Um narcotraficante espanhol chamado Oliver Ortiz de Zarate Martin foi um dos investidores que ajudou na compra do Banco Master pelo empresário Daniel Vorcaro. A informação foi revelada por uma fonte do mercado financeiro, que acompanhou de perto as negociações, em entrevista exclusiva ao ICL Notícias.
A reportagem teve acesso a documentos de transações financeiras, processos judiciais e registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que confirmam essas informações.
Oliver Ortiz morava em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde foi preso em 2013. Ele foi condenado por lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas. No ano passado, a Polícia Federal (PF) avisou que ele seria expulso do Brasil depois de cumprir a pena.
Segundo a fonte, a ligação entre o narcotraficante e Daniel Vorcaro é feita por Benjamim Botelho de Almeida. Ele é um operador do mercado financeiro apontado pela PF como sócio escondido e operador de Vorcaro nos Estados Unidos.
Benjamim Botelho tem ligação com a corretora Sefer Investimentos (que antes se chamava Foco Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários – DTVM). Essa corretora foi alvo, em janeiro, da segunda fase da Operação Compliance Zero, suspeita de participar de um esquema para repassar dinheiro a negócios ligados à família de Vorcaro.
Uma offshore nas Bahamas ligada à Sefer foi aberta nove dias depois que o Banco Central liquidou o Banco Master.
A Sefer administrava fundos do Grupo Aquilla, onde Benjamim Botelho era o principal executivo e Oliver Ortiz aparecia como investidor. Foi por meio de um fundo desse grupo que o narcotraficante investiu na compra do Banco Máxima em 2017, segundo a fonte que acompanhou a operação.
A mesma fonte disse que Ortiz tinha milhões investidos em fundos do Grupo Aquilla. O ICL Notícias conseguiu ter acesso aos documentos que confirmam que ele era cotista desses fundos. Por causa do sigilo bancário, não foi possível confirmar o valor exato mencionado.
“Recursos que foram utilizados na constituição dos fundos imobiliários – os principais produtos da atual Sefer – e também na aquisição do Banco Master – que era a instituição financeira que faltava ao Grupo Aquilla para estender as ramificações de suas negociações e negociatas – são oriundo de lavagem de dinheiro do traficante Oliver Ortiz”, acrescentou a fonte.
Benjamim Botelho de Almeida trabalhou antes no Banco Garantia, que deu origem ao BTG Pactual. Ele tem nacionalidade portuguesa e brasileira, mora em Lisboa e é visto toda semana na Faria Lima, em São Paulo, participando de reuniões de negócios, conforme apurou a reportagem.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), o esquema fraudulento do Banco Master inclui comprar empresas “baratas” e depois inflar artificialmente os resultados delas, para parecer que valem muito mais do que realmente valem.
As operações foram feitas para desviar dinheiro de fundos de investimento e outras fontes para empresas controladas pelos envolvidos, prejudicando os investidores. Há suspeitas de que essas transações violaram leis do mercado de capitais, como manipulação de preços.
Os documentos da Operação Compliance Zero citam Benjamim Botelho como participante do esquema.
“Utilização de interpostas pessoas/empresas de prateleira – as transações frequentemente envolveram empresas com ligações diretas ou indiretas com Daniel Vorcaro, Benjamim Botelho e outros indivíduos-chave, levantando sérias preocupações sobre conflitos de interesses e possíveis benefícios indevidos”.
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