“A curva é crescente, e a situação vai piorar”, prevê o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner.

O estado de São Paulo registrou nesta terça-feira (12) o número total de 13.175 pacientes internados por Covid-19 em toda rede hospitalar. O valor é o maior desde o dia 2 de agosto de 2020, quando foram contabilizadas 13.775 internações no total.
O total de pacientes internados tem se mantido acima de 10 mil desde o início de dezembro de 2020, o que pressiona o sistema de saúde e interfere no atendimento de outras doenças.
“A curva é crescente, e a situação vai piorar”, prevê o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner.
O número internações pela doença vêm subindo nos últimos dias no estado. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, houve aumento de 24% nas novas internações nos últimos sete dias, em comparação aos sete dias anteriores.
O estado de São Paulo vem registrando média diária de mortes por Covid-19 acima de 200 há quatro dias seguidos. O valor não ficava acima dessa marca desde o dia 16 de setembro do ano passado.
A média móvel de mortes diárias, que considera os registros dos últimos sete dias, é de 206 nesta terça-feira (12). O valor é 60% maior do que o registrado há 14 dias, o que para especialistas indica tendência de alta da epidemia. Como o cálculo da média móvel leva em conta um período maior que o registro diário, é possível medir de forma mais fidedigna a tendência da pandemia.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, foram contabilizadas 283 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, elevando o total desde o início da pandemia para 48.662. Já o total de casos confirmados da doença subiu para 1.561.844, considerando os 12.702 novos registros nas últimas 24 horas.
Os novos registros não significam, necessariamente, que as mortes e casos aconteceram de um dia para outro, mas, sim, que foram computados no sistema neste período. As notificações costumam ser menores aos finais de semana e feriados, quando as equipes de saúde trabalham em esquema de plantão.
A média móvel diária de casos é de 10.756 nesta terça. O valor é 75% maior que o registrado há 14 dias, o que para especialistas também indica tendência de alta.
A média diária de casos está acima de 10 mil há quatro dias seguidos. O último registro de média móvel acima de 10 mil casos no estado era de 18 de agosto.
Nesta sexta-feira (8), o governo de São Paulo reclassificou quatro regiões do estado para a fase laranja do plano da quarentena devido à piora de indicadores de saúde, mas alterou as regras para adotar medidas mais permissivas para as atividades econômicas nesse estágio.
Veja os novos registros no estado de SP nas últimas 24 horas:
- 283 novas mortes
- 12.702 novos casos
Veja o total no estado de SP desde o início da pandemia:
- 48.662 mortes
- 1.561.844 casos confirmados
Leitos de UTI
Nesta terça, o total de pacientes internados no estado com suspeita ou confirmação de Covid-19 é de 13.175, sendo 7.668 em enfermaria e 5.507 em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Nesta segunda, a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 em toda rede de saúde, incluindo serviços particulares e públicos, é de 66,8% na Grande São Paulo e de 65,4% no estado.
Na cidade de São Paulo, grandes hospitais da rede particular, como o Albert Einstein e Sírio-Libanês, registram taxa de ocupação superior a 90%. Na rede municipal da capital, ao menos dois hospitais não têm mais leitos de enfermaria.
Os índices de ocupação variam dia a dia, e a central de regulação do estado é responsável por conseguir vagas para pacientes que estão na fila de atendimento.

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Por André Luis/ Rádio Pajeú
Governo decide ampliar de 30 milhões para 45 milhões de seringas requisitadas da indústria
A requisição é uma medida extrema, segundo a qual o ministério se apropria dos produtos para pagamento posterior. Antes, a pasta havia pedido 30 milhões de insumos. Agora, quer 45 milhões.

