dois países.

Relação bilateral e cenário internacional

A agenda entre Brasil e Estados Unidos ganhou relevância após o governo Trump impor tarifas elevadas sobre produtos brasileiros em meio a disputas comerciais e tensões políticas envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo brasileiro, por sua vez, tenta evitar novos entraves econômicos e ampliar o diálogo institucional com Washington.

Na entrevista, Lula indicou que sua estratégia diplomática passa pela manutenção de uma relação pragmática com os Estados Unidos, sem abrir mão das posições históricas do Brasil em temas internacionais. O presidente citou divergências sobre Oriente Médio e América Latina para demonstrar que o diálogo entre os dois países pode coexistir com diferenças políticas.

Trump amplia importação de carne bovina e medida pode beneficiar o Brasil, um dos maiores exportadores do mundo

Governo dos Estados Unidos tenta conter alta dos preços da carne enquanto rebanho norte-americano atinge o menor nível em 75 anos

Presidente Lula durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar decretos para ampliar as importações de carne bovina, em uma decisão que pode beneficiar diretamente o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo. A medida busca conter a alta persistente dos preços da carne no mercado norte-americano e ocorre em meio à forte redução do rebanho bovino dos EUA.

A informação foi divulgada pela Reuters. Segundo uma autoridade da Casa Branca, os decretos também devem incluir ações de apoio à recomposição do rebanho bovino norte-americano, que caiu ao menor nível em 75 anos.

Embora a autoridade não tenha detalhado o conteúdo das medidas, o Wall Street Journal informou anteriormente que Trump suspenderia temporariamente as cotas tarifárias sobre a carne bovina, permitindo a entrada de um volume maior do produto nos Estados Unidos com tarifas mais baixas.

O jornal também informou que Trump deverá orientar a Administração de Pequenas Empresas a ampliar a oferta de crédito a pecuaristas. Outra iniciativa prevista seria a redução das proteções a lobos-cinzentos e lobos-mexicanos estabelecidas pela Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, sob o argumento de que esses animais atacam rebanhos.

Brasil ganha espaço no mercado norte-americano

A expectativa de aumento das importações de carne bovina brasileira já provocou reações no mercado futuro de gado nos Estados Unidos após o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.

Na segunda-feira, os contratos futuros de gado vivo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago chegaram a cair nas negociações iniciais, refletindo o temor de maior concorrência externa, mas recuperaram parte das perdas e encerraram o dia em leve alta.

O Brasil aparece como um dos principais potenciais beneficiados pelas medidas devido à sua posição de destaque global na produção e exportação de carne bovina. Em novembro do ano passado, Trump retirou a tarifa punitiva de 40% sobre a carne bovina e o café brasileiros, ampliando o acesso do país ao mercado norte-americano.

Antes disso, em outubro, o governo norte-americano já havia determinado a ampliação das importações de carne da Argentina.

Apesar das iniciativas, os preços seguem pressionados. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA, a carne bovina ficou 12,1% mais cara em abril na comparação anual. Desde o retorno de Trump à Presidência, em janeiro de 2025, os preços acumulam alta superior a 16%.

Crise no rebanho pressiona preços nos EUA

O rebanho bovino norte-americano caiu ao menor patamar em 75 anos após anos de seca persistente, que devastaram pastagens e elevaram os custos de alimentação do gado. Os altos preços também estimularam os pecuaristas a venderem animais para abate em vez de mantê-los para reprodução.

Diante desse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta que o país importará um recorde de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina em 2026, um aumento de cerca de 6% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2024.

Grande parte dessas importações corresponde a cortes magros utilizados na produção de carne moída, amplamente consumida no país.

O economista agrícola David Anderson, da Universidade Texas A&M, afirmou à Reuters que o aumento das importações pode ajudar redes de hamburguerias e restaurantes a reduzir custos, mas demonstrou ceticismo sobre uma queda significativa nos preços ao consumidor.

“Já estávamos importando uma quantidade recorde. Quanto mais isso vai adicionar ao que já importávamos?”, disse Anderson. “Tenho dificuldade em imaginar que isso terá um grande impacto nos preços. Seria difícil que isso representasse um grande aumento na oferta.”

