Confira o momento em que Bolsonaro assina a intimação do Supremo Tribunal Federal.

Ele quer me prender”, diz Bolsonaro à oficial de Justiça ao assinar na UTI intimação de Moraes (vídeo).

 

Na gravação, ele questiona se a profissional tinha “ciência que estava em uma UTI” e se exalta com uma pessoa que o interrompe para falar que sua pressão havia subido.

 

Na quarta-feira (23/abr), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi intimado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, para apresentar defesa prévia em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga sua suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado em 2022.

A intimação, assinada às 12h47 por ordem do ministro Alexandre de Moraes, ocorreu após Bolsonaro participar de uma live na noite anterior, o que levou o STF a considerar que ele estava apto a receber a citação, apesar de sua internação.

Um vídeo (assista acima) do diálogo entre Bolsonaro e a oficial de justiça, disponibilizado pelo ex-presidente em suas redes sociais, mostra suas críticas ao STF, a Moraes e ao sistema eleitoral brasileiro, além da defesa excessivamente apaixonada de sua atuação política como presidente do Brasil, conforme promoveu nas imagens que decidiu previamente que seriam capturadas.

Contexto da Intimação

Bolsonaro está internado desde 11 de abril devido a complicações intestinais decorrentes de uma facada sofrida em 2018.

No dia 13, passou por uma cirurgia de 12 horas para tratar uma obstrução intestinal, permanecendo na UTI sem previsão de alta.

STF aguardava uma “data adequada” para a intimação, mas a live de terça-feira (22/abr), realizada com seus filhos CarlosEduardo e Flávio, foi interpretada como indício de que o ex-presidente poderia ser notificado.

A transmissão, que promovia a venda de capacetes de grafeno de uma marca associada aos Bolsonaro, também incluiu críticas a Moraes, descrito como “perseguidor político” pelo ex-presidente.

A ação penal, relatada por Moraes, envolve Bolsonaro e outros sete réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, como o ex-ministro Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid.

Todos foram notificados desde 11 de abril, mas Bolsonaro era o último pendente devido à sua condição médica.

O diálogo na UTI

No vídeo, Bolsonaro, visivelmente exaltado, questiona a oficial de justiça sobre a citação: “A senhora tem ciência de que está em uma UTI?”

Ele alega estar debilitado após um “procedimento invasivo” e sugere que a assinatura poderia ser feita mais tarde, mas a oficial, identificada como plantonista do dia, explica que foi acionada para cumprir a ordem judicial.

“Eu sou a plantonista do dia. Expliquei pros seus advogados e diretores. Eu recebi essa incumbência de proceder,” diz ela, segundo a transcrição.

Bolsonaro usa o momento para criticar Moraes, a quem acusa de querer prendê-lo e condená-lo: “O que que o senhor relator quer? Ele quer me prender. Ele quer me condenar. Alguém tem dúvida disso?”

Ele também contesta a acusação de tentativa de golpe, chamando-a de “piada” e negando a existência de provas concretas, como a suposta minuta do golpe encontrada na casa de um aliado: “Ninguém conheceu, até hoje apareceu uma minuta lá que é aquela da casa do que é uma piada lá.”

O ex-presidente relembra a facada de 2018, afirmando que suas complicações de saúde não são simulação: “O problema que eu tenho não é simulação, liguei uma facada há sete anos e tem o problema até hoje. Graças a Deus dissolveu novamente. Se demorasse mais um pouquinho, ele teria morrido.”

Ele também critica o sistema eleitoral brasileiro, alegando que suas críticas, iniciadas em 2012 com a defesa do voto impresso, foram criminalizadas: “Criticar o sistema eleitoral passou a ser crime agora.”

Bolsonaro vai além e desafia Moraes a um debate público: “Já que tem tanta certeza que eu sou um golpista, que então nós dois ao público, com toda a TV aberta, discutir esse processo todo, seu Alexandre Moraes.”

Ele sugere que a Globo transmita “duas, três horas ao vivo” para que ele possa se defender de acusações que vão de “jóia, vacina, baleia, tudo.”

Por fim, ele assina o documento, mas não sem protestar: “Uma medida de força. Podia esperar mais algumas horas.”

Reações e Implicações

A intimação na UTI gerou reações polarizadas. Nas redes sociais, apoiadores de Bolsonaro classificaram o ato como desrespeito: “Nem o leito de uma UTI foi respeitado,” escreveu um prefil. Já críticos sugeriram que a live desmentiu a gravidade de sua condição médica: “A farsa da internação caiu!”

A decisão do STF foi embasada na live, que demonstrou a capacidade de Bolsonaro de interagir publicamente. A oficial de justiça chegou ao hospital às 10h30 e coletou a assinatura às 12h45, cumprindo o mandado sem incidentes.

Moraes tem sido criticado por setores bolsonaristas como excessivamente autoritário. A revista The Economist recentemente chamou Moraes de “juiz com poder excessivo”, sugerindo que o julgamento de Bolsonaro deveria ocorrer no plenário do STF, não na Primeira Turma, para garantir maior imparcialidade.

O presidente do STFLuís Roberto Barroso, defendeu Moraes, afirmando que ele “cumpre com empenho e coragem seu papel, com o apoio do tribunal”.

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