“Casos sucessivos aproximam bolsonaristas de suspeitos ligados a organizações criminosas

Antes de defender PCC e CV como terroristas, Flávio e Jair Bolsonaro tiveram relações políticas com acusados de vínculos com milícias e facções

Clã Bolsonaro acumulou episódios com suspeitos ligados ao crime organizado
Clã Bolsonaro acumulou episódios com suspeitos ligados ao crime organizado (Foto: Flickr/Bolsonaro)

A defesa feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a trajetória política do clã Bolsonaro e suas relações com personagens acusados de envolvimento com o crime organizado, especialmente no Rio de Janeiro.

As informações são da Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, o senador e outros integrantes da família Bolsonaro mantiveram, ao longo dos anos, relações políticas, homenagens públicas, vínculos de gabinete ou alianças com pessoas posteriormente acusadas de ligação com milícias, grupos armados ou organizações criminosas.

A decisão norte-americana de enquadrar o PCC e o CV como grupos terroristas foi comemorada por Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. O anúncio ocorreu após uma visita do senador a Donald Trump, nos Estados Unidos, e passou a ser tratado por aliados como um trunfo político na área de segurança pública.

Em nota, a assessoria de Flávio negou qualquer conivência da família com grupos criminosos e atacou o governo Lula. “A família Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não compactuam com facções ou grupos armados e criminosos. Diferentemente do governo Lula [PT], que recebeu a primeira-dama do tráfico no Ministério da Justiça e fez lobby nos Estados Unidos a favor de facções narcoterroristas”, afirmou a assessoria do pré-candidato do PL à Presidência.

A declaração faz referência à ida de Luciane Farias ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 2023. Ela é esposa de um homem apontado como líder do Comando Vermelho no Amazonas e ficou conhecida como “dama do tráfico”. A pasta reconheceu que Luciane foi recebida em reuniões, mas afirmou que desconhecia sua identidade. O presidente Lula não se reuniu com ela.

A assessoria de Flávio também afirmou que “não há um único boletim de ocorrência ou processo que corrobore a tese da reportagem”. A nota ainda acusou o governo Lula de manter “relações próximas com uma integrante do PCC recentemente presa e que pode estar à frente de um plano de atentado contra a vida de Flávio”, mas não apresentou detalhes sobre a acusação nem citou indícios.

Um dos episódios mais conhecidos envolve o ex-policial militar Adriano da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Em 2005, Adriano recebeu, na cadeia, a visita de Flávio e Jair Bolsonaro, que lhe entregaram a Medalha Tiradentes, honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A homenagem ocorreu a pedido de Flávio, então deputado estadual. Antes disso, em 2003, ele já havia feito outra homenagem a Adriano da Nóbrega. Jair Bolsonaro afirmou à imprensa, em 2020, que essa primeira homenagem teria ocorrido a pedido dele.

Adriano foi morto em 2020 durante uma operação da Polícia Militar da Bahia. Ele estava foragido havia mais de um ano e era acusado de homicídios no Rio de Janeiro e de envolvimento com máquinas caça-níqueis, atividade proibida no país.

A ligação política também passou pelo gabinete de Flávio na Alerj. Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, respectivamente mãe e esposa de Adriano da Nóbrega, foram empregadas no gabinete do então deputado estadual até 2018.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, as duas teriam participado de um esquema de “rachadinha”, prática em que parte dos salários de assessores é devolvida ao parlamentar. Flávio sempre negou as acusações.

De acordo com os investigadores, Danielle repassou ao menos R$ 150 mil a Fabrício Queiroz, policial militar aposentado que atuava como assessor de Flávio. Desse total, R$ 115 mil teriam sido transferidos por meio de contas controladas por Adriano da Nóbrega. Também teriam sido usadas contas de dois restaurantes ligados à família do ex-policial e de Raimunda, antes da nomeação dela no gabinete.

As apurações sobre o caso foram encerradas depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anularam, em 2021, as provas coletadas. Flávio sustenta que foi alvo de uma ofensiva política para atingir sua imagem.

“[Houve] toda essa espuma, todo esse ataque para tentar destruir minha reputação, e nunca teve início um processo criminal contra mim. Sabe quantas ligações financeiras tem com meus assessores? Zero. Sabe quantos assessores disseram que cobrei salário de volta para empregar no meu gabinete? Zero”, afirmou Flávio Bolsonaro ao podcast Inteligência Ltda em março deste ano.

Outro ponto citado pela reportagem é o histórico de declarações públicas de Jair e Flávio Bolsonaro sobre milícias. Esses grupos, formados sobretudo por ex-agentes de segurança, são classificados como organizações criminosas e atuam em áreas do Rio de Janeiro com controle territorial, cobrança de taxas e intimidação de moradores.

Em 2018, Jair Bolsonaro associou a presença de milícias a uma suposta redução da violência. “Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”, afirmou.

Flávio Bolsonaro também já fez declarações que minimizaram a atuação desses grupos. Em discurso na Alerj em 2007, chamou as milícias de “nova forma de policiamento, entre aspas”. Ele também disse que “não raro é constatada” a felicidade de moradores de comunidades controladas por milicianos.

A reportagem também menciona que Jair Bolsonaro, durante seu mandato como presidente, entre 2019 e 2022, não adotou movimento para classificar grupos como o PCC como organizações terroristas. O ex-presidente também foi preso por integrar uma organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado.

Outro episódio envolve a campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado em 2018. Naquele ano, a Operação Quarto Elemento prendeu policiais suspeitos de participar de uma quadrilha especializada em extorsões. Entre os detidos estavam os irmãos gêmeos Alan e Alex Rodrigues Oliveira, policiais militares que teriam atuado na segurança da campanha de Flávio.

Os dois são irmãos de Valdenice de Oliveira Meliga, que foi assessora da liderança do PSL, antigo partido de Bolsonaro, na Alerj e tesoureira da legenda no Rio de Janeiro. Na época, Flávio negou ao jornal O Estado de S. Paulo que os policiais integrassem sua campanha. Valdenice afirmou que os irmãos atuavam como voluntários.

Em outubro de 2017, Flávio publicou uma foto ao lado de Valdenice e dos gêmeos em uma rede social. Na legenda, escreveu: “Parabéns Alan e Alex pelo aniversário, essa família é nota mil!!!”.

A lista de relações políticas citadas pela Folha inclui ainda Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj. A partir de 2024, Bacellar se aproximou da família Bolsonaro com o objetivo de se viabilizar como possível candidato ao Governo do Rio de Janeiro na sucessão de Cláudio Castro (PL).

Em julho daquele ano, Bacellar se reuniu com Jair, Flávio e Carlos Bolsonaro para discutir as eleições municipais. Na ocasião, recebeu do clã uma medalha com os dizeres “imorrível, imbroxável e incomível”.

Depois de se tornar potencial candidato apoiado pela família Bolsonaro no Rio, Bacellar perdeu o mandato e foi preso sob suspeita de participar de uma organização criminosa e de vazar informações para beneficiar o Comando Vermelho.

A reportagem também cita a proximidade de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, acusado de crimes relacionados a fraudes no Banco Master, incluindo organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo áudio divulgado pelo site The Intercept Brasil, Flávio mantinha contato com Vorcaro. O site afirmou que o ex-banqueiro combinou o pagamento de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro.