“Trump não terá qualquer influência nas eleições brasileiras”, diz Lula

Presidente afirma que disputa no Brasil será decidida pelo povo e rejeita interferência estrangeira após encontro com líder dos EUA

Lula, Donald Trump e as delegações em Washington (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), em Washington, que Donald Trump não terá “qualquer influência nas eleições brasileiras” e defendeu que a escolha do futuro político do país cabe exclusivamente ao povo brasileiro. A declaração foi dada após reunião com o presidente dos Estados Unidos na Casa Branca, em um encontro que também tratou de comércio, tarifas, crime organizado e minerais críticos.

Ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de interferência de Trump na política nacional, Lula afirmou que não considera legítimo que presidentes estrangeiros tentem influenciar processos eleitorais de outros países. O presidente brasileiro relacionou o tema à defesa da soberania nacional e disse que qualquer disputa interna deve ser resolvida apenas pelos eleitores brasileiros.

“Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu. Porque eu ganhei as eleições”, disse Lula.

O presidente afirmou ainda que a soberania eleitoral do Brasil não será colocada em discussão em reuniões internacionais. Segundo Lula, a relação entre chefes de Estado deve partir do respeito mútuo aos mandatos conferidos pelas populações de cada país.

“Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras. Até porque quem vota é o povo brasileiro”, declarou.

Lula também foi questionado se havia tratado com Trump da eleição brasileira prevista para o fim do ano e sobre eventual apoio do presidente estadunidense a setores da oposição. O presidente descartou a hipótese de discutir o tema com qualquer liderança estrangeira.

“Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer país do mundo. Esse é um assunto brasileiro”, afirmou.

Soberania como limite da relação bilateral

Apesar da ênfase na boa relação construída com Trump, Lula deixou claro que democracia e soberania são pontos fora de negociação. O presidente disse que o Brasil está aberto a conversar com os Estados Unidos sobre qualquer tema de interesse bilateral, mas ressaltou que decisões políticas internas pertencem exclusivamente ao país.

“A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, declarou.

Para Lula, a eventual tentativa de um presidente estrangeiro de interferir em eleições de outro país contraria princípios básicos de convivência democrática entre nações. Ele afirmou que o respeito à autodeterminação dos povos deve orientar a relação entre Brasil e Estados Unidos.

“Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país”, disse.

O presidente acrescentou que essa posição vale também para o Brasil em relação aos Estados Unidos. Lula afirmou reconhecer Trump como presidente eleito pelo povo norte-americano e disse que não cabe ao governo brasileiro questionar a decisão dos eleitores dos EUA.

“O meu respeito ao presidente Trump é porque ele foi eleito pelo povo americano. E só pelo fato de ele ter sido eleito pelo povo americano, não cabe a mim questionar”, afirmou.

Relação com Trump

Mesmo ao rejeitar qualquer influência externa sobre a política brasileira, Lula avaliou positivamente a relação com Trump. Segundo ele, o diálogo entre os dois evoluiu desde o primeiro contato, durante a Assembleia Geral da ONU, passando por telefonemas e por um encontro anterior na Malásia.

“A nossa relação é muito boa, mas muito boa. Eu diria uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez”, afirmou.

Lula disse acreditar que Trump gosta do Brasil e demonstrou interesse em fortalecer acordos com os Estados Unidos. O presidente brasileiro defendeu que a relação bilateral avance em áreas como comércio, investimentos, infraestrutura e transição energética, desde que respeitados os interesses nacionais.

“Eu tenho razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil. E por isso eu quero que ele saiba que nós brasileiros temos interesse em fazer os melhores acordos com os Estados Unidos”, disse.

Comércio e tarifas também entraram na pauta

A reunião também abordou divergências comerciais entre os dois países. Lula afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho para discutir tarifas e apresentar uma proposta em até 30 dias. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos precisam tratar o tema de forma objetiva, com metas e prazos definidos.

“Quem tiver errado vai ceder. Se alguém tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”, afirmou.

Questionado sobre o risco de novas tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros, Lula disse estar otimista. O presidente afirmou que há divergências entre os dados apresentados pelos dois governos, mas defendeu que o diálogo técnico pode destravar o impasse.

