O ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, escreveu uma carta de próprio punho para voltar atrás em acusações que fez contra o ex-presidente Lula na sua delação premiada firmada com a Lava-Jato. A carta do empreiteiro foi um dos elementos que fez a investigação que acusava o petista de corrupção e tráfico de influência, junto ao governo da Costa Rica, ser arquivado, somando a 19ª vitória de Lula na Justiça.

 De acordo com a jornalista Bela Megale, em sua coluna no jornal O Globo. Na carta escrita em maio e anexada ao processo em junho, Pinheiro disse que nunca autorizou ou teve conhecimento de pagamentos de propina às autoridades citadas no caso. Também disse que não houve menção sobre vantagens indevidas durante o encontro ocorrido na Costa Rica. Esse documento foi uma das bases da defesa de Lula, liderada pelo advogado Cristiano Zanin, para solicitar à Justiça de São Paulo o arquivamento da investigação.

Na carta escrita de próprio punho, Pinheiro afirmou também que não sabe informar “se houve intercessão do Ex. Presidente Lula junto à Presidente (ex) Dilma e/ou Ex. Ministro Paulo Bernardo”. “A empresa OAS não obteve nenhuma vantagem, pois inclusive não foi beneficiada por empréstimos do BCIE – Banco Centro Americano de Integração Econômica. Não sabendo informar se houve efetividade da solicitação do Presidente do BCIE, senhor Nick Rischbieth Alöe junto ao senhor Ex. Presidente Lula e demais autoridades citadas”, concluiu Pinheiro.

Veja a carta:

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Pressionado pela Lava-Jato, Pinheiro contou em outro momeno uma história diferente. O ex-presidente da OAS disse que, durante uma viagem a Costa Rica, pediu a Lula que realizasse uma audiência com Nick Rischbieth Gloe, presidente do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE). O objetivo da reunião, segundo Pinheiro, era aumentar a participação do Brasil na estrutura societária da instituição financeira, “bem como credenciar a OAS a realizar parceria com tal Banco”. O empreiteiro disse que o encontro ocorreu na suíte onde Lula estava hospedado e que contou com a presença e dele de outro executivo da OAS, o diretor Augusto Uzeda. Em depoimento às autoridades, Uzeda negou a realização dessa reunião. (247)

Bolsonaro diz que fake news fazem parte da vida após editar MP que dificulta combate à desinformação

“Fake news faz parte da nossa vida. Quem nunca contou uma mentirinha para a namorada? Se não contasse, a noite não ia acabar bem”, disse Bolsonaro.

“Fake news faz parte da nossa vida. Quem nunca contou uma mentirinha para a namorada? Se não contasse, a noite não ia acabar bem”, disse Bolsonaro nesta terça-feira (14) durante cerimônia no Palácio do Planalto.

“Muitas vezes erramos, quem nunca errou, né, no palavreado? Às vezes custa caro para a gente. Mas é melhor viver assim, como a imprensa, melhor viver assim, em liberdade, do que não ter liberdade”, disse no mesmo discurso.

Em outro momento, o presidente afirmou que não é necessário regular o tema das fake news. “Fake news é quase que nem um apelido, cai por si só. Não precisamos de regular isso aí.”

“Deixemos o povo à vontade. Obviamente, quando se vai para pedofilia e outras coisas, não tem cabimento. Isso não é fake news, é crime”, continuou.

Na noite desta terça, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu devolver ao governo à medida provisória.

Uma semana depois de ter liderado atos de raiz golpista no 7 de Setembro e dias após ter divulgado nota retórica em que abaixa o tom com os demais Poderes, Bolsonaro promoveu cerimônia no Planalto na qual distribuiu homenagens a parlamentares e a um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Bolsonaro usou o evento, que teve a participação dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, além do ministro do STF Dias Toffoli, para afirmar que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário são “um só corpo” e que o “bom entendimento” dos Poderes é a “alegria do nosso povo”.

“Nosso governo conversa com todo mundo. Esse prêmio, esse simples troféu, é um reconhecimento a todos vocês pela colaboração com o governo e com o Brasil. O que seria do Executivo sem o Senado, sem a Câmara, e também, por que não dizer, em muitos momentos sem o STF? Nós somos um só corpo. O nosso bom entendimento, [é a] alegria do nosso povo”, declarou.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, entregaram troféus do prêmio Marechal Rondon das Comunicações para dezenas de autoridades.

Além de Toffoli e dos chefes do Legislativo, foram agraciados Bolsonaro, dirigentes de empresas públicas do governo, ministros, deputados, senadores e integrantes do TCU (Tribunal de Contas da União).

O prêmio é organizado pelo Ministério das Comunicações. Entre os senadores, receberam o troféu Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do mandatário, e Davi Alcolumbre (DEM-AP), que como presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) tem bloqueado a indicação de André Mendonça para uma vaga no STF.

Os afagos de Bolsonaro ao Parlamento e ao Supremo ocorrem após uma reviravolta na retórica do presidente.

Em 7 de Setembro, diante de milhares de apoiadores em Brasília, o presidente fez um discurso de ameaças golpistas ao STF . Ele disse que não aceitará que qualquer autoridade tome medidas ou assine sentenças fora das quatro linhas da Constituição.

“Ou o chefe desse Poder enquadra o seu [ministro] ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos”, disse Bolsonaro na ocasião, em recado ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, em referência às recentes decisões do ministro Alexandre de Moraes contra bolsonaristas.

“Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos Três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil”, continuou.

As falas com teor golpista de Bolsonaro geraram reação de Fuz, presidente do STF. Em um duro discurso, ele afirmou que ameaça do mandatário de descumprir decisões judiciais do ministro Alexandre de Moraes, se confirmada, configura “crime de responsabilidade”.

Lira também se manifestou após o 7 de Setembro. Elevou o tom de crítica ao presidente, falou em “basta”, mas enviou sinais de tentativa de apaziguamento e não mencionou impeachment -há mais de cem pedidos para isso na Casa.

Dias depois das manifestações e diante de críticas de que a retórica incendiária do governo estava contaminando indicadores econômicos, Bolsonaro recuou.

Em 9 de setembro, o mandatário divulgou uma nota na qual afirmou que não teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e atribuiu palavras “contundentes” anteriores ao “calor do momento”.

“Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, disse o presidente, na declaração.