Posteriormente, Flávio afirmou que Vorcaro pagou cerca de R$ 60 milhões ao longa-metragem e reconheceu ter cobrado parcelas restantes. O senador justificou que se tratava de recursos privados, não públicos. Ele também admitiu ter se encontrado pessoalmente com Vorcaro para, segundo afirmou, “colocar um ponto final” na relação.

Os episódios reunidos pela reportagem contrastam com o discurso atual de Flávio Bolsonaro em defesa de medidas mais duras contra facções criminosas. Ao mesmo tempo em que celebra a decisão dos Estados Unidos sobre PCC e CV, o senador e sua família voltam a ser cobrados sobre relações políticas passadas com personagens acusados de vínculos com milícias, grupos armados e organizações criminosas.

Nordeste: Repórter da Band é agredida com tapas e empurrões durante reportagem ao vivo; Veja

Durante uma reportagem realizada na manhã desta sexta-feira (29), uma repórter da TV Arapuan, afiliada da Band em João Pessoa, na Paraíba, foi vítima de agressão de um homem enquanto entrava ao vivo no telejornal.

 

Na cena chocante, Jéssica Aquino falava sobre as preparações para o São João, e como a venda de milho já estava garantindo movimentação no Mercado Central, onde estava gravando a reportagem.

A jornalista foi surpreendida com o ataque de um homem, que partiu para cima dela com empurrões e tapas durante a transmissão ao vivo do programa Tribuna Livre. Assustada, a comunicadora começou a chorar e precisou ser interrompida pelo apresentador Bruno Pereira.

Preocupado, o âncora perguntou sobre a colega. “Tá tudo bem com ela?”, questionou. “Ela tá chorando, não tem condições não”, disse um membro da equipe de reportagem.

 

Nas redes sociais, Jéssica se manifestou sobre a agressão. “Foi um susto! Mas gerou apenas alguns hematomas leves e estou bem e segura agora, recebendo todo o suporte necessário”, declarou.

Acompanhe o Blog O Povo com a Notícia também nas redes sociais, através do Facebook e Instagram  

Prefeitura de Afogados abre inscrições para novos cursos de qualificação

 

Da Assessoria – Estão abertas inscrições para novo cursos gratuitos de qualificação profissional, em parceria com o Sebrae e Senai. Estão sendo ofertados os cursos de energia fotovoltaica, tecnologia e fabricação de sorvetes e gelados, e o curso básico de costura industrial. As aulas acontecerão na carreta do SENAI, que já está estacionada no campo do nascente.

As inscrições podem ser feitas presencialmente na secretaria de administração e desenvolvimento econômico, na Rua Doutor Roberto Nogueira Lima, 165, de segunda à sexta, de 8h às 14h. Informações pelo telefone/zap: 9.9978-1331.

“Estamos ampliando nossas ofertas de cursos de qualificação, gerando oportunidades gratuitas de capacitação para a nossa população, no âmbito da parceria consolidada que temos com as instituições que compõem o sistema S,” destacou Ney Quidute, secretário de administração e desenvolvimento econômico de Afogados da Ingazeira.

ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro apresenta R$ 16,5 milhões em notas irregulares à Prefeitura de São Paulo

A ONG Instituto Conhecer Brasil, investigada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, apresentou ao menos R$16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares na prestação de contas de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi gratuito em áreas periféricas da capital.

Segundo levantamento divulgado pelo g1, as inconsistências foram identificadas em documentos entregues pela entidade administrada pela jornalista e empresária Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, responsável pela produção de um filme biográfico, “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a apuração, a ONG teria utilizado notas fiscais milionárias canceladas no sistema da própria prefeitura, além de recibos e documentos sem validade fiscal para justificar despesas milionárias.

Em um dos casos apontados, uma única prestação de contas, referente ao período entre junho de 2024 e dezembro de 2025, apresentou gastos de até R$ 4,3 milhões sem comprovação fiscal regular.

Pelas regras tributárias, uma nota fiscal cancelada deve ser substituída por um novo documento válido para garantir o recolhimento correto de impostos e permitir a fiscalização dos órgãos competentes. A ausência de emissão regular de nota fiscal pode configurar crime de sonegação fiscal.

Ao g1, Karina Ferreira afirmou que desconhecia o cancelamento de notas por parte de fornecedores contratados pelo instituto.

A empresária declarou ainda que as inconsistências envolvendo documentos fiscais da própria ONG foram identificadas por ela e que os problemas “já estão sendo resolvidos” em uma nova prestação de contas que será entregue à administração municipal.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o contrato é acompanhado de forma rigorosa e declarou que, até o momento, não existe decisão definitiva ou processo administrativo que comprove irregularidades estruturais, desvios de recursos ou ilegalidades na execução do programa.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes também ressaltou que o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil não possui qualquer ligação com a produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

 

asfaf

Juíza Daniela Rocha Gomes rejeita pedido da defesa de Sandrinho e Daniel e mantém decisão de cassação em primeira instância

A decisão envolvendo o prefeito Sandrinho Palmeira e o vice Daniel Valadares ganhou um novo desdobramento após a análise dos embargos de declaração apresentados pela defesa da chapa. O recurso tentava reverter a sentença de primeira instância que determinou a cassação dos mandatos por abuso de poder econômico. 

Ao avaliar o pedido, a juíza Daniela Rocha Gomes decidiu manter a condenação, afirmando que permanecem comprovadas irregularidades relacionadas ao uso indevido de poder político e econômico, além de arrecadação e gastos ilegais durante a campanha eleitoral. Conforme a magistrada, o esquema envolvia a distribuição irregular de combustíveis realizada por Jandyson Henrique, então secretário de Finanças de Afogados da Ingazeira e coordenador da campanha dos investigados.

A sentença preserva tanto a cassação dos diplomas quanto a inelegibilidade dos envolvidos por oito anos. Segundo a juíza, ficou demonstrado que Jandyson foi flagrado, na véspera da eleição municipal de 2024, transportando R$ 35 mil em espécie, além de tickets de abastecimento, notas fiscais e comprovantes de balcão, situação considerada indício de compra irregular de votos.

Ainda de acordo com a decisão, os documentos anexados ao processo apontaram abastecimentos feitos em veículos particulares, embora lançados como se fossem da frota oficial da Prefeitura de Afogados da Ingazeira. Em parte dos comprovantes havia anotações manuais vinculando os abastecimentos à gestão municipal e autorizações atribuídas ao ex-secretário em favor da chapa majoritária MJSL.

A magistrada entendeu que Jandyson Henrique agia sob orientação dos investigados, exercendo papel estratégico na campanha enquanto ocupava cargo público municipal. Por isso, rejeitou os embargos apresentados pela defesa, classificando-os como “manifestamente incabíveis”.

Os embargos de declaração foram protocolados pelo advogado Walber Agra. Esse tipo de recurso serve para solicitar esclarecimentos sobre pontos considerados omissos, contraditórios ou obscuros em uma decisão judicial, sem modificar diretamente o mérito da sentença. Na prática jurídica, porém, o mecanismo também costuma ser utilizado para postergar efeitos imediatos da decisão e garantir mais tempo para preparação de recursos em instâncias superiores, como o TRE.