“Olhe para a minha fisionomia. Você acha que eu estou otimista ou pessimista? Eu estou muito otimista”, disse.

Democracia e diálogo

Lula afirmou que a boa relação entre Brasil e Estados Unidos pode servir como exemplo internacional por envolver as duas maiores democracias do hemisfério. O presidente disse que a aproximação com Trump não elimina diferenças, mas permite que temas sensíveis sejam discutidos diretamente.

Segundo Lula, o Brasil está preparado para tratar de qualquer assunto com qualquer país, desde que a conversa preserve os princípios democráticos e a soberania nacional.

“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo qualquer assunto. Nós não temos veto, não tem assunto proibido”, afirmou.

Veja o momento exato em que atirador que atacou Donald Trump é detido por agentes

Um vídeo registrou o momento exato da captura do suposto autor dos disparos durante um evento com o presidente Donald Trump, em Washington, na noite de sábado (25). As imagens, divulgadas pelo próprio Trump na TruthSocial, mostram o homem tentando passar correndo pela barreira de segurança dos agentes do Serviço Secreto e do FBI. 

 

Assista:

 

De acordo com informações confirmadas pela Fox News e CNN, o suspeito foi identificado como Cole Thomas Allen. Nas redes sociais, ele se apresenta como graduado em Engenharia Mecânica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e mestre em Ciência da Computação pela Universidade Estadual da Califórnia e se define como “desenvolvedor independente de jogos por experiência e professor por vocação”.

Reprodução/TruthSocial

A investigação aponta que ele estava hospedado no Hotel Washington Hilton, local onde o evento de gala ocorria. Essa condição pode ter facilitado o acesso do suspeito, que conseguiu ultrapassar o forte esquema de segurança portando “diversos armamentos”, segundo o próprio presidente Donald Trump, em entrevista coletiva logo após o atentado.

Cole está sob custódia do FBI. A promotora federal Jeanine Pirro já formalizou acusações por dois crimes graves: uso de arma de fogo durante crime violento e agressão contra agente federal com arma perigosa. Um agente do Serviço Secreto foi atingido, mas salvo pelo colete à prova de balas.

Três empresas dominam quase metade do transporte marítimo global

Um panorama recente do setor de contêineres revela um cenário de forte concentração no comércio marítimo mundial. Poucas empresas exercem enorme influência sobre o fluxo de mercadorias, determinando o ritmo das cadeias logísticas internacionais.

O poder das três maiores

Juntas, três companhias respondem por cerca de 47,6% da capacidade global de transporte de contêineres. Esse nível de concentração confere a elas um papel decisivo na dinâmica do comércio internacional.

  • MSC (Mediterranean Shipping Company)
    Ocupa a liderança com aproximadamente 21,4% do mercado e uma frota que se aproxima de mil embarcações.
  • Maersk
    A tradicional empresa da Dinamarca mantém a segunda posição, com cerca de 13,8% de participação.
  • CMA CGM
    Com 12,4%, a companhia francesa completa o grupo das três maiores, reforçando a presença europeia no setor.

Participação das demais empresas

Outras operadoras relevantes, como COSCO, Hapag-Lloyd e ONE, continuam atuando de forma significativa, mas com participação bem menor em comparação às líderes do mercado.

O cenário deixa evidente que o transporte marítimo global está concentrado nas mãos de poucos agentes. Isso significa que decisões tomadas por essas grandes companhias impactam diretamente rotas, custos e a eficiência do comércio internacional como um todo.

Lula defende novo modelo global e destaca potencial do Brasil na indústria e energia limpa na Alemanha

Presidente apresenta oportunidades de investimento no Brasil durante Hannover Messe 2026

 

Presidente Lula durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha (Foto: Ricardo Stuckert / PR) blogmarcosmontinely
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a criação de um novo padrão de desenvolvimento global exige um sistema internacional mais equilibrado. A declaração foi feita durante a abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, onde ele também destacou oportunidades de investimento no Brasil, especialmente nas áreas de energia limpa, minerais estratégicos e inovação industrial.

