Fernanda Montenegro declara voto em Lula: ‘Em nome da democracia’

 (crédito: Reprodução/Instagram)
A atriz veterana Fernanda Montenegro, 92 anos, usou as redes soci
ais na noite desta sexta-feira (7) para declarar apoio ao candidato à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma publicação no Instagram, Fernanda Montenegro publicou uma carta aberta declarando o apoio ao candidato petista.
“Voto em Lula na esperança de um Brasil com educação, saúde e na defesa da natureza. Voto em Lula na esperança do real atendimento à ciência, à cultura, à cultura das artes. Em nome da democracia, para presidente, Lula”, diz a carta.
Lula (PT) concorre com Jair Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, que será decidida no próximo dia 30 de outubro. Na primeira pesquisa de intenção de votos para o segundo do instituto Datafolha, o candidato petista aparece com seis pontos à frente do atual presidente. Considerando os votos válidos, que é a métrica adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições, onde brancos e nulos são retirados, Lula aparece com 53% dos votos, contra 47% do chefe do Executivo. 

PT de Pernambuco reforça apoio à candidatura de Marília Arraes em plenária popular

A candidata ao Governo de Pernambuco, Marília Arraes, encerrou a noite da última sexta-feira (7), em uma plenária promovida pelo deputado federal reeleito Carlos Veras. O momento simbolizou o primeiro ato público do PT em apoio a Marília. 

Bastante emocionada, Marília destacou a luta pela Democracia representada pelo palanque da coligação Pernambuco na Veia. 

“O PT sabe da importância de caminhar ao nosso lado durante esse duro momento que o Brasil está passando. Quem representa a luta pela Democracia é o presidente Lula.”

Para o deputado federal Carlos Veras, o momento é de urgência. “Vamos fazer de Marília a governadora de Pernambuco. Essa eleição só tem dois lados: quem está ao lado da Democracia e quem está ao lado do Fascismo e da intolerância.”

O presidente estadual do PT, o deputado Doriel Barros, fez questão de ratificar a unanimidade do partido no apoio a Marília. “Temos lado e sempre teremos. É por isso que estamos trabalhando para eleger Lula presidente e Marília governadora.”

O senador Humberto Costa, que também esteve presente na plenária, reafirmou seu compromisso com Marília e ressaltou o compromisso da neta de Miguel Arraes com o polo progressista e democrático.

Os vereadores de Olinda, Vinícius Castello; do Paulista, Flávia Hellen, e a deputada estadual eleita, Rosa Amorim, também marcaram presença na plenária. 

A presidenta da Fetape, Cícera Nunes, o dirigente nacional e coordenador estadual do MST, Jaime Amorim, a vereadora de Garanhuns, Fany Bernal, e a vereadora de Abreu e Lima, Milena Araujo, também estiveram presentes

Lula ganha em 8 das 10 cidades que mais perderam empregos

O presidente Jair Bolsonaro (PL) vem ressaltando em sua campanha pela reeleição dados positivos sobre recuperação do emprego. O discurso, no entanto, parece surtir pouco efeito nas cidades que mais perderam postos de trabalho neste ano: das 10 piores no ranking, 8 deram mais votos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.

As quatro cidades que mais perderam empregos até agosto, em números absolutos, estão na região Nordeste e registram saldos negativos de mais de 2.200 postos de trabalho cada uma: Sirinhaém (PE), Capela (SE), São José da Laje (AL) e Rio Formoso (PE).

Em seguida, aparecem Indianópolis (MG), Parauapebas (PA), Lucélia (SP), São Miguel dos Campos (AL), Santo Antônio dos Lopes (MA) e Campo Alegre (AL).

Entre as cidades que compõe o ranking, Bolsonaro só teve mais votos do que Lula no município paraense e no paulista.

Em contrapartida, quando considerados as 10 cidades que mais abriram postos de trabalho formais no ano, o atual presidente obteve mais votos do que os demais candidatos em 6: Rio de Janeiro (47%), Brasília (51,6%), Belo Horizonte (46,6%), Curitiba (55,3%), Goiânia (56,1%) e Manaus (53,6%).

Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência.

Considerando todo o território nacional, o mercado de trabalho de fato tem dado sinais de melhora –o saldo entre admissões e desligamentos é positivo em 1,853 milhão de vagas de janeiro a agosto. Mas, nas cidades que perderam mais empregos em 2022, pesa um cenário mais frágil, dizem economistas.

“Em cidades pequenas, o fechamento de vagas tem um impacto brutal. Muitos dependem do setor público para ter emprego também”, diz Sergio Firpo, pesquisador do Insper e colunista da Folha. “A mobilidade nesses locais é menor e a transição de um emprego para o outro ocorre em um intervalo maior.”

