Morre Sebastião Dias aos 73 anos, poeta e ex-prefeito de Tabira

Morreu neste domingo o poeta que virou prefeito no sertão pajeú, Sebastião Dias, aos 73 anos, um ícone da poesia brasileira.

O ex-prefeito de Tabira e poeta veio óbito por volta das 13h deste domingo (3/12), no Hospital do Sertão do Cariri, na cidade de Barbalha.

No dia (24) de novembro: Sebastião Dias, sofreu um infarto na noite do sábado, quando participava de uma cantoria o que ele mais gostava em Icó-CE.

Nesta última sexta-feira (01), o boletim médico informava que seu estado era estável na UTI do Hospital do Coração do Cariri.

Momento adequado para a realização do cateterismo. A equipe médica já tinha retirado a sedação, e observou com otimismo os primeiros sinais de resposta aos estímulos, ele tinha sofrido um infarto dias antes estava se recuperando.

Neste domingo, (3), pela manhã, o quadro evoluiu para uma pneumonia e por volta das 12h, sofreu uma parada cardíaca, às 13h horas o poeta partiu para eternidade.

Ele deixa esposa Lêda Melo, e cinco filhos, José Ivan Dias, Allan Dias,  Zeza Dias e Joycee Ana Jacy. 

‘Foi declamar para os anjos e formar a inesquecível dupla ao lado do seu grande parceiro João Paraibano ao lado Pai Celestial, nossos sentimentos aos familiares, sem dúvidas o Céu recebe com alegria mais um poeta que cantou a natureza, a política em forma de poesia e o amor encantou a todos, primeiro poeta no país que venceu as eleições com um violão uma voz inconfundível e a mensagem em forma de poesia,  o povo de Tabira entendeu e o elegeu prefeito”

Gravou uma música que marcou as paradas de sucesso de sua  “Conselho ao Filho Adulto”.

Sebastião por muitos anos formava a dupla com João Paraibano, era momentos memoráveis, marcantes como eles conseguiam encantar o público durante as apresentações, a explicação dom divino.

 

SEBASTIÃO DIAS FILHO (13-09-1950, st. Timbaúba, Ouro Branco), então município de Jardim do Seridó-RN, do qual foi desmembrado em 21-11-1953, mas instalado oficialmente desde 16-07-1905, data de sua primeira feira, como povoado Espírito Santo.

Sem sombra de dúvida, Sebastião Dias é um dos mais completos artistas da viola. Poeta de inspiração encantadora pela beleza e raridade das imagens que esbanja em seus improvisos.

João Pereira da Luz, mas conhecido como JOÃO PARAIBANO, (1952-20140, nasceu em Princesa Isabel, Paraíba.

Foi um poeta e repentista paraibano, que viveu muitos anos em Afogados da Ingazeira no Sertão Pernambucano. João nunca frequentou escola, mas sempre criou seus versos de improviso, foi um dos principais repentistas do país, e participou de dezenas de festivais pelo Brasil inteiro.

      IMPROVISO SOBRE O FIM
Autores: Sebastião Dias – João Paraibano

Quando o céu mostra o crepúsculo
Que um dia chega ao fim
Um aperto, uma saudade
Eu sinto dentro de mim
Enquanto estou contemplando
Eu fico a Deus perguntando
Se o fim da vida é assim.

Quando a tarde chega ao fim
Na terra esfria o calor
Abelha volta ao cortiço
O sereno cai da flor
É quando a lua de prata
Dança por cima da mata
Deixando o chão de outra cor.

No sertão do interior
Tudo fica diferente
O sol um príncipe cansado
Vai descansar no poente
A natureza entristece
Que o fim do dia parece
O fim da vida da gente.

Na morte do sol poente
Até escure o monte
A brisa canta um poema
No bojo fresco da fonte
E o sol parece um espelho
Pintando o céu de vermelho
Pra morrer no horizonte.

        A brisa bafeja o monte
O mar, a calma, a luz
Deus transforma a natureza
Mas a vida continua
Que o céu prepara um quarto
Pra o tempo fazer o parto
Do nascimento da lua.

Canta rouca a mãe da lua
Silencia o rouxinol
A mãe amamenta o filho
Entre as dobras do lençol
Um guarda faz sentinela
E a lua serve de vela
Na despedida do sol.

No azul do arredor
Se estende a nuvem fria
O céu nos mostra um semblante
De tristeza e nostalgia
E a minha pergunta infinda
Do mesmo jeito de dia.

Quando a terra silencia
Na mata azul alta encerra
O manto negro da noite
Se estende em cima da terra
O vento sopra de leve
Rasgando o lençol da neve
Que a chuva estendeu na serra.

Os poetas fazem um ”improviso sobre o Fim,” utilizando em septilhas
(uma estrofe de sete linhas, com uma repetida nas linhas 6 e 7),
comparando o crepúsculo com o fim da vida.)

 

Poesias de Sebastião Dias

Cemitério é a casa
Dos nossos restos mortais;
Ambição, ódio e vingança
Ficam do portão pra trás,
Porque, do portão pra frente,
Todos nós somos iguais.

*

Na madrugada altaneira,
Geme o vento atrás do monte;
Um cururu toma banho
Na água fresca da fonte
E a lua dorme emborcada
No colchão do horizonte.

*

Depois que a chuva caiu,
Ficou verde o arrebol,
A babugem cobre o chão;
Parece um verde lençol,
Cicatrizando as feridas
Das queimaduras do sol.

*

Deixei uma seca grande
No Nordeste brasileiro:
De verde, só aveloz,

Papagaio e Juazeiro,
Que o Nordeste, pra sorrir,
Tem que Deus chorar  primeiro!

*

É um dia de tristeza
quando a mãe para o céu vai.
Os filhos se cobrem em prantos;
O caçula diz: ô pai,
Não vê, mamãe ta dormindo!
Abra o caixão que ela sai!

*

Das quatro e meia em diante,
Sinto de Deus o poder,
Um sopro espatifa as nuvens
Para o dia amanhecer,
Deus enfeita o firmamento
E a vassoura do vento

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