UFC vai pagar R$ 1,666 bi em acordo para encerrar caso antitruste

O UFC chegou a um acordo para encerrar dois processos antitruste movidos por um grupo que representava cerca de 1.200

O UFC chegou a um acordo para encerrar dois processos antitruste movidos por um grupo que representava cerca de 1.200 lutadores. Nesta quarta-feira, a TKO Group Holdings, empresa dona do UFC, protocolou um documento à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) no qual revela que fechou um acordo com os querelantes em duas ações separadas. A organização terá de pagar US$ 335 milhões (cerca de R$ 1,666 bilhão) aos lutadores.

Segundo o documento, as partes chegaram a um acordo em 13 de março, cerca de um mês antes de os casos irem a julgamento – a data inicial estava marcada para 15 de abril. Os termos exatos do acordo ainda são desconhecidos. O pagamento é deduzível de imposto e vai ser feito em parcelas periódicas, mas ainda não se sabe como será dividido exatamente.

A Associação de Lutadores de MMA (MMAFA, na sigla em inglês), grupo que moveu uma das ações, publicou nas redes sociais uma mensagem celebrando o acordo. “Estamos satisfeitos com o acordo e vamos revelar mais quando protocolarmos com a Corte em 45 a 60 dias. Amamos todos esses caras!”, dizia o post, que incluía fotos dos ex-lutadores Cung Le, Nate Quarry, Carlos Newton, Brandon Vera, Jon Fitch e Kajan Johnson, parte do grupo.

O UFC também lançou um comunicado, publicado pelo site “Yahoo Sports”: “Estamos satisfeitos em termos atingido um acordo para resolver todos os pedidos em ambas as ações coletivas, de Le e de Johnson, encerrando os processos e beneficiando todas as partes. Os termos finais do acordo serão submetidos à corte para aprovação.”

Entenda o caso

O processo inicial antitruste foi protocolado em dezembro de 2014, com um grupo de lutadores liderado por Cung Le, peso-médio que lutou no Strikeforce e no UFC. Eles alegavam que o UFC promoveu um “esquema para adquirir e manter poder de monopsônio no mercado pelos serviços de lutadores profissionais de MMA de elite”. (“Monopsônio” é um termo que denomina uma estrutura de mercado caracterizada por haver um único comprador para o produto de vários vendedores, segundo definição do dicionário Oxford).

Os lutadores reclamavam que o Ultimate chegou a este objetivo usando de contratos exclusivos, coerção e da compra de seus principais competidores no mercado, como Pride, Strikeforce e WEC, eliminando a concorrência. Outros quatro processos da mesma natureza foram protocolados entre 2014 e 2015 e acabaram combinados na mesma ação. Em 2021, o lutador Kajan Johnson, ex-UFC, também protocolou uma ação junto a outro atleta com passagem pela companhia, CB Dollaway, com alegações semelhantes.

Em 2023, os dois processos ganharam certificação como ações coletivas e avançaram. Nesse contexto, documentos confidenciais sobre as práticas contratuais e de negociação do UFC foram exigidos pela corte e tornados públicos. Especialistas estimaram que os potenciais danos devidos pela companhia aos lutadores poderiam atingir entre US$ 894 milhões (R$ 4,448 bilhões) e US$ 1,6 bilhão (R$ 7,961 bilhões). O juiz Richard Boulware marcou o início do julgamento para 15 de abril de 2024. Porém, os querelantes nos dois processos entraram em mediação privada com a TKO, e o acordo impede que o caso chegue ao tribunal.

Cung Le foi um dos lutadores que moveu ação contra o UFC.

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