Paris 2024: Brasil elimina França e avança à semifinal contra a Espanha no futebol feminino

Gabi Portilho
Gabi Portilho (Foto: REUTERS/Stephane Mahe/Direitos reservados)

 A seleção feminina se garantiu nas semifinais do torneio de futebol feminino dos Jogos Olímpicos de Paris (França) após derrotar as donas da casa por 1 a 0, neste sábado (3) no estádio La Beaujoire, em Nantes.

Com este resultado o Brasil quebrou um retrospecto incômodo, pois derrotou a França pela primeira vez na história. Até então haviam sido realizados onze jogos entre as equipes, com sete vitórias das europeias e quatro empates.

Agora, para buscar uma vaga na grande decisão, o Brasil terá pela frente outro grande desafio, a Espanha, atual campeã do mundo de futebol feminino e equipe que derrotou a seleção brasileira por 2 a 0 na última quinta-feira (31) em confronto válido pela última rodada da fase de grupos do torneio olímpico. A vaga das espanholas nas semifinais foi garantida com triunfo de 4 a 2 na disputa de pênaltis sobre a Colômbia após igualdade por 2 a 2 nos 90 minutos. A partida das semifinais será disputada na próxima terça-feira (6), a partir das 16h (horário de Brasília), no estádio Velódrome, em Marselha.

DOMÍNIO FRANCÊS – A partida começou com claro domínio francês, que se valeu da melhor qualidade técnica para criar as melhores oportunidades antes do intervalo. A mais clara surgiu logo aos 15 minutos, quando Lorena defendeu pênalti cobrado por Karchaoui, após a árbitra marcar a penalidade máxima aos 11 minutos quando Tarciane derrubou Cascarino dentro da área brasileira. Este foi o segundo pênalti defendido por Lorena nos Jogos de Paris, o primeiro foi na derrota de 2 a 1 para o Japão pela segunda rodada da fase de grupos.

 

Além disso, a França conseguiu finalizar uma bola no travessão aos 39 minutos. Após cobrança de escanteio da lateral Bacha, a zagueira Mbock quase marcou. Já a equipe comandada pelo técnico Arthur Elias pouco conseguiu criar nos 45 minutos iniciais.

GABI DECISIVA – Na etapa final o panorama do confronto pouco mudou, mas o Brasil soube se segurar até encontrar uma oportunidade para superar a forte defesa das donas da casa. E essa oportunidade surgiu aos 36 minutos, quando Gabi Portilho recebeu bola em profundidade, aproveitou indefinição da defesa da França e avançou para apenas bater na saída da goleira Picaud.

Aos 44 minutos a goleira Picaud falhou de forma clara na saída de bola e a Gabi Portilho teve liberdade para entrar na pequena área e acertar a trave, perdendo uma oportunidade clara de ampliar. A partir daí a equipe do técnico Arthur Elias segurou a vantagem até o apito final.

Não há dúvida que boxeadoras envolvidas em polêmica sobre gênero são mulheres, diz presidente do COI

Pugilistas Imane Khelif, da Argélia, e Angela Carini, da Itália, após combate na Olimpíada de Paris
Pugilistas Imane Khelif, da Argélia, e Angela Carini, da Itália, após combate na Olimpíada de Paris (Foto: REUTERS/Isabel Infantes)

PARIS (Reuters) – A boxeadora argelina Imane Khelif e a duas vezes campeã do mundo Lin Yu-ting, de Taiwan, são mulheres e têm todo o direito de competir na Olimpíada de Paris, apesar da polêmica sobre gênero que ofuscou a competição, disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, neste sábado.

As duas foram autorizadas a competir em Paris apesar de terem sido desqualificadas do campeonato mundial em 2023 depois de não terem passado pelas regras de eligibilidade da Associação Internacional do Boxe que impede que atletas com os cromossomos masculinos XY participem de eventos femininos.

O COI retirou, no ano passado, da AIB o seu status de organização responsável pelo boxe por conta de problemas de governança e assumiu o controle da competição de boxe em Paris 2024.

