‘Apostador profissional’, influencer pernambucano é procurado por aplicar golpes em mais de 300 pessoas

Um influenciador digital pernambucano conhecido como John L DZN virou alvo de investigação após vários seguidores o denunciarem por estelionato. O homem, de 23 anos, está foragido e é investigado pela Polícia Civil por alcoolemia ao volante – dirigir sob efeito de álcool.

John Lenon Anísio Pereira ostentava uma vida de luxo nas redes sociais e afirmava que conseguiu o padrão de vida devido ao retorno financeiro com apostas esportivas.

Muitos seguidores compravam cursos ofertados por ele, com a promessa do mesmo retorno financeiro, pagando valores entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, e denunciam não terem recebido nenhuma quantia de volta.

Em entrevista ao g1, a advogada criminalista Bianca Carvalho afirmou que são cerca de 300 vítimas, muitas fora de Pernambuco. Somente ela representa mais de 100, incluindo pessoas de Fortaleza e São Paulo.

“Ele criava uma falsa visão da realidade para que aquelas vítimas – a maioria, pessoas humildes – pudessem mudar de vida assim como ele dizia que mudou”, afirmou Bianca.

Ainda de acordo com a advogada, o influenciador agia da seguinte forma:

Cobrava cerca de R$ 300 para colocar a pessoa num grupo de apostas, onde ele faria lives exclusivas para cada cliente, como uma assessoria exclusiva;

O pagamento deveria ser feito por transferência bancária para a conta dele ou da namorada, que também está sendo investigada;

A assinatura, segundo ele, era vitalícia;

Mas, na prática, ele não fazia as lives que prometia. Quando alguém questionava, ele removia a pessoa do grupo e bloqueava nas redes sociais.

A advogada criminalista conta que os primeiros clientes a procuraram em agosto de 2022, quando uma vítima pagou R$ 10 mil para John, sob a promessa de que teria um retorno entre R$ 170 mil a R$ 200 mil, sem ser avisado que a aposta era de alto risco.

Após conseguir o pagamento, o influenciador bloqueou a pessoa e sumiu com o dinheiro, afirma Bianca.

Falsa rifa de carro de luxo

Outro caso citado pela advogada é a de uma falsa rifa promovida por John nas redes sociais, na qual ele prometia um carro de luxo ou R$ 400 mil para o vencedor.

Somente uma pessoa comprou R$ 40 mil em números na rifa. Mas, ainda de acordo com a advogada, o carro, que pertencia ao influenciador, era financiado e ninguém levou o prêmio.

“Ele não realizou o sorteio em uma loteria federal, apenas se pronunciou no Instagram dizendo que o ganhador era da paraíba, mas, na realidade, não existia ninguém”, disse.

A advogada conta também que outros influenciadores estão sendo ouvidos por terem promovido os serviços de John.

“O próximo passo é ouvir os novos ‘influencers’ e a mãe dele, para que seja averiguada até mesmo a possiblidade de ela ser incluída. Tem a comprovação de que ele não agia sozinho; existe uma pirâmide nisso”, afirmou a advogada.

O g1 entrou em contato com a defesa de John Lenon, mas não obteve respostas até a última atualização desta reportagem.

O que diz a polícia

A Polícia Civil de Pernambuco disse que: na terça-feira (16), a Delegacia de Boa Viagem cumpriu um mandado de busca e apreensão no apartamento de John Lenon, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife; foram apreendidos dois veículos de luxo, entre outros objetos; ele é acusado do crime de estelionato e por uma dirigir sob efeito de álcool; o caso segue em investigação pela Delegacia de Boa Viagem.

O que diz a defesa

Procurada pelo g1, a defesa de John Lenon informou que: “está ciente da investigação promovida por pessoas que se dizem vítimas de crime de estelionato, supostamente por ele praticado”; “apesar de já terem sido tomadas medidas radicais amplamente divulgadas na mídias, como a apreensão de bens e pedido de prisão sem nem mesmo escutar as explicações do investigado, não foi dado à defesa acesso integral à totalidade dos boletins de ocorrência lavrados”; “as investigações sobre o que, de fato, ocorreu ainda estão em curso”; é necessário aguardar o término das investigações para que o influenciador “tenha ciência” do que está sendo acusado e “então se apresente às autoridades competentes”;”por conta das medidas tomadas pela investigação”, “o investigação não vem conseguindo cumprir seus compromissos com clientes e parceiros”. (Via: G1 PE * Estagiária, sob supervisão da editora Juliana Cavalcanti)

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