 

Flávio Bolsonaro esteve na casa de Daniel Vorcaro após primeira prisão do dono do banco Master

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve na casa do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no fim de 2025, após a primeira prisão do banqueiro pela Polícia Federal (PF). A visita ocorreu em São Paulo, quando Vorcaro já havia deixado a prisão e cumpria medidas restritivas impostas pela Justiça.

A informação foi confirmada pelo próprio parlamentar a aliados e, posteriormente, em declaração pública. Segundo Flávio, o encontro teve como objetivo comunicar o encerramento de qualquer relação com o empresário. A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.

Visita após saída da prisão
Vorcaro foi detido pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para o exterior. A prisão foi realizada pela PF, mas o empresário acabou solto pouco tempo depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília.

Mesmo em liberdade, ele passou a cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a obrigação de se apresentar periodicamente à Justiça. Foi nesse período que ocorreu a visita de Flávio Bolsonaro.

Senador confirma encontro
Após a divulgação do caso, o senador confirmou que esteve com Vorcaro. Em fala à imprensa, disse que foi até São Paulo porque o empresário não podia deixar o estado.

“Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. (…) Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investido há muito mais tempo e o filme não correria risco”, afirmou.

Flávio não detalhou outros pontos da conversa.

Nova prisão e investigação
Daniel Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março de 2026, desta vez por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Na decisão, o magistrado apontou “risco concreto de interferência nas investigações”.

Na ocasião, vieram à tona informações de que o empresário manteria uma estrutura paralela com acesso a dados sigilosos da PF, liderada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.

Mensagens e pedido de patrocínio
Dias antes, o site Intercept Brasil havia divulgado áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro enviados a Vorcaro. Nos conteúdos, o senador cobrava apoio financeiro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Uma das mensagens foi enviada em 16 de novembro de 2025, um dia antes da primeira prisão do empresário e dois dias antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

Lula se aproxima de vitória no primeiro turno, diz Atlas

Levantamento Atlas ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio e mostra Lula à frente de Flávio, Zema, Caiado e Renan Santos

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR )

 O presidente Lula aparece na liderança da disputa presidencial de 2026 e se aproxima do patamar necessário para tentar vencer a eleição no primeiro turno, segundo levantamento AtlasIntel/Bloomberg. A pesquisa mostra Lula com 47% das intenções de voto no principal cenário testado, à frente de Flávio Bolsonaro, que caiu após a repercussão do escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

 Pelos números informados, Lula lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno testados, enquanto Flávio Bolsonaro perdeu força depois da divulgação de áudios relacionados a um pedido de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro surge em segundo lugar, com 34,3%, depois de perder 5,4 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Renan Santos marca 6,9%, seguido por Romeu Zema, com 5,2%, e Ronaldo Caiado, com 2,7%. 

Pela regra eleitoral brasileira, para ser eleito presidente sem segundo turno, um candidato precisa alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais de 50% dos votos válidos, excluídos brancos e nulos. .

Considerando apenas os candidatos citados no principal cenário informado pela pesquisa, a soma de Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado chega a 96,1%. Nesse recorte, os 47% de Lula equivaleriam a aproximadamente 48,9% dos votos válidos entre esses nomes. Ou seja: levando em consideração a margem de erro, a possibilidade de uma vitória no primeiro processo do pleito é real.

A queda de Flávio Bolsonaro é o principal movimento político registrado pelo levantamento. O senador aparece com 34,3% no primeiro turno e perdeu 5,4 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. A retração ocorre após o vazamento de áudios enviados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio à negociação de recursos para a produção do filme “Dark Horse”.

A pesquisa também testou cenários sem Flávio Bolsonaro. Nessa hipótese, Lula mantém cerca de 47% das intenções de voto, enquanto Romeu Zema sobe para 17%. Ronaldo Caiado aparece próximo de 14%, e Renan Santos reúne 8%. O resultado sugere que a ausência de Flávio redistribui votos dentro do campo da direita, mas não altera a posição de liderança de Lula.

Em outro cenário, a AtlasIntel substituiu Flávio Bolsonaro por Michelle Bolsonaro. Lula permaneceu com 47% das intenções de voto. Michelle registrou 23,4%, Romeu Zema alcançou 10%, Renan Santos apareceu com 7,8%, e Ronaldo Caiado somou 6%. Nesse quadro, a vantagem de Lula seria ainda mais ampla em relação ao segundo colocado.

Os números de segundo turno também favorecem Lula. Segundo o levantamento, o presidente aparece sete pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro, dez pontos acima de Romeu Zema e nove pontos à frente de Ronaldo Caiado. Contra Renan Santos, Lula abre vantagem de 19 pontos percentuais no cenário com maior presença de indecisos, brancos e nulos.

Na simulação direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente avançou 1,4 ponto percentual e chegou a quase 49% das intenções de voto. Flávio, por sua vez, caiu seis pontos após a divulgação do áudio envolvendo Daniel Vorcaro, recuando de 47,8% para 41,8%. O percentual de eleitores indecisos ou que declararam voto branco ou nulo aumentou 4,6 pontos percentuais.

A pesquisa também analisou cenários sem Lula. Nessa hipótese, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin aparecem à frente de Flávio Bolsonaro. Haddad lidera por 3,7 pontos percentuais, enquanto Alckmin teria vantagem de 4,1 pontos sobre o senador. O dado indica que o desgaste de Flávio não se limita a um confronto direto com Lula.

A rejeição é outro ponto de atenção para a candidatura do senador. Segundo os dados informados, a rejeição a Flávio Bolsonaro cresceu dois pontos percentuais após a divulgação do áudio com Vorcaro, tornando-o o pré-candidato com maior índice de eleitores que dizem não votar nele de jeito nenhum. Lula aparece em seguida, com 50,6%, em patamar semelhante ao registrado em abril.

Também cresceu o medo de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro entre os eleitores. O receio em relação ao senador aumentou dois pontos percentuais desde abril, enquanto o medo de uma reeleição de Lula caiu quase sete pontos em um mês. A mudança reforça o impacto político do caso Vorcaro sobre a imagem do pré-candidato do PL.

O levantamento Atlas ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06939/2026.

Segundo Intercept Brasil: Eduardo Bolsonaro tinha poder sobre dinheiro do “Dark Horse”, revela contrato

O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil

Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram na quinta-feira, 14, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, no post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão no “Dark Horse”.

Um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, à frente da produção-executiva, função com poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e gestão financeira de um projeto audiovisual.

Contrato cita que Jair Bolsonaro cedeu “os direitos de história de vida” para a produção, na época intitulada “O Capitão do Povo”, e não “Dark Horse”.
Contrato cita que Jair Bolsonaro cedeu “os direitos de história de vida” para a produção, na época intitulada “O Capitão do Povo”, e não “Dark Horse”.

Segundo o documento, a produtora e os produtores-executivos agiriam em conjunto para dedicar-se a atividades de desenvolvimento do projeto, dentre elas “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

O contrato obtido pelo Intercept define uma ampla gama das funções que Eduardo teria na produção. Junto com os outros produtores, a empresa GoUp e o deputado federal Mario Frias, ele teria a responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.