“Estamos falando de boxe feminino. Temos duas boxeadoras que nasceram como mulheres, foram criadas como mulheres, que têm passaporte de mulheres e que competiram como mulheres por vários anos — isso é uma definição muito clara do que é ser uma mulher”, disse Bach em coletiva de imprensa. “Não há nenhuma dúvida sobre elas serem mulheres.”

 

De acordo com o COI, a decisão da AIB de desqualificá-las ano passado foi arbitrária e foi o principal motivo do furor que dominou as redes sociais, tendo vozes como J. K. Rowling e Elon Musk se opondo a elas participarem dos Jogos.

Khelif eliminou a italiana Angela Carini na categoria peso-médio na quinta-feira quando a italiana abandonou a luta depois de 46 segundos, com o desempenho dominante da argelina alimentando o debate. A AIB prometeu, na sexta-feira, pagar à atleta derrotada um prêmio de 50 mil dólares.

“CAMPANHA DE DIFAMAÇÃO” – Bach disse que a posição da AIB era parte de uma campanha de difamação. A AIB não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

 

“O que vemos sendo produzido pela Rússia e, em particular, pela federação internacional que tivemos que tirar a autorização, é que eles estão realizando uma campanha difamatória contra a França, contra os Jogos, contra o COI”, disse Bach. “Eles fizeram diversos comentários que eu não quero repetir”, acrescentou.

O presidente da AIB, Umar Kremlev, um empresário russo, publicou diversas vezes comentários polêmicos nas redes sociais contra Bach e o COI, reclamando da decisão de deixar as atletas a competir nos Jogos. “Quero pedir para todos respeitarem essas mulheres, respeitá-las como mulheres e seres humanos”, disse Bach.

O pai de Khelif disse à Reuters que tem orgulho da sua filha e que torce para ela ganhar uma medalha para a Argélia.

Brasil faz história com bronze no judô misto em Paris; Rafaela Silva brilha

Judocas do Brasil comemoram medalha de bronze em Paris 2024
Judocas do Brasil comemoram medalha de bronze em Paris 2024 (Foto: Miriam Jeske/COB)

(Reuters) – A seleção brasileira de judô conquistou a medalha de bronze na disputa por equipes mistas na Olimpíada Paris 2024 neste sábado, ao vencer a Itália por 4 a 3.

A conquista veio após Rafaela Silva, campeã olímpica nos Jogos Rio 2016, vencer Veronica Toniolo com um waza-ari na luta decisiva.

A decisão do bronze contra a equipe italiana começou com vitória de Rafael Macedo, da categoria até 90kg, por ippon sobre Christian Parlatti. Em seguida, Beatriz Souza, que foi medalha de ouro no individual na categoria acima de 78kg, venceu também por ippon Asya Tavano.

A reação italiana começou com a vitória por waza-ari de Gennaro Pirelli sobre Leonardo Gonçalves, na categoria acima de 90kg. Rafaela Silva, na categoria até 57kg, venceu Toniolo com um ippon e um waza-ari para colocar o Brasil a uma vitória da medalha.

 

Mas a Itália empatou com duas vitórias por ippon de Manuel Lombardo sobre Wilian Lima, medalhista de prata no individual em Paris, e de Savita Russo sobre Ketleyn Quadros.

Na luta decisiva, foi sorteada a categoria até 57kg para definir a medalha no golden score, quando a primeira pontuação define o combate, e coube a Rafaela Silva derrotar novamente Toniolo e assegurar a medalha, a oitava da delegação brasileira em Paris.

“A gente se encontrava na vila (olímpica) e falava, ‘essa medalha é nossa, nem que seja na base do ódio'”, disse Rafaela Silva à TV Globo após a conquista.

 

“Deus colocou essa última luta na minha mão e eu consegui sair com essa vitória. Era uma atleta chata, eu tinha perdido a última vez que a gente lutou, eu sabia que seria uma luta dura, mas eu entrei determinada porque a gente não podia sair daqui com a mala vazia.”

O Brasil tem um ouro, três pratas e quatro bronzes nos Jogos. Foi também a quarta medalha do judô brasileiro em Paris

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