Uma gráfica ligada a um dirigente do PSL no interior de Pernambuco recebeu, do partido, R$ 1,2 milhão durante a campanha eleitoral para prestar serviço a sete candidatos a deputado. O maior gasto foi feito pelo presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar , que declarou ter pago R$ 848 mil para a impressão de mais de 5 milhões de santinhos e adesivos.

Os outros seis candidatos que utilizaram os serviços da gráfica Vidal não foram eleitos. A empresa fica em Amaraji, município de 22 mil habitantes localizado a cerca de 100 km de Recife, e pertence a Luís Alfredo Vidal Nunes da Silva, dirigente do partido do presidente Jair Bolsonaro em Pernambuco.

A contratação de empresas de dirigentes não é proibida pela legislação eleitoral. Ainda assim, no ano passado, a ministra Rosa Weber, que hoje preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), criticou a prática durante a votação das contas do DEM.

Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal “Folha de S.Paulo”, a gráfica funciona em um imóvel pequeno, possui uma máquina e ao menos dois funcionários. Ao jornal, o dono da empresa diz que abriu a empresa em 2013 e que só passou a ter clientes políticos nas últimas eleições. Ele negou irregularidades.

De acordo com o jornal “O Estado de São Paulo”, cerca de um quarto do que Bivar gastou com a gráfica, R$ 215 mil, foram pagos nos últimos quatro dias de campanha oficial, em outubro. O deputado declarou ter feito material gráfico para outros 18 candidatos a deputado estadual.

Pelo menos 88% do valor recebido pela gráfica Vidal, originários de fundo eleitoral e partidário, foram autorizados pelo presidente nacional do PSL naquela época, o ministro da Secretaria Geral da Presidência Gustavo Bebbiano.

A divulgação dos gastos de campanhas do PSL em Pernambuco gerou a mais recente crise do governo Bolsonaro. No domingo, uma reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo” apontou que o PSL destinou R$ 400 mil de fundo partidário para Maria de Lourdes Paixão, candidata a deputada federal de Pernambuco que recebeu apenas 274 votos .

Nesta quarta-feira, a Polícia Federal intimou a candidata a prestar depoimento sobre a suspeita de ter sido usada como laranja pelo PSL.

Na época, Bebianno era presidente da legenda e, portanto, responsável por autorizar os gastos do fundo partidário. A polêmica começou depois que o ministro afirmou, na terça-feira, que havia conversado com Bolsonaro três vezes .

A crise foi instalada depois que o vereador do Rio Carlos Bolsonaro, filho do presidente, desmentir Bebbiano e expor, em suas redes sociais, um áudio de Bolsonaro que seria endereçado a Bebianno, em que o presidente diz que não vai falar com ninguém por recomendação médica.

Em entrevista à TV Record, na noite de quarta-feira, Bolsonaro afirmou que Bebianno mentiu e disse que o ministro terá de “voltar às suas origens” se ficar comprovado envolvimento dele em supostas irregularidades no lançamento de candidatas “laranjas” pelo PSL.

Também na quarta-feira, em entrevista a Globonews, Bebianno negou ter cometido irregularidades, disse não vai pedir demissão e que o repasse de verbas do partido aos candidatos é responsabilidade dos diretórios estaduais. (O Globo)