Mantendo o maior nível da série histórica, a taxa de desocupação no Brasil permaneceu em 14,7% no trimestre fechado em abril, 0,4 ponto percentual acima do trimestre encerrado em janeiro (14,2%). Com uma variação de 3,4% no número de desempregados, o país tem 14,8 milhões de pessoas buscando trabalho. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua divulgada nesta quarta-feira (30), pelo IBGE.

“O cenário foi de estabilidade da população ocupada, com 85,9 milhões, e crescimento da população desocupada, com mais pressão sobre o mercado de trabalho”, afirma a analista da pesquisa, Adriana Beringuy. O nível de ocupação ficou em 48,5%, o que indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

Na comparação com o trimestre fechado em abril do ano passado, quando foram observados os primeiros efeitos da pandemia, o mercado de trabalho segue registrando perdas na ocupação, mas num ritmo menor. “Ainda registramos perdas importantes da população ocupada (-3,7%), mas já tivemos percentuais maiores, que chegaram a 12% no auge da pandemia. Estamos observando, portanto, uma redução no ritmo de perdas a cada trimestre. No computo geral, contudo, temos menos 3,3 milhões de pessoas trabalhando desde o início da pandemia”, observou a analista.
A maioria dos indicadores permaneceram estáveis no trimestre até abril, em relação ao anterior. Entre as categorias profissionais, somente os trabalhadores por conta própria cresceram, 2,3%. Agora, 24 milhões de brasileiros se enquadram na categoria. “Essa forma de inserção no mercado tem um contingente mais elevado agora do que em abril de 2020. Observamos uma reação maior no trabalho por conta própria do que no emprego com carteira no setor privado”, acrescentou Adriana Beringuy.
Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado ficaram estáveis em 29,6 milhões no trimestre. Na comparação anual, porém, houve uma redução de 8,1% ou menos 2,6 milhões de pessoas. O número de empregados no setor privado sem carteira também permaneceu estável, 9,8 milhões. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, foi registrada uma redução de 3,7%, com menos 374 mil pessoas.

A taxa de informalidade ficou em 39,8% no trimestre até abril, o que equivale a 34,2 milhões de pessoas, não havendo variação significativa em relação ao trimestre anterior (39,7%). Há um ano, o contingente era 34,6 milhões com uma taxa de 38,8%.

População subocupada cresce mais que a ocupada
A pesquisa também apontou uma alta no total de pessoas subutilizadas, que são aquelas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial. Esse contingente chegou a 33,3 milhões, o maior da série comparável, um aumento de 2,7% com mais 872 mil pessoas. A taxa de 29,7% também foi recorde, uma variação de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, quando ficou em 29%.
Beringuy observa que a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas continua aumentando desde o trimestre fechado em outubro. O crescimento dos subocupados é maior que o da população ocupada. “Isso mostra que vem aumentando o número de trabalhadores que têm disponibilidade para trabalhar mais horas do que aquelas habitualmente trabalhadas”, explica a analista.
Os desalentados, que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado, somaram 6,0 milhões de pessoas, ficando estáveis em relação ao trimestre anterior, mas permanecem como maior patamar da série.
Comércio tem redução de ocupados
O contingente de ocupados também ficou estável em todos os grupamentos de atividades, exceto comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas que reduziu 2,3%, ou menos 373 mil pessoas, no trimestre encerrado em abril, frente ao anterior. “O comércio é uma atividade que tende a não apresentar crescimento nos trimestres encerrados em abril. Esse comportamento de retração do comércio é sazonal”, explicou Adriana.
Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, houve aumento da ocupação somente no grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (6,5%, ou mais 532 mil pessoas). Os demais reduziram o contingente de trabalhadores: indústria geral (-4,3%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-6,7%), transporte, armazenagem e correio (-8,3%), alojamento e alimentação (-17,7%), outros serviços (-13,9%) e serviços domésticos (-10,1%).
Rendimento médio dos trabalhadores fica estável
A pesquisa mostra ainda que o rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 2.532 no trimestre fechado em abril, ficando estável em relação ao anterior. A massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, também ficou estável, atingindo R$ 212,3 bilhões.