O ponto alto do picadeiro foi o avatar de Jair Bolsonaro no telão
A convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da república, foi difícil de assistir. O início foi de confusão porque o espaço do Mercado Pago Hall, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, não foi suficiente e algumas autoridades, apoiadores e jornalistas não conseguiram entrar.
Assistindo pelo Youtube, tive a sensação de que estava frente à uma apresentação evangélico-circense com momentos de entreguismo explícito do Brasil nas mãos da extrema-direita internacional.
O ponto alto do picadeiro foi o avatar de Jair Bolsonaro no telão soltando a pérola: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”. Eu estou preso”.
Em outro ato, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, genocida do povo palestino, saudou o candidato em inglês por vídeo. Quem também deu a graça de sua ausência foi a madrasta de Flávio, Michelle Firmo, desejando que Deus abençoasse e desse sabedoria e força à candidatura do enteado, também por vídeo.
O presidente da Argentina, Javier Milei, discursou, puxou o coro “Lula ladrão” e formou, com Flávio, uma dupla estilo Patati/Patatá dançando, para o delírio da claque bolsonarista e do governador Tarcísio de Freitas.
No discurso, Flávio pediu oração para o pai, repetiu velhas frases retóricas utilizadas nas últimas campanhas com a indefectível sonora de impacto emotivo ao fundo. Terminou com o mantra conservador de Deus, Pátria e Família.
A leitura mais significativa do evento foi a ausência de políticos aliados do Centrão, o que era esperado devido aos últimos acontecimentos que colocam Flávio na mira da Polícia Federal.
Pelo andar da campanha, que nem vice tem, e sem coligação partidária, restará a Flávio pinçar alguém disponível para fazer o papel do Adélio. Mas não é sempre que surge um gênio capaz de furar o cerco de dezenas de policiais, uma multidão furiosa e sair ileso, após uma facada sem sangue, e ainda ser defendido por advogados em série e, apesar de tudo, não ser processado pela vítima.