Contrato descreve atividades a serem executadas pela produtora e pelos produtores-executivos do filme.

Enviamos questionamentos para Eduardo Bolsonaro e para o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto. A defesa do deputado Mario Frias informou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro disse que não iria se manifestar sobre o tema. A defesa de Jair Bolsonaro disse ao Intercept que ele não pode se manifestar porque está preso – e destacou que não tinha acesso ao ex-presidente porque as visitas dos advogados são restritas.

Uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Daniel Vorcaro de 21 de março de 2025 destaca o papel de articulador financeiro exercido por Eduardo na produção do filme.  

Miranda, que teve papel de intermediário entre Vorcaro, a família Bolsonaro e o deputado Mario Frias em tratativas sobre o filme, encaminha para o banqueiro uma captura de tela de uma mensagem que Eduardo o enviou e diz: “Já estou fazendo o aditivo da troca da empresa e preciso de um direcionamento seu para seguir.”

Na mensagem de Eduardo a Miranda, o deputado federal cassado diz: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”

Em seguida, de acordo com a mensagem obtida pelo Intercept, Eduardo explica como seria a melhor forma de enviar o dinheiro: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”. 

Embora não seja possível precisar a data que Eduardo enviou a mensagem a Miranda, o encaminhamento da captura de tela para Vorcaro indica que isso ocorreu em março de 2025 – mesmo mês em que Eduardo anunciou que ia se licenciar do mandato para ficar nos EUA e buscar as “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.

Enviamos questionamentos para Miranda, que esclareceu que ele “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação, gestão financeira e estratégia de lançamento do filme Dark Horse” tendo limitado sua participação a “intermediar o contato entre pretenso investidor e os interessados no projeto”. Leia a resposta na íntegra

Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra ainda uma minuta de aditivo de contrato para a produção de “Dark Horse” em que Eduardo é qualificado como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Não há confirmação se o aditivo foi, de fato, assinado.

Aditivo do contrato cita que Eduardo, que consta como “financiador”, se compromete a “financiar parcialmente a produção cinematográfica”.
Aditivo do contrato cita que Eduardo, que consta como “financiador”, se compromete a “financiar parcialmente a produção cinematográfica”.

Embora ele diga não ser “dono do filme”, o contrato – datado de  novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 – designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente da GoUp. 

A minuta que o designa como financiador da operação também contradiz sua fala de que ele teria apenas cedido “direitos de imagem”.

Contrato foi assinado digitalmente e, embora a data conste como 26 de novembro de 2023, a assinatura de Eduardo Bolsonaro foi formalizada no acordo em 30 de janeiro de 2024.

A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida que tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis. 

Em dezembro, revelamos como uma organização não-governamental na qual Karina é sócia, o Instituto Conhecer Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. 

Nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar para apurar se houve direcionamento de emendas parlamentares para projetos culturais, inclusive o filme Dark Horse. A TV Globo noticiou na quinta-feira, 14, que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mario Frias a prestar informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao Instituto Conhecer Brasil – o parlamentar e produtor-executivo do filme teria destinado R$ 2 milhões à ONG. 

Enviamos questionamentos para Karina Gama e para seu sócio, Michael Brian Davis, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.

Fundo de advogado de Eduardo recebeu dinheiro de Vorcaro

Na quarta-feira, 13, o Intercept revelou como o senador Flavio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, irmão de Eduardo, articulou apoio do banqueiro Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, segundo mensagens obtidas com exclusividade. 

Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção, dos quais pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.

A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” teria custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Instagram, o deputado federal cassado negou ter recebido o dinheiro negociado para o filme. 

O material analisado pelo Intercept indica que ao menos parte dos valores negociados por Flávio junto a Vorcaro foi para um fundo controlado por aliados de Eduardo – incluindo Paulo Calixto, o advogado encarregado de seu processo imigratório nos EUA, conforme apuração da Agência Pública

 

Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que parte do dinheiro negociado com Vorcaro para o filme foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos EUA, e controlado por aliados de Eduardo.

Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto.

Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.

Os documentos desta segunda firma apontam Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.

Matéria do Brasil 247 expõe possível arapongagem do Governo Raquel contra Álvaro Porto

O portal nacional Brasil 247 trouxe uma bomba agora. O site publicou um relatório da Secretaria de Defesa Social (SDS) que expõe uma possível arapongagem do Governo contra o chefe de um poder, no caso o Legislativo.

O presidente da Alepe, Álvaro Porto, afirmou a interlocutores que teve sua vida devastada pela polícia de Raquel Lyra sem autorização judicial. E vai fazer um discurso muito duro no plenário da Alepe daqui a pouco.

Leia a reportagem:

Um relatório produzido pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) ampliou a crise política entre o governo Raquel Lyra e a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

O documento, com data de 1 abril de 2026 e elaborado pelo Centro Integrado de Inteligência de Defesa Social (CIIDS) a pedido do secretário Alessandro Carvalho, associa o presidente da Alepe, Álvaro Porto, ao ambiente de risco enfrentado pelo jornalista Manoel Medeiros, ex-assessor da governadora e figura central das denúncias sobre um suposto “gabinete do ódio” instalado no Palácio do Campo das Princesas.

A informação consta em relatório técnico da própria SDS, obtido a partir de documento oficial do governo estadual. O texto afirma que os “desentendimentos entre ele e o Deputado Estadual ALVARO PORTO” foram as principais circunstâncias que levaram Manoel Medeiros a solicitar proteção policial e medidas protetivas.

O episódio ganha contornos ainda mais delicados porque a própria estrutura de inteligência da SDS já é alvo de questionamentos e investigações sobre suposto uso político de monitoramento estatal em Pernambuco. Nos bastidores, a elaboração do relatório vem sendo interpretada como mais um capítulo da escalada institucional envolvendo setores do governo estadual e adversários políticos da gestão Raquel Lyra. (Por Danilo Duarte)

“Dinheiro do Banco Master expõe a maior corrupção da história do país e acelera a decadência do bolsonarismo.”

Em seus textos, o filósofo francês Clément Rosset costumava ressaltar o aspecto particularmente cruel da realidade. Cabe ao leitor e leitora ter em mente que Rosset fazia isso mirando não o sentido sádico ou moral da palavra “cruel”, mas o aspecto bruto e incontornável que a própria ideia de realidade carrega consigo. 

Imagine algo que simplesmente “é”; algo que, independentemente da nossa vontade, jamais poderá ser outra coisa que si mesmo, sem sentido oculto, sem justiça superior ou qualquer possibilidade de compensação mística. 

Essa é a realidade em seu aspecto mais cru – cruel. É aterrorizante pensar nisso, especialmente porque a realidade vive à espreita, sempre em busca de uma oportunidade para se fazer presente em nossas vidas, ameaçando nossas fantasias reconfortantes, nossos mitos apaziguadores. Ameaçando as casinhas imaginárias que criamos para nos proteger, justamente, dos fatos que insistem em continuamente desabar sobre nossas cabeças. 

E por isso mesmo, quanto mais duros são os fatos, quanto maior a sua “crueldade”, maiores serão os esforços imaginativos e fabulatórios necessários para contê-los, para lhes emprestar algum sentido ou até mesmo para, no limite, negá-los. 