As falas ocorreram neste domingo (19), durante a Hannover Messe 2026, considerada a maior feira mundial de tecnologia industrial. O evento reuniu autoridades governamentais e lideranças empresariais para debater desafios econômicos e fortalecer a cooperação entre Brasil e Alemanha.

Defesa de um novo modelo global

Lula criticou a distribuição desigual dos benefícios da globalização e relacionou esse cenário ao avanço do extremismo. Segundo ele, a integração dos mercados não tem gerado ganhos para todos, o que evidencia limitações do modelo atual. Para o presidente, um novo paradigma de desenvolvimento deve ser baseado em um multilateralismo mais justo e equilibrado.

Ele também destacou ações do governo voltadas ao fortalecimento da indústria e à inclusão social. Desde 2023, segundo Lula, o país vem recuperando a capacidade do Estado de estimular o crescimento econômico e promover inclusão. Nesse contexto, mencionou um programa de neoindustrialização com foco na economia verde e na indústria 4.0, além de ressaltar o papel do Brasil como parceiro confiável em um cenário global instável.

Impactos das tensões internacionais

Ao comentar o cenário global, o presidente apontou os efeitos econômicos dos conflitos armados, destacando o aumento dos preços de energia e transporte devido à volatilidade do petróleo, além da escassez de fertilizantes, que impacta a produção agrícola e amplia a insegurança alimentar. Ele enfatizou que as populações mais vulneráveis são as mais afetadas por esses problemas.

Lula também mencionou contradições do momento atual, citando avanços tecnológicos, como a exploração espacial e a inteligência artificial, ao mesmo tempo em que persistem conflitos violentos que atingem civis. Segundo ele, tecnologias modernas também têm sido utilizadas em contextos militares sem regulamentação adequada.

Reformas e cooperação internacional

O presidente voltou a defender mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que alguns membros permanentes do Conselho de Segurança atuam fora dos princípios da Carta da entidade. Ele também criticou o protecionismo e reforçou a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento econômico.

Como exemplo de integração, citou o acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve entrar em vigor em breve, criando um mercado com cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de 22 trilhões de dólares.

Energia limpa e indústria

Lula destacou o papel do Brasil na transição energética, lembrando que o país foi pioneiro no uso de biocombustíveis desde a década de 1970. Também afirmou que houve redução significativa do desmatamento nos últimos anos e ressaltou que a matriz elétrica brasileira é majoritariamente limpa, além do potencial para produção de hidrogênio verde a baixo custo.

Minerais estratégicos e investimentos

O presidente enfatizou a importância dos minerais críticos para a descarbonização e a transformação digital, defendendo que esses recursos sejam utilizados para promover desenvolvimento econômico e social. Segundo ele, o Brasil não pretende se limitar ao papel de exportador de matérias-primas.

Economia e inovação

Lula destacou o desempenho econômico recente do país, afirmando que o Brasil tem se consolidado como destino relevante para investimentos estrangeiros. Também mencionou propostas em debate, como a redução da jornada de trabalho para ampliar o descanso dos trabalhadores.

Por fim, ressaltou iniciativas tecnológicas nacionais, como o Pix, que classificou como uma das maiores plataformas de pagamento instantâneo do mundo, destacando seu caráter público, gratuito e inovador.

 

 

Trump elogia lutador brasileiro: “Bonito demais. Poderia ser modelo”; Veja

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve presente no UFC 327, na noite deste sábado (11), em Miami, e acompanhou a vitória do brasileiro Paulo Borrachinha sob o russo Azamat Murzakanov. O brasileiro dedicou uma “dança da vitória” ao líder americano.

Após a luta, Borrachinha pulou a grade do octógono para cumprimentar Trump, que assistia ao combate da primeira fila. O presidente dos EUA parabenizou o brasileiro e fez elogios à beleza do atleta: “Você é bonito demais para ser um lutador. Poderia ser modelo”, disse o presidente.

Um registro do encontro foi publicado no perfil pessoal de Dan Scavino, assistente do presidente e diretor do Gabinete de Pessoal Presidencial da Casa Branca, na rede social X (antigo Twitter).

Em entrevista após o combate, Borrachinha comentou sobre o teor da conversa com o presidente dos EUA. “Sou brasileiro e temos alguns amigos em comum. As coisas não estão boas no Brasil agora, então tivemos uma pequena conversa”, afirmou o lutador.

