Foto de Maduro algemado é divulgada por Trump, que declara controle dos EUA sobre a Venezuela

Você sabia que a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, concentradas principalmente na Faixa Petrolífera do Orinoco, uma das áreas mais ricas em petróleo pesado do planeta?

 

Pode ser uma imagem de texto que diz "NOTÍCIA RÚSSIA CONDENA o SEQUESTRO DE NICOLÁS MADURO E DIZ QUE NÃO ACEITARÁ DESCULPAS DOS ESTADOS UNIDOS. VIRALZ-U"

 

 

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede social hoje a foto do presidente da Venezuela Nicolás Maduro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou hoje em sua rede social uma imagem do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Na foto, Maduro aparece algemado, com os olhos vendados e vestindo um moletom, após ter sido capturado juntamente com sua esposa durante um ataque das forças norte-americanas a Caracas.

Na legenda, Trump escreveu: “Nicolás Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima.”
O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que, após a prisão de Maduro — ação coordenada pelos EUA —, o país passaria a governar a Venezuela.

Há imagens que não precisam ser reais para parecerem verdadeiras. Bastam alguns séculos de repetição. Um homem vendado, algemado, levado para longe de sua terra. O cenário muda — às vezes é um navio, às vezes um palácio em ruínas —, mas o roteiro permanece assustadoramente familiar.

Os Estados Unidos aprenderam cedo que o poder não precisa pedir licença. Desde que se descobriram império, ainda que nunca gostem de usar essa palavra, passaram a agir como quem acredita ter uma missão divina: salvar o mundo, mesmo que o mundo não peça socorro.

Foi assim no Caribe, foi assim na América Central, foi assim no Oriente Médio. Presidentes caem como peças de dominó, não necessariamente por serem bons ou maus, mas por estarem no caminho errado dos interesses certos. O discurso sempre vem embalado em palavras bonitas — democracia, liberdade, estabilidade —, mas o som que se ouve no fundo é o das botas, dos navios e das sanções.

Na América Latina, a história é quase íntima. Os Estados Unidos atravessaram fronteiras invisíveis com a naturalidade de quem atravessa a própria sala. Apoiaram golpes, derrubaram governos, escolheram aliados e inimigos como quem escolhe peças em um tabuleiro. Não por ódio, mas por conveniência. Não por moral, mas por estratégia.

Quando um presidente estrangeiro aparece algemado em uma narrativa, real ou imaginada, não é apenas um homem que está sendo levado. É um aviso. Um lembrete de que, para o império, soberania é um conceito flexível, adaptável às circunstâncias do mercado, do petróleo, da geopolítica.

E assim os Estados Unidos seguem, repetindo a si mesmos ao longo do tempo. Mudam os presidentes, mudam os slogans, mudam as redes sociais. Mas a lógica permanece: quem manda, decide; quem decide, escreve a história; e quem perde, aparece na foto — de olhos vendados.

No fim, talvez a maior pergunta não seja por que eles agem assim.
Mas por que o mundo já se acostumou a olhar — e seguir em frente.

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