Tarefa hercúlea para impedir que a verdade atinja o eleitorado

E é exatamente isso que observamos após a divulgação dos áudios que mostram que, a despeito do que dizia Flávio Bolsonaro, ele e o banqueiro Daniel Vorcaro não apenas se conheciam, como compartilhavam intimidades, com direito a declarações de lealdade, e – digamos assim para evitar processos – “interesses de investimento”. 

Desde a divulgação dos áudios, a direita e a extrema direita se lançaram numa tarefa hercúlea para criar um verdadeiro castelo fantasmagórico que, imaginam desesperadamente, seja capaz de impedir que a crua (cruel) verdade caia sobre o eleitorado. 

E, até o momento, um castelo de areia literal seria mais eficaz nessa tarefa.

Itercep Brasil/Orlando Calheiros

Flávio Bolsonaro representa a morte da direita brasileira, diz Otoni de Paula (vídeo)

Deputado do PSD afirma que transformar o senador em herdeiro automático do bolsonarismo é “erro gravíssimo” e critica “idolatria” na direita brasileira

Otoni de Paula
Otoni de Paula (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) publicou um duro posicionamento político contra Flávio Bolsonaro e afirmou que o senador representa “a morte da direita brasileira”. Em postagem divulgada nas redes sociais, o parlamentar criticou a tentativa de setores do bolsonarismo de transformar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em sucessor natural de um projeto político nacional.

No texto, Otoni afirmou que vem alertando há muito tempo sobre os riscos de a direita brasileira construir uma liderança baseada em lealdade pessoal e blindagem política, em vez de coerência programática e compromisso com princípios.

“Tenho alertado há muito tempo que a direita brasileira cometeria um erro gravíssimo caso transformasse Flávio Bolsonaro em herdeiro automático de um projeto político nacional”, escreveu.

A declaração aprofunda as divisões internas no campo conservador e expõe o desconforto de setores da própria direita com a centralidade da família Bolsonaro na reorganização política para as próximas eleições. Otoni de Paula afirmou que os acontecimentos recentes ajudam a explicar por que lideranças conservadoras evitam aderir publicamente à construção de uma candidatura nacional liderada por Flávio Bolsonaro.

“E os fatos começam, aos poucos, a explicar a resistência de importantes lideranças da própria direita em embarcarem publicamente nessa construção”, afirmou.

Nos últimos meses, a direita brasileira passou a enfrentar disputas internas sobre os rumos do bolsonarismo após o avanço de investigações envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes de sua família. O nome de Flávio Bolsonaro passou a ser ventilado por setores bolsonaristas como possível liderança nacional do campo conservador, especialmente diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

Otoni de Paula, no entanto, defendeu uma ruptura com o que chamou de práticas contraditórias reproduzidas dentro da própria direita. Segundo ele, parte do campo conservador passou a repetir mecanismos políticos que historicamente criticava nos governos anteriores.

“Tenho defendido uma direita séria, coerente e comprometida com princípios, não uma direita que reproduza os mesmos vícios que durante anos criticou na esquerda”, escreveu.

A publicação ganhou forte repercussão política e foi interpretada como um dos ataques mais contundentes feitos por um parlamentar identificado com a direita contra Flávio Bolsonaro. Otoni de Paula também criticou o que chamou de “idolatria” dentro do movimento bolsonarista e alertou para os riscos da ausência de fiscalização política sobre lideranças do campo conservador.

“O maior erro que um campo político pode cometer é transformar lealdade pessoal em blindagem moral absoluta”, afirmou.

Na parte final da postagem, o deputado defendeu que nenhum projeto político consegue sobreviver sem coerência ética e sem mecanismos de controle interno.

“Nenhum projeto político sobreviverá se trocar coerência por idolatria e fiscalização por militância cega”, concluiu.

As declarações ocorrem em meio ao desgaste político de Flávio Bolsonaro após novas denúncias e revelações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Nos bastidores de Brasília, aliados de diferentes partidos avaliam que o avanço das investigações pode impactar diretamente a tentativa de construção de uma candidatura presidencial ligada ao núcleo bolsonarista.

A manifestação de Otoni de Paula também reforça um movimento crescente dentro da direita brasileira de diferenciação em relação ao núcleo mais radical do bolsonarismo. Embora tenha sido aliado de Jair Bolsonaro em diversos momentos, o deputado vem adotando um discurso mais crítico sobre os rumos políticos do grupo e sobre a necessidade de reorganização do campo conservador em bases menos personalistas.

Com a aproximação do calendário eleitoral, as divergências internas na direita tendem a se intensificar, especialmente diante das disputas por liderança política no pós-Bolsonaro.

A covardia da Folha para esconder o estrago de Vorcaro na extrema direita

 

“O Datafolha não teve coragem de levar a pesquisa até quinta-feira, como sempre faz, e driblou o impacto do vazamento no bolsonarismo”, escreve Moisés Mendes

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Prestem atenção ao truque sujo da Folha. A pesquisa divulgada nesse sábado, que dá empate de 45% entre Lula e Flávio Bolsonaro, foi realizada, como a própria Folha destaca, quase como desculpa, até quarta-feira.

Essa é a ressalva que está no segundo parágrafo do texto da manchete: “O levantamento foi realizado na terça (12) e na quarta-feira (13). A maioria das entrevistas foi feita antes da revelação, pelo site Intercept Brasil, das conversas entre o filho de Jair Bolsonaro (PL) e o então dono do Banco Master”.

O vazamento das conversas pelo Intercept aconteceu no início da tarde de quarta. A pesquisa do Datafolha é feita geralmente até quinta-feira. A anterior foi feita entre 7 e 9 de abril. O dia 9 foi uma quinta.

Por que desta vez não abrangeu também esse dia da semana, exatamente o dia seguinte ao da bomba que abalou as estruturas do fascismo e ameaça sepultar a candidatura do filho ungido?

Por que desta vez a0 Folha não realizou pesquisas na quinta? Por que uma pesquisa feita na terça e na quarta só foi divulgada no sábado?

A Folha teve quarta, quinta e sexta-feira, mais a manhã de sábado, para mexer na panela da pesquisa e aparecer com esse empate. Surpreende? Não. Porque, claro, não pega a quinta-feira.

A Folha terá de explicar por que fez uma pesquisa fechada na quarta e guardou até agora, para manchetear esse empate. É jogo sujo, na avaliação de qualquer foca. Qual o valor jornalístico dessa pesquisa? Zero.

Temos um fato novo que não aparece na pesquisa, porque a Folha se negou a ir em frente e pesquisar também na quinta-feira e até na sexta. A Folha foi covarde.

Urgente dinheiro do povo: fundo de advogado que recebeu dinheiro de Vorcaro comprou casa no Texas, estado onde vive Eduardo Bolsonaro

Imóvel de R$ 3,6 milhões foi adquirido por estrutura ligada a Paulo Calixto, investigada pela PF em apuração sobre recursos destinados ao filme Dark Horse

Jim Caiezel interpretando Jair Bolsonaro (PL) no filme “Dark Horse”, Congresso Nacional ao fundo e Eduardo Bolsonaro (Foto: Reprodução I Agência Câmara)

 Um fundo ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, comprou uma casa em Arlington, no Texas, estado americano onde vive o ex-deputado federal. A informação foi publicada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O imóvel foi adquirido em fevereiro por cerca de R$ 3,6 milhões pelo Mercury Legacy Trust, fundo privado de gestão patrimonial usado para administrar bens em nome de terceiros.