Incapaz de conseguir seringas e agulhas para a vacinação contra a Covid-19 até agora, o Ministério da Saúde decidiu ampliar em 50% a quantidade de insumos que requisitou de empresas no Brasil. A requisição é uma medida extrema, segundo a qual o ministério se apropria dos produtos para pagamento posterior. Antes, a pasta havia pedido 30 milhões de insumos. Agora, quer 45 milhões.
A medida mostra a dependência do ministério comandado pelo general Eduardo Pazuello a esse instrumento de apropriação de estoques, quando o país parece perto do início da imunização. A pasta requisitou 15 milhões a mais de seringas e agulhas mesmo após ter recuado na orientação para que as indústrias entregassem os estoques adquiridos pelos governos estaduais.
A ofensiva sobre os estados foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo no último dia 6. Logo depois, o governo de São Paulo ingressou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para garantir as seringas e agulhas que comprou da principal fabricante no Brasil, a Becton Dickinson (BD) Indústrias Cirúrgicas.
Na ação, o governo de João Doria (PSDB) informa que já havia sido avisado pela BD sobre a impossibilidade de entrega de todos os lotes dos produtos, diante da requisição administrativa feita pelo Ministério da Saúde. No dia 8, o ministro Ricardo Lewandowski decidiu a favor de São Paulo e proibiu que o governo de Jair Bolsonaro requisitasse insumos contratados pelo estado.
No mesmo dia 8, o Ministério da Saúde expediu novos ofícios às empresas, ampliando de 30 milhões para 45 milhões as quantidades que quer ver entregues à União. O ministério faz uma ressalva nos documentos: não deve haver prejuízo aos “compromissos previamente firmados com estados e municípios”.
As primeiras requisições administrativas foram feitas no último dia de 2020, depois do fracasso do pregão do ministério para selecionar fornecedoras. O secretário de Atenção à Saúde, Luiz Otavio Duarte, enviou ofícios às três empresas que fabricam seringas e agulhas no Brasil e a mais duas companhias que comercializam os insumos no país.
Nos documentos, o secretário cita o inciso e o artigo da Constituição Federal em que diz ter se baseado para fazer as requisições administrativas. O artigo trata do direito à vida, e o inciso prevê que “a autoridade competente poderá usar de propriedade particular”, em casos de “iminente perigo público”.
Da BD, o ministério requereu 9 milhões de seringas e agulhas. Da SR Saldanha Rodrigues, mais 10,5 milhões. E, da Injex Indústrias Cirúrgicas, mais 4,5 milhões. São essas as três fabricantes dos insumos no Brasil, segundo a Abimo, a associação que representa as empresas.
As requisições se estenderam a outras duas empresas: Descarpack Descartáveis do Brasil e Medlevensohn Comércio e Representação de Produtos Hospitalares. Cada uma deveria fornecer 3 milhões cada. O total requisitado somava 30 milhões, e deveria ser entregue até o meio-dia do dia 8.
O ministério de Pazuello se reuniu com representantes das indústrias e foi avisado da incapacidade de fornecimento dos produtos no prazo determinado. Ficou acertado, então, que o prazo se estenderia até o dia 30 e que as empresas deveriam repassar os estoques assegurados a estados e municípios que fizeram compras anteriores. No meio do caminho, houve a decisão do STF.
Novos ofícios, então, foram enviados às cinco empresas. A cada uma delas, foi apresentada a proposta de entrega de 9 milhões de seringas e agulhas. O total chega a 45 milhões de itens, caso elas cumpram as requisições.
A medida extrema de apropriação dos insumos foi adotada depois do fracasso do governo federal em tentar comprar os produtos. O Ministério da Saúde deixou para o antepenúltimo dia do ano um pregão para a seleção de fornecedoras. Queria comprar 331,2 milhões de itens, mas conseguiu apenas 7,9 milhões, ou 2,3% do total.
Naquele momento, o governo de São Paulo já havia concluído 27 pregões e obtido quase a metade do total pretendido. As licitações buscavam empresas para entregar 100 milhões de seringas e agulhas. Fracassaram para 50 milhões de seringas e para 51,2 milhões de agulhas.
Enquanto partia para as requisições administrativas, o Ministério da Saúde informava as empresas que realizaria novos pregões. Bolsonaro, então, declarou em sua conta no Twitter que as compras estavam suspensas, diante de preços exacerbados cobrados pelas indústrias.
A aposta segue sendo nas requisições administrativas. A posição da Abimo, que representa as fabricantes, é que 30 milhões de itens serão entregues até o fim do mês. O Ministério da Saúde diz que estados e municípios têm estoques para dar início à vacinação contra a Covid-19.
As empresas já deram diversos sinais de que não têm seringas e agulhas suficientes nem um ritmo de produção que assegure o fornecimento a todos. A BD, por exemplo, ingressou com um recurso no STF, chamado embargo de declaração, pedindo um esclarecimento sobre a decisão de Lewandowski.
Segundo a empresa, é preciso que a decisão deixe claro que os prazos de entrega a São Paulo, a ser feita de forma escalonada, sejam respeitados. Os representantes da BD alegam que não podem reservar os lotes cujas entregas ocorrerão nos meses seguintes. Isto comprometeria o atendimento à requisição do Ministério da Saúde, conforme a empresa.