Lula liderou a intenção de votos no Nordeste nas pesquisas antes do primeiro turno, apesar dos esforços de Bolsonaro para ganhar a simpatia dos eleitores locais. Para analistas políticos, a percepção é de uma imagem positiva consolidada do petista nos estados da região.

Quando as urnas foram apuradas, o favoritismo do petista entre os nordestinos se comprovou: foi nessa região em que os dois principais candidatos tiveram a maior diferença de votos. Lula fez 67%, contra 26,8% de Bolsonaro. O petista também ganhou no Norte, mas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste o atual presidente saiu vencedor.

“A memória positiva que as pessoas têm dos governos petistas no Nordeste se deve ao crescimento acima da média dos estados durante a década de 2000, com aumento de salários e inclusão por meio de programas de transferência de renda”, acrescenta Firpo.

Na crise de 2015 e 2016, a região foi mais castigada com a perda de empregos e também demorou para se recuperar da recessão. Enquanto isso, o governo Bolsonaro teria demorado a olhar para esses municípios mais pobres –a ajuda teria chegado apenas com o Auxílio Brasil, elevado às vésperas da eleição para os atuais R$ 600.

“Pode ter havido uma certa demora por parte do governo Bolsonaro para lidar com o Bolsa Família, faltou um olhar para a população mais pobre durante os primeiros anos de mandato, com aumento da fila, falta de atualização do cadastro e de destaque para a política social. Os frutos podem estar sendo colhidos agora”, diz Firpo.

A cidade pernambucana de Sirinhaém (a 75 km do Recife) teve saldo negativo de 2.298 vagas formais de janeiro a agosto, segundo o Caged. As demissões foram puxadas pela atividade de fabricação e refino de açúcar (3.333).

O setor sucroalcooleiro tem forte peso na região, e as contratações e os cortes seguem padrões de sazonalidade da cultura da cana-de-açúcar.

“O período de entressafra da cana acaba ditando o comportamento do mercado de trabalho na região da zona da mata. Cai a contratação, e a colheita recomeça em agosto”, diz Paulo Rocha, presidente da CUT (Central Única de Trabalhadores) em Pernambuco.

Todos os cinco municípios vizinhos de Sirinhaém também deram votações acima de 66% para Lula no primeiro turno, mesmo os que tiveram saldos positivos no Caged neste ano, como Escada (que criou 255 vagas e concedeu 68,88% dos votos a Lula) e Tamandaré (44 vagas e 66,08% dos votos).

Pernambuco também foi afetado por fortes chuvas e enchentes no primeiro semestre, e a população de menor renda acabou sentindo mais os impactos.

Para o especialista em mercado de trabalho Eduardo Zylberstajn, trata-se de uma observação intuitiva: onde a economia está pior, cresce a insatisfação geral, e a população busca alternativas.

Mesmo não sendo possível fazer uma relação direta entre emprego e voto, ele considera que o desemprego é um fator tão relevante para a satisfação econômica que seu peso não pode ser descartado.

O economista Edgard Leonardo Lima, professor do Centro Universitário Tiradentes, vai na mesma linha. Segundo ele, a perda de trabalho em municípios de menor porte, associada ao quadro de pressão inflacionária, afeta a avaliação individual sobre a economia.

Isso, diz, pode ter impactado a decisão de voto dos eleitores locais -e beneficiado Lula.
“O cidadão que perdeu o emprego em uma cidade como Sirinhaém até pode ter visto que a inflação parou de subir. Mas ele também percebe que a inflação ainda está estacionada no 15º andar do prédio. Essa é a economia real. É o que o cidadão sente na hora de fazer a feira, de ir ao supermercado”, afirma.
acordo com Lima, municípios pequenos do Nordeste apresentam menor dinamismo econômico, o que se reflete em um mercado de trabalho mais escasso.

“Basta uma indústria fechar, ou uma usina parar de moer, que essas cidades deixam de oferecer empregos”, diz. “Aqui no Nordeste temos uma falta de conexão da economia entre as capitais e o interior”, completa.

O economista e professor Gustavo Casseb Pessoti, presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia, avalia que a economia nordestina já vinha em dificuldades antes da pandemia. Na década passada, lembra, a atividade sentiu os reflexos de fenômenos como crises hídricas. O quadro local, acrescenta, também é marcado pelo alto nível de informalidade.

“Não só o Nordeste cresce menos do que o Brasil e, portanto, gera menos emprego, como sente mais o revés de uma economia menos dinâmica”, aponta. (Via: Folhapres

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