Paulo Calixto também administra o Havengate Development Fund, estrutura que recebeu parte dos R$ 61 milhões enviados em 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo Flávio, os recursos seriam destinados ao financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga o destino dos valores transferidos pelo dono do Banco Master ao Havengate. Os investigadores suspeitam que parte dos recursos possa ter sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A PF também apura se a estrutura financeira montada no Texas teria servido para contornar bloqueios judiciais determinados pelo Supremo Tribunal Federal contra contas do ex-deputado no Brasil.

Documentos obtidos pela reportagem mostram ainda que André Porciuncula aparece como um dos responsáveis pelo Mercury Legacy Trust. Ex-policial militar, Porciuncula atuou no governo Bolsonaro como braço direito de Mario Frias na Secretaria da Cultura e é apontado por aliados de Eduardo como operador do grupo nos Estados Unidos.

Nesta semana, Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado dinheiro a Daniel Vorcaro, mas negou que os valores tenham sido usados para manter Eduardo Bolsonaro fora do país. Reportagem do Intercept Brasil revelou que o senador apresentou ao empresário o projeto do filme sobre Jair Bolsonaro como justificativa para os repasses milionários.

Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e maio de 2025. Segundo a apuração, houve atrasos em parcelas previstas, levando Flávio a voltar a cobrar Vorcaro em novembro, um dia antes da prisão do banqueiro. As transferências foram feitas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações.

Procurados pela Folha, Eduardo Bolsonaro e Paulo Calixto não responderam. Uma funcionária do escritório informou que o advogado não concederia entrevistas.

André Porciuncula, por sua vez, negou qualquer relação entre o imóvel e Eduardo Bolsonaro ou o Banco Master. “A casa não tem relação com nenhum dos dois”, afirmou. Questionado sobre quem seria o verdadeiro beneficiário do imóvel, respondeu que “esta informação não é de interesse público”.

Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro classificou a investigação da PF como “tola” e negou ter sido beneficiado pelos recursos enviados por Vorcaro. Segundo ele, seu status migratório nos Estados Unidos impediria o recebimento de dinheiro por meio de fundos de investimento. “Se isso tivesse ocorrido, as próprias autoridades americanas já teriam me punido”, declarou.

O ex-deputado também afirmou ter apresentado às autoridades americanas a origem de seus recursos durante o processo de imigração. Sobre Paulo Calixto, Eduardo disse que o advogado possui décadas de experiência na área de imigração, gestão patrimonial e fundos de investimento.

Ainda segundo Eduardo Bolsonaro, o filme Dark Horse seria uma produção americana, com elenco americano, o que justificaria a captação de recursos nos Estados Unidos. Ele afirmou que nem ele nem sua família são donos da obra e alegou que investidores no Brasil sofreriam perseguição política caso apoiassem um filme sobre Jair Bolsonaro.

Ao rebater as acusações, Eduardo afirmou que seu pai está preso, que ele vive no exterior e que seu irmão ainda não definiu candidatura presidencial. Para o ex-deputado, as denúncias representam apenas uma tentativa de “assassinato de reputação”.

Escândalo do BolsoMaster derruba candidatura de Flávio Bolsonaro, aponta Atlas

Tracking diário mostra senador perder apoio de eleitores moderados e ver Lula abrir vantagem de 8 pontos no segundo turno

Flávio Bolsonaro durante entrevista à GloboNews (Foto: Repodução/GloboNews/Montagem/IA-Dall E)

 O desgaste provocado pela crise envolvendo o Banco Master atingiu diretamente a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Tracking diário do Instituto Atlas mostra que o parlamentar sofreu forte queda nas simulações de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agora aparece com 54% dos votos válidos, contra 46% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os dados, divulgados pela CNN Brasil e atualizados nesta sexta-feira (15), indicam que o vazamento de áudios em que Flávio Bolsonaro menciona o banqueiro Daniel Vorcaro provocou perda de apoio entre eleitores indecisos, moderados e de centro político — segmentos considerados estratégicos para qualquer candidatura competitiva em nível nacional.

A nova rodada do levantamento confirma uma mudança relevante no cenário eleitoral. Após meses de equilíbrio e oscilações dentro da margem de erro, Lula passou a abrir vantagem consistente sobre o senador fluminense, ampliando a distância entre os dois adversários para oito pontos percentuais nos votos válidos.

Recuo aparece na série histórica

Os números do tracking mostram que Flávio Bolsonaro vinha conseguindo manter competitividade no segundo turno até março deste ano. Naquele momento, o senador chegou a registrar 50,5% dos votos válidos, enquanto Lula aparecia com 49,5%.

O cenário começou a mudar em abril, período marcado pela repercussão da crise ligada ao Banco Master e pela divulgação dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro. Desde então, o candidato do PL passou a perder terreno de forma acelerada.

Na rodada mais recente, Flávio Bolsonaro caiu para 46%, consolidando a pior marca da série apresentada pelo Instituto Atlas. Lula, por outro lado, avançou para 54%, registrando sua melhor performance no levantamento.

Moderados abandonam candidatura

Segundo fontes ligadas ao instituto, o principal impacto da crise ocorreu entre eleitores sem alinhamento ideológico rígido. O tracking aponta que a candidatura de Flávio Bolsonaro perdeu força justamente entre setores moderados e de centro, considerados decisivos em disputas de segundo turno.

A avaliação é que a repercussão negativa do caso aumentou a resistência ao senador fora da base bolsonarista mais fiel, dificultando sua capacidade de ampliar alianças e conquistar novos segmentos do eleitorado.

O levantamento também sugere que a crise enfraqueceu a estratégia da direita de consolidar rapidamente o nome de Flávio Bolsonaro como principal herdeiro político do bolsonarismo para a eleição presidencial de 2026.

Direita segue sem reação

O tracking do Instituto Atlas avaliou ainda outros nomes cotados no campo conservador. Segundo os dados, Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) tiveram pequenas oscilações positivas em cenários de primeiro turno, mas perderam desempenho nas projeções de segundo turno.

Apesar das movimentações internas da direita, nenhum dos nomes apresentou crescimento suficiente para alterar de forma significativa o quadro eleitoral diante de Lula.

Com isso, o levantamento reforça a percepção de que o cenário político passou por uma inflexão após a crise do Banco Master, ampliando as dificuldades de Flávio Bolsonaro na tentativa de se viabilizar como principal adversário do presidente na disputa de 2026.

Jornalista Débora Bergamasco confronta Flávio Bolsonaro na CNN e diz que ele foi ‘pego na mentira’

A entrevista abordava as novas revelações do Intercept sobre contrato ligado ao filme Dark Horse e contestou versão de Flávio Bolsonaro. Vídeo

Jornalistas da CNN e Flávio Bolsonaro
Jornalistas da CNN e Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução)

A jornalista Débora Bergamasco confrontou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao vivo na CNN Brasil ao contestar uma declaração dele sobre Eduardo Bolsonaro e o filme Dark Horse, produção relacionada a Jair Bolsonaro. O parlamentar teria negociado com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, um financiamento de R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse”, uma biografia de Jair Bolsonaro (PL).