Pepe Escobar diz que cessar-fogo é improvável e vê Irã fortalecido no tabuleiro geopolítico

Jornalista aponta desespero dos Estados Unidos e sustenta que a guerra já alterou o equilíbrio de poder no Oeste da Ásia

Pepe Escobar diz que cessar-fogo é improvável e vê Irã fortalecido no tabuleiro geopolítico
Pepe Escobar diz que cessar-fogo é improvável e vê Irã fortalecido no tabuleiro geopolítico (Foto: Brasil247)

Em entrevista à TV 247, transmitida no YouTube neste sábado, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que as negociações em Islamabad entre representantes dos Estados Unidos e do Irã acontecem em meio a uma tensão extrema e sob condições impostas por Teerã. Na conversa com Leonardo Attuch, Escobar sustentou que o atual processo diplomático foi organizado a partir de exigências iranianas e descreveu o momento como uma inflexão histórica no tabuleiro geopolítico do Oeste da Ásia.

Logo no início da entrevista, Escobar resumiu o clima da negociação em curso com uma imagem contundente. “A gente está no meio do vulcão”, disse. Segundo ele, as conversas começaram em salas separadas, com delegações americana e iraniana discutindo temas técnicos, sobretudo o programa nuclear iraniano e a questão dos mísseis. Para o analista, o simples fato de as partes terem chegado a esse ponto já revela uma mudança relevante na correlação de forças.

Na avaliação de Escobar, a pressão das últimas 24 horas antes do encontro foi intensa e incluiu episódios de ameaça militar direta na região do estreito de Ormuz. Ele relatou que os iranianos teriam advertido sobre a presença de um destróier norte-americano e afirmou que o navio recuou. Ao comentar o episódio, Escobar usou uma de suas expressões mais duras para se referir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “orangotango da barbárie”. Para ele, Washington tenta interferir o tempo todo por meio da construção de narrativas e de operações de comunicação, mas esbarra numa realidade estratégica muito mais desfavorável do que admite publicamente.

Escobar diz que os EUA pediram o cessar-fogo

Um dos principais argumentos de Pepe Escobar ao longo da entrevista foi o de que os Estados Unidos não conduzem o processo, mas reagem a uma situação criada no campo de batalha. Segundo ele, “quem pediu o cessar fogo e quem pediu o que a gente tá vendo agora em Islamabad, foram os americanos”. Ainda de acordo com o jornalista, os pedidos teriam sido feitos inicialmente por canais como Catar e Turquia, sem sucesso, até chegarem ao Paquistão.

Na reconstrução apresentada por Escobar, Islamabad assumiu um papel central justamente ao se tornar o intermediário entre Washington e Teerã. Ele descreveu um vaivém de mensagens traduzidas do inglês para o farsi e vice-versa, conduzido pelos paquistaneses, até que se formasse a base mínima para o encontro atual. Em sua leitura, o Paquistão aproveitou a crise para elevar seu peso político internacional e se apresentar como ator indispensável numa negociação de escala global.

O analista também atribuiu papel decisivo à China. Segundo ele, Pequim atuou discretamente nos bastidores, conversando com o Irã e oferecendo respaldo diplomático — e, segundo sua versão, até militar, caso o processo fracassasse. Escobar afirmou que os russos teriam dado sinais semelhantes, numa demonstração de alinhamento estratégico entre Moscou e Pequim em torno da crise.

 

O papel do Paquistão na mediação

Um dos trechos mais longos da entrevista foi dedicado ao Paquistão. Escobar sustentou que Islamabad se tornou peça-chave na tentativa de contenção da guerra porque reúne atributos que a tornam especialmente respeitada por Teerã e, ao mesmo tempo, incontornável para Washington.

Ele enfatizou dois fatores: o fato de o Paquistão ser potência nuclear e o de não reconhecer Israel como nação. Na visão de Escobar, isso reduz drasticamente a possibilidade de ações militares israelenses em território paquistanês e transforma o país num ambiente de negociação incomparavelmente mais seguro para a cúpula iraniana.

