Em maio, a Vice também anunciou a decisão de abandonar a produção editorial própria no Brasil. Ambas as empresas foram duramente atingidas pela crise.

Segundo o editor Graciliano Rocha, em nota pública de despedida, a decisão de descontinuar a operação do BuzzFeed News Brasil foi tomada ao longo deste ano e é um efeito direto da crise econômica desencadeada pela pandemia. (Foto: Reprodução)

 O BuzzFeed anunciou nesta segunda-feira (31) o encerramento de sua operação de notícias jornalísticas no Brasil, iniciada em maio de 2016.

Segundo o editor Graciliano Rocha, em nota pública de despedida, a decisão de descontinuar a operação do BuzzFeed News Brasil foi tomada ao longo deste ano e é um efeito direto da crise econômica desencadeada pela pandemia.

Ainda conforme o editor, as demais franquias da empresa no país nas áreas de entretenimento (BuzzFeed Brasil) e gastronomia (Tasty Demais) continuam com suas atividades. O BuzzFeed News em inglês também segue normalmente.

Em maio, a Vice também anunciou a decisão de abandonar a produção editorial própria no Brasil. Ambas as empresas foram duramente atingidas pela crise.

Com o encerramento da operação, Rocha e sua equipe de quatro repórteres —Tatiana Farah, Mauro Albano, Severino Motta e Guilherme Lúcio da Rocha — deixam a empresa. A equipe foi comunicada da descontinuidade do site de notícias na semana passada.

Em abril, o BuzzFeed já havia anunciado a intenção de vender suas operações no Brasil e na Alemanha, em decorrência da perda global de receitas publicitárias devido à pandemia.

“Nós entramos em 2020 como uma empresa lucrativa e estávamos preparados para investir em nosso negócio no Brasil, mas infelizmente não temos mais capacidade para isso”, disse à época Matt Drinkwater, vice-presidente sênior da área internacional do BuzzFeed, ao Meio e Mensagem.

Segundo uma pessoa com conhecimento da operação, no Brasil a empresa segue no processo de negociação para busca de um novo parceiro de negócios. Já a operação de notícias seria descontinuada de qualquer forma, independentemente da venda ou não.

A operação jornalística não gerava receitas próprias, sendo integralmente bancada pela empresa, que se financia através de publicidade e criação de conteúdo por encomenda para marcas (branded content, na expressão em inglês).

“Jornalismo é uma atividade essencial em uma democracia e seu pleno exercício, tal como o concebemos, pressupõe independência editorial em relação a governos, partidos e interesses político-ideológicos. Mantivemo-nos fiéis a este compromisso”, escreveu Rocha no comunicado de encerramento.

Na nota, o editor lembra ainda de uma das reportagens de maior repercussão do site. Nela, o repórter Chico Felitti contou com delicadeza a trajetória de Ricardo Corrêa da Silva, figura emblemática das ruas de São Paulo, conhecido pelo apelido Fofão da Augusta.

“Por aptidão e escolha, voltamos a nossa atenção principalmente a histórias de pessoas”, escreve Rocha. “Ao contar a história de uma única pessoa, pode-se enxergar as marcas da história e as escolhas políticas de uma cidade ou um país, mas sem perder a beleza da singularidade.”