A entrevista também ganhou repercussão em um contexto no qual o Intercept também divulgou uma reportagem apontando que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participou diretamente da produção-executiva do filme.

No trecho divulgado, Flávio Bolsonaro afirmou que Eduardo “não tinha nada a ver com isso”. A declaração foi confrontada por Débora Bergamasco após a repercussão de reportagem atribuída ao The Intercept Brasil, segundo a qual um contrato daria a Eduardo Bolsonaro acesso ao dinheiro do filme Dark Horse, financiado por Daniel Vorcaro. Veículos que repercutiram a apuração também afirmaram que Eduardo teria assinado digitalmente um contrato como produtor-executivo da obra em 30 de janeiro de 2024. .

A fala de Débora Bergamasco

Durante o debate, Débora Bergamasco citou a ideia de verdade, frequentemente usada por Flávio Bolsonaro, e afirmou de forma direta:

“O senhor fala muito: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará… desculpa falar assim o português bem claro, mas o senhor foi pego na mentira, né?”.

A frase ganhou forte repercussão nas redes sociais por ter sido dita ao vivo e em tom direto, durante uma discussão sobre a versão apresentada por Flávio Bolsonaro a respeito da participação de Eduardo no caso.

Reportagem sobre Dark Horse ampliou pressão

A controvérsia envolve o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Segundo a repercussão da reportagem do The Intercept Brasil, Eduardo Bolsonaro teria tido participação formal no projeto e acesso a informações financeiras da obra, o que contraria a versão de que ele não teria relação com o filme.

De acordo com publicações que citaram a apuração, o documento colocaria Eduardo Bolsonaro e Mario Frias como produtores-executivos com atribuições relacionadas ao orçamento e à captação do filme. A informação também foi apresentada como um contraponto a declarações anteriores de Eduardo, que negou ter relação com a produção. .

Repercussão nas redes

A publicação de Julio Freiress no X classificou o momento como “grandona” e destacou a reação da bancada diante da fala de Débora Bergamasco. O post também afirmou que a revelação do contrato “desmente Eduardo”, ao sustentar que o documento indicaria vínculo dele com o filme.

Nas redes, o episódio passou a circular como mais um capítulo da crise envolvendo o entorno de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse. A repercussão cresceu principalmente porque a fala da jornalista ocorreu em transmissão televisiva, diante do próprio Flávio Bolsonaro.

Caso atinge narrativa de Flávio Bolsonaro

A cobrança feita por Débora Bergamasco colocou em evidência a contradição entre a fala de Flávio Bolsonaro na CNN Brasil e as informações divulgadas sobre o contrato ligado ao filme. O ponto central do embate foi a tentativa de negar a participação de Eduardo Bolsonaro no caso, enquanto a reportagem atribuída ao The Intercept Brasil apontava documentação em sentido contrário.

A discussão sobre Dark Horse segue no centro do debate político após a divulgação de informações sobre o financiamento da obra e o papel atribuído a integrantes da família Bolsonaro no projeto.

Descontrolado, Eduardo Bolsonaro ataca jornalistas mas não consegue explicar ligação com Vorcaro

Documentos revelam que ex-deputado atuou como produtor-executivo de filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido recurso de fundos ligados a Vorcaro

Eduardo, Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro (Foto: Agência Câmara I Divulgação I Reprodução)

O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou a rede social X, antigo Twitter, para negar que tenha recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e atacar o site The Intercept Brasil, em meio à repercussão de uma reportagem sobre negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse, película sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a apuração do Intercept, Eduardo aparecia como produtor-executivo em contrato relacionado ao longa-metragem, função que incluía, entre outras atribuições, a captação de recursos para o projeto. A produção recebeu investimentos de R$ 61 milhões por meio de fundos ligados a Daniel Vorcaro.

Na publicação, Eduardo reagiu ao título da matéria do Intercept que, segundo ele, o associava à expressão “o homem da grana”. O parlamentar escreveu: “Intercept, vocês são VAGABUNDOS! NÃO EXISTE DINHEIRO DO VORCARO PARA MIM, LARGUEM DE SER MENTIROSOS! E ainda botam no título da matéria: ‘o homem da grana’. Vocês são a escória do jornalismo”.

A manifestação ocorreu após a divulgação de reportagem segundo a qual Flávio Bolsonaro teria negociado com Daniel Vorcaro um valor de R$ 134 milhões para financiar uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. O texto do Intercept afirma que as tratativas envolveriam também Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias, além de outros intermediários.

A reação de Eduardo Bolsonaro se concentrou em negar qualquer recebimento de dinheiro de Vorcaro. No texto publicado no X, o deputado não apresentou detalhes adicionais sobre a relação mencionada pela reportagem, mas classificou como falsa a associação feita pelo veículo.

Apesar disso, ele afirmou que sua participação no projeto se limitou a um investimento inicial para garantir a permanência de um diretor de Hollywood na produção do filme.

“Investi US$ 50 mil nos Estados Unidos. O objetivo era garantir um contrato com um diretor de Hollywood, para que ele pudesse elaborar o roteiro e dar início ao projeto. Esse contrato permitiu manter o diretor por dois anos, assumindo eu, pessoalmente, todos os riscos”, disse

A afirmação vai de encontro a uma postagem feita por ele na quinta-feira (15), quando ele disse que “a história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria”. No texto, Eduardo também afirma que “não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”.

O caso ganhou repercussão política porque Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passou a ser citado em investigações e reportagens sobre suspeitas envolvendo o banco. A Associated Press informou que Flávio Bolsonaro negou irregularidades após a publicação de áudios pelo Intercept e afirmou que a busca por recursos para o filme seria uma iniciativa privada.

A publicação de Eduardo Bolsonaro também ocorreu em meio à movimentação nas redes sociais em torno dos termos “PEGA LADRÃO” e “O HOMEM DA GRANA”, que apareciam entre os assuntos em destaque no X no momento registrado no conteúdo fornecido.

 

Prefeitura de Afogados conquista Selo Diamante do Sebrae

Pela primeira vez na história da política pública de empreendedorismo em Afogados, a Prefeitura recebe o Selo Diamante, reconhecimento máximo do SEBRAE pela eficiência do trabalho desenvolvido pela sala do empreendedor.

A Prefeitura, anteriormente, já havia conquistado um selo prata, e dois selos ouro, de âmbito estadual. O selo de Diamante tem abrangência nacional e será recebido pela Prefeitura em Brasília.

O Selo Sebrae de Referência em Atendimento é um reconhecimento nacional criado pelo Sebrae
para avaliar e premiar a qualidade dos serviços prestados pelas Salas do Empreendedor em todo o Brasil. Ele funciona como uma espécie de “certificação de excelência” para os municípios que oferecem suporte de alto nível aos empreendedores locais.

A avaliação é bastante rigorosa e considera tanto critérios técnicos quanto a experiência real de quem procura atendimento.