Ao falar do país, o jornalista também adotou tom pessoal e afetivo. Disse que o norte paquistanês está entre seus lugares preferidos do planeta, elogiou a Karakoram Highway, a região de Karimabad e o vale de Hunza, e descreveu o Baluchistão e as áreas tribais com admiração. Segundo ele, o Paquistão reúne uma riqueza cultural e humana extraordinária, além de um senso de acolhimento muito forte com estrangeiros interessados em sua cultura.

Israel, Líbano e o impasse da guerra

Ao tratar de Israel, Escobar fez uma das análises mais contundentes da entrevista. Para ele, não existe hoje mecanismo político capaz de conter o que chamou de lógica psicopatológica do Estado israelense. “O único jeito de refreá-los é uma derrota militar esmagadora”, afirmou.

Na sua avaliação, se o Irã mantiver os bombardeios por mais algumas semanas, teria condições de comprometer o funcionamento do Estado israelense ao atingir aeroportos, portos, centrais elétricas e centros de inteligência. Escobar mencionou ainda o ataque iraniano nas proximidades de Dimona como uma mensagem de que Teerã teria capacidade de atingir alvos ainda mais sensíveis.

Sobre o Líbano, ele destacou que a repercussão internacional dos ataques foi profundamente negativa, inclusive em partes da Europa e do Sul Global. Segundo o jornalista, a ofensiva ampliou o desgaste de Israel perante a opinião pública internacional e contribuiu para aumentar a crítica interna nos Estados Unidos ao alinhamento automático de Washington com Tel Aviv.

Trump, JD Vance e o movimento Maga

A entrevista também avançou para a política norte-americana. Leonardo Attuch questionou Escobar sobre o papel de JD Vance nas negociações e sobre a crise interna do movimento Maga. Escobar respondeu com cautela sobre o vice-presidente, mas observou que ele pode emergir com novo peso político se conseguir capitalizar o processo diplomático.

Ainda assim, o jornalista insistiu que Vance não decide sozinho. “Ele é vice-presidente. As diretrizes vêm do orangutango”, disse, reiterando sua visão de que Donald Trump continua a ser o centro das decisões, embora esteja, segundo ele, encurralado economicamente e politicamente pela guerra.

Escobar foi além ao associar JD Vance ao universo da Palantir e à influência de Peter Thiel. Na parte mais sombria de sua análise, afirmou que a empresa estaria profundamente integrada ao aparato de segurança dos Estados Unidos e aos sistemas de inteligência utilizados por Israel. “Ele é o herdeiro escolhido pela Palantir”, declarou, ao descrever Vance como figura ainda mais perigosa no longo prazo por sua conexão com o tecnofeudalismo e com a militarização da inteligência artificial.

China, BRICS e a disputa pelo século

Nos minutos finais da entrevista, Escobar voltou à China para sustentar que Pequim operou a crise com enorme precisão estratégica. Ele lembrou que China e Rússia vetaram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que poderia abrir caminho para intervenção no estreito de Ormuz e afirmou que, quase simultaneamente, Pequim começou a convencer Teerã a aceitar uma tentativa de cessar-fogo em posição vantajosa.

Segundo o analista, os chineses também aproveitaram o momento para avançar em outro dossiê sensível: Taiwan. Ao mencionar um encontro entre Xi Jinping e a liderança do Kuomintang, ele disse que Pequim começou a construir um caminho para uma reincorporação pacífica da ilha. Em sua avaliação, trata-se de uma demonstração de como a China consegue agir em múltiplos tabuleiros ao mesmo tempo.

Escobar resumiu a lógica estratégica chinesa com uma expressão do xadrez e do jogo de Go: “Qualquer movimento que você faz você perde”. Para ele, os Estados Unidos foram conduzidos a uma posição em que suas alternativas se estreitaram drasticamente, enquanto China, Rússia e Irã fortalecem uma arquitetura mais ampla de poder no Sul Global.

Ao comentar o próximo encontro dos BRICS, previsto para este ano na Índia, o jornalista demonstrou ceticismo. Para ele, o bloco chega ao momento fragilizado por contradições internas, especialmente depois da entrada de países árabes com agendas conflitantes e do alinhamento do governo indiano com o lado que, em sua leitura, saiu derrotado nessa guerra.

