Vítima acredita que suspeita premeditou ataque com soda cáustica: “Que fique presa”

Vítima acredita que suspeita premeditou ataque com soda cáustica: "Que fique presa"

Isabelly Ferreira, jovem de 23 anos que ficou 18 dias internada após ser vítima de um ataque com com soda cáustica, em Jacarezinho, no norte do Paraná, que acredita que Debora Custódio premeditou o crime do dia 22 de maio.

Em entrevista para a RICtv Londrina nesta segunda-feira (10), a jovem diz ter certeza que a suspeita planejou cuidadosamente o ataque. E rebate a afirmação da defesa de Debora, que diz que a cliente pretendia “apenas dar um susto” nela.

“Acredito que ela planejou. Porque para ela me esperar no horário que eu sempre vou na academia, então sim [foi planejado]. Meu sentimento agora, no momento, eu estou bem, mas é raiva, porque a gente não espera. Foi uma coisa que eu não fiz nada para ela fazer isso para mim. Espero que a justiça seja feita, que ela fique presa, pague pelo que ela fez. Eu não avalio como um susto porque eu vejo sim que ela tentou me matar. Porque se fosse só um susto ela podia ter conversado, ela podia ter tentado outra coisa. Não jogar soda. Soda corrói, soda queima, então acredito sim que ela tentou me matar”.

A jovem de 23 anos conta que ainda está bastante assustada e relembra das dores que sentiu após o ataque e dos dias de sofrimento durante a recuperação.

“Eu fiquei 12 dias na UTI, eu fiquei entubada, eu quase morri. Eu tive infecção pulmonar, eu tive infecção no sangue, eu estive entre a vida e a morte”, resume Isabelly, ainda não totalmente recuperada dos graves ferimentos causados pela soda cáustica.

Mesmo após voltar para casa, ela ainda precisa de acompanhamento médico, já que sofre com as sequelas do ataque. Além disso, a jovem relata ter dificuldades de se alimentar devido aos ferimentos na região da boca.

“A minha boca está bastante inflamada ainda, estou me alimentando bem pouco por conta disso, porque a língua está bem inchada. E na região dos seios ficaram bastante sequelas de queimaduras. Os meus cabelos também eram bem mais compridos e ficaram bastante danificados”, explica.

Isabelly afirma que ainda não entendeu exatamente porque foi atacada pela suspeita do crime, Debora Custódio, que afirmou à polícia ter agido por ciúmes. Ela afirma que não teve nenhum contato recente com o ex-namorado, que atualmente se relaciona com a autora do atentado.

“Eu não entendi, tanto que depois que eu acordei do coma eu fiquei bem perdida, tentando entender o que tinha acontecido. Passou uma semana até eu entender. Eu me assustei né, porque meu relacionamento passado já tinha acabado e eu não tive contato nenhum com essa pessoa [ex-namorado] mais. E nunca tive contato algum com ela [Debora]. Conhecia por conta do meu ex, mas nunca tive contato com ela. Foi um susto grande porque eu não esperava”.

Isabelly falou também sobre o relacionamento que teve com a atual companheiro da suspeita do ataque com soda cáustica e sobre as supostas mensagens que teriam causado ciúmes.

“O relacionamento durou cerca de um ano e meio. A gente terminou em janeiro desse ano e depois disso a gente não teve contato nenhum, nem por mensagem, nem pessoalmente, nem nada. Eu acredito que essas mensagens podem ter sido mensagens antigas, de quando a gente se relacionava ainda. Depois que terminamos, não teve mensagem nenhuma. Mas são mensagens antigas”, afirma.

Isabelly relata como foi o ataque no meio da rua

A jovem conta como foi surpreendida pela suspeita no dia do ataque. “Eu sempre treino no horário de almoço e desci para a academia no mesmo horário de sempre. Quando estava chegando perto da academia veio uma pessoa com peruca loira, roupas masculinas, luvas e um batom vermelho, e com um produto na mão borbulhando. No momento eu me assustei e tentei me esquivar atravessando a rua. Mas a pessoa percebeu que eu ia me esquivar e correu em minha direção. Nisso ela jogou o produto no meu rosto, na minha boca, quase foi ingerido”.

Com muita dor, Isabelly correu desesperada em busca de socorro até encontrar alguns homens que estavam perto do local do ataque.

“Eles se assustaram também porque eu pedia socorro, porque só queimava e eu não estava enxergando, porque caiu produto dentro do meu olho. E eu gritava socorro, ajuda, ajuda, porque estava queimando. Eles então me ajudaram, lavaram meu rosto e me levaram para o hospital. Parecia que estava queimando, muita dor. Depois eu cheguei ao hospital, eu estava com muita dor, estava na maca, e depois disso eu não lembro de mais nada”, complementa.

Jovem fala sobre dias angustiantes no hospital

Após esse atendimento inicial ainda em Jacarezinho, Isabelly foi transferida para o setor de queimados do Hospital Universitário de Londrina, referência para esse tipo de tratamento na região. Internada na UTI, ele foi entubada e permaneceu alguns dias em coma.

“Depois que eu acordei do coma eu lembro de todo o período no hospital. São lembranças péssimas porque eu fiquei sem me alimentar por 12 dias, sem tomar banho, só me alimentando pela veia, por sonda mesmo. Estou toda machucada ainda. Agora fiquei mesmo assustada, porque era algo que não esperava. Mas, vida que segue”.

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