De acordo com Ney Quidute, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, e coordenador da política municipal de empreendedorismo, para a conquista do selo diamante, são avaliados itens como a qualidade do atendimento presencial e remoto; a organização e gestão da unidade; a qualificação dos atendentes; presença digital e redes sociais; oferta de cursos, consultorias e soluções; apoio aos empreendedores em compras públicas e acesso a crédito;
infraestrutura do espaço; além da produtividade e alcance dos atendimentos.

Um dos pontos mais interessantes da avaliação é que ela não depende apenas de documentos enviados pela Sala. Metade da pontuação vem da análise das evidências e processos apresentados, e a outra metade é feita através do chamado cliente oculto, uma pessoa avalia o atendimento na prática, como se fosse um empreendedor comum procurando ajuda.

“Estou muito orgulhoso pelo trabalho de toda equipe, pelo apoio que o Prefeito Sandrinho Palmeira dá ao nosso trabalho. A conquista do Selo Diamante significa que a Sala do Empreendedor de Afogados atingiu um nível de excelência acima da média, demonstrando eficiência, acolhimento, inovação e impacto real no desenvolvimento econômico de Afogados,” destacou Ney Quidute.

Tira suas dúvidas: MEI deve entregar declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física sim ou não?

Quando um MEI passa a ser obrigado a entregar a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026?

O empreendedor deverá apresentar a declaração caso se enquadre em alguma das hipóteses de obrigatoriedade estabelecidas pela Receita Federal. Entre as principais situações estão o recebimento de rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 no ano-calendário de 2025, o recebimento de rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte em valor superior a R$ 200.000,00, além da posse de bens e direitos com valor total superior a R$ 800.000,00 em 31 de dezembro de 2025.

Também estão obrigados a declarar os contribuintes que realizaram operações em bolsa de valores acima de R$ 40.000,00 no ano, ou que tiveram apuração de ganho tributável nessas operações, bem como aqueles que obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos. Outra hipótese é a da pessoa que passou à condição de residente no Brasil em qualquer período do ano-calendário e permaneceu nessa condição até 31 de dezembro.

Além dessas situações, existem outras regras específicas previstas pela Receita Federal que também podem tornar a entrega da declaração obrigatória. Por isso, é importante que o contribuinte avalie sua situação fiscal com atenção para evitar inconsistências, multas e possíveis pendências junto ao Fisco.

Ainda tem dúvidas?

IMAGEM: MAX/DC

MEIs e autônomos agora podem pegar empréstimos; entenda mudanças

Fintechs ampliam acesso ao crédito para trabalhadores informais e microempreendedores com análises digitais e menos burocracia

Milhões de brasileiros que trabalham por conta própria ainda enfrentam dificuldades para conseguir crédito em bancos tradicionais. Mesmo com renda mensal e contas em dia, muitos autônomos e microempreendedores individuais (MEIs) acabam tendo empréstimos negados por não possuírem carteira assinada ou holerite.

Milhões de trabalhadores autônomos e microempreendedores individuais passaram a encontrar mais facilidade para conseguir empréstimos com o avanço das fintechs e das análises digitais de crédito. Foto: Freepik.

Segundo dados citados na reportagem, o Brasil possui mais de 38 milhões de trabalhadores informais, além de cerca de 26 milhões de autônomos e mais de 13 milhões de MEIs ativos. Grande parte desse público atua em áreas como comércio, serviços e construção civil.

Bancos tradicionais ainda exigem comprovação formal

O modelo tradicional de análise de crédito costuma priorizar trabalhadores com carteira assinada, comprovante formal de renda e histórico bancário mais longo.

Na prática, profissionais como motoristas de aplicativo, diaristas, eletricistas, vendedores e freelancers conseguem manter renda constante, mas ainda encontram barreiras na hora de solicitar empréstimos em instituições tradicionais e muitos pedidos acabam recusados automaticamente por falta de holerite ou documentos considerados essenciais pelos bancos.

Fintechs passaram a oferecer novas alternativas

Nos últimos anos, fintechs começaram a utilizar tecnologias capazes de analisar o perfil financeiro dos clientes além do score tradicional e da renda formal.

Processo costuma ser mais rápido e digital

As plataformas digitais oferecem processos simplificados, feitos totalmente online. Em muitos casos, o cliente consegue:

  • realizar cadastro sem burocracia;
  • receber análise rápida;
  • visualizar juros, IOF e Custo Efetivo Total (CET) antes da contratação;
  • receber o valor aprovado diretamente via PIX.

Especialistas apontam mudança no mercado financeiro

O avanço do PIX, da digitalização bancária e da regulamentação das fintechs pelo Banco Central ajudou a ampliar o acesso ao crédito no país.

Eduardo Bolsonaro foi bancado com dinheiro de Vorcaro nos EUA?

Investigadores apuram se recursos destinados a suposto filme teriam sido usados para custear permanência do deputado nos Estados Unidos

A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo investigadores ouvidos pelo blog da jornalista Andréia Sadi, do g1, uma das linhas de apuração busca esclarecer se o dinheiro teria sido oficialmente destinado à produção de um filme — como argumentado por aliados envolvidos nas tratativas — ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores.

Eduardo Bolsonaro pode ser condenado a um ano de detenção por crime contra Tabata Amaral (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil)

Os investigadores tentam entender três pontos centrais: se o recurso realmente foi aplicado no projeto audiovisual; se houve desvio de finalidade; ou se parte do dinheiro acabou sendo usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Nos bastidores da investigação, também há dúvidas sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro nas negociações e sobre qual teria sido a destinação final dos recursos. Flávio é apontado como pré-candidato à Presidência da República. A avaliação de investigadores é que esclarecer o fluxo do dinheiro virou peça-chave para entender o alcance político e financeiro das conexões em torno de Vorcaro.

The Intercept divulgou mensagens entre Flávio e Vorcaro

Na quarta-feira (13), o The Intercept Brasil publicou uma reportagem mostrando trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, segundo a publicação, o senador cobra do banqueiro verbas prometidas para financiar o filme “Dark Horse”, uma produção internacional que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

O longa tem previsão de estreia no Brasil em setembro.

O deputado federal Mário Frias, produtor executivo do filme, e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas afirmando que a cinebiografia não recebeu “um único centavo” do banqueiro Daniel Vorcaro.

Deputado levantou suspeitas sobre transferências

A hipótese de que recursos ligados ao Banco Master teriam sido usados para bancar Eduardo Bolsonaro foi comentada em vídeo publicado nesta quinta-feira (14) pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT) no Instagram.

“O filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele [Daniel Vorcaro]. O verdadeiro filme era livrar a cara de Jair Bolsonaro fazendo uma campanha contra o Brasil”, afirmou o parlamentar.

Segundo Lindbergh, US$ 2 milhões ligados a Vorcaro teriam sido transferidos para um fundo sediado no Texas que teria como sócio o advogado de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal mora atualmente no estado norte-americano.

Eduardo Bolsonaro ainda não se pronunciou

Até o momento, Eduardo Bolsonaro não comentou publicamente o assunto. Também não há conclusão oficial da Polícia Federal sobre eventual irregularidade envolvendo os recursos investigados.

Fonte: Bacci Noticias