“A guerra que define o século”

No encerramento, Escobar voltou a insistir que nada está garantido. Para ele, o cenário mais positivo seria a continuidade das conversas após consultas internas em Washington e em Teerã. O cenário negativo, por sua vez, seria a retomada plena da guerra caso as exigências iranianas sejam rejeitadas.

Ainda assim, o jornalista deixou claro que considera o Irã preparado para um conflito mais longo do que seus adversários. “Os iranianos se programaram por meses, não por semanas”, afirmou. Em sua visão, os Estados Unidos não teriam preparo real para uma escalada prolongada e poderiam recorrer apenas a operações de efeito midiático para tentar vender uma aparência de controle.

Sua frase final resumiu o sentido que atribui à crise atual. “Essa é a guerra que define o século”, disse, antes de defender um “brinde ao Irã e ao Paquistão”. A fala sintetiza a interpretação geopolítica apresentada ao longo de toda a entrevista: a de que o confronto em curso não se limita a um cessar-fogo eventual, mas pode marcar o início de uma nova fase na disputa entre império, soberania regional e reorganização do poder global.

Delegado financiou fraude em concurso público para esposa, que exerce cargo conquistado no Ministério do Trabalho, diz PF

O delegado Diogo Gonçalves Bem, da Polícia Civil de Pernambuco, pagou para que uma quadrilha fraudasse o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 e beneficiasse a esposa dele, Lariça Saraiva Amando Alencar, segundo a Polícia Federal (PF). A mulher passou em primeiro lugar para auditora-fiscal no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cargo que ocupa atualmente.

A informação consta numa representação feita pela PF à Justiça Federal na Paraíba, em que a corporação detalha um esquema milionário de fraudes em concursos públicos, como exibido no “Fantástico”, no domingo (22). Sobre a suposta participação do servidor pernambucano, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que abriu uma investigação (entenda mais abaixo).

Conforme a representação da PF à Justiça, documento ao qual o g1 teve acesso, o grupo atuava oferecendo aprovação em concursos mediante pagamento, que podia ocorrer antes ou depois das provas.

A suposta participação de Diogo Bem e Lariça Saraiva veio à tona a partir da delação premiada de Thyago José de Andrade, apontado como chefe da organização criminosa, e da companheira dele, Lais Giselly Nunes de Araújo.

Segundo a PF, Thyago não detalhou como ocorreu o repasse de respostas do concurso à esposa do delegado. Já no depoimento da companheira dele, Lais Giselly, consta que “uma esposa de um delegado também fraudou o concurso do CNU, sendo aprovada em primeiro lugar. Que o nome da candidata era Lariça”.

Além das citações dos dois depoentes, chamou a atenção da polícia a discrepância de notas obtidas por Lariça na primeira e na segunda fases do concurso. Na primeira, ela teve a melhor nota nas provas objetiva e discursiva, o que apontaria para um suposto repasse de informações.

Já na segunda fase, do curso de formação, obteve notas “relativamente baixas” nas duas provas realizadas. Isso, segundo a PF, “indica certo despreparo e pode corroborar com a informação de fraude trazida por Thyago”.

Ainda segundo a PF, o delegado pernambucano “pagou que sua esposa fosse beneficiada com a fraude do CNU, sendo que ela foi aprovada em primeiro lugar”, e, portanto “financiou a fraude da esposa”.

O g1 entrou em contato com o delegado Diogo Bem e com a auditora-fiscal do trabalho Lariça Alencar, mas ambos não responderam até a última atualização desta reportagem.

O Ministério do Trabalho e Emprego também foi procurado, mas não respondeu.

SDS investiga delegado

Procurada, a Polícia Civil de Pernambuco, instituição da qual o delegado Diogo Bem faz parte, não quis se manifestar sobre o caso, e disse que “não se pronuncia sobre investigações realizadas por outros órgãos”.

Já a Corregedoria da SDS informou que iniciou uma investigação preliminar “por meio da qual as informações estão sendo verificadas, assim como estão sendo coletados os subsídios necessários à análise e aferição de eventuais condutas irregulares do servidor”. (Íntegra clique aqui)