O assessor especial da Presidência da República Tércio Arnaud Tomaz prestou depoimento, em 11 de setembro, à PF (Polícia Federal) no inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos. Confirmou a criação de páginas pró-Bolsonaro, mas negou que tenha promovido atos antidemocráticos.

As informações foram divulgadas neste sábado (19.set.2020) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O assessor da Presidência foi intimado depois que seu nome foi citado em relatório da DRFLab (Digital Forensic Research Lab), ligada ao Atlantic Council. O grupo, que realiza análise independente de dados do Facebook, apontou que Tércio era responsável por páginas e contas com conteúdo de ataques a adversários políticos do governo. As páginas ainda veiculavam conteúdo “enganoso” e que mistura “meias-verdades para chegar a conclusões falsas”.

Tércio admitiu ter criado 6 páginas no Facebook: “Bolsonaro Opressor”, “Bolsonaro Opressor 2.0”, “Bolsonaro News”, “20 Oprimir”, “Extrema Vergonha na cara” e “Nordestinos com Bolsonaro 2018”. Disse, no entanto, que “nunca mascarou os seus dados ou IPs”. Também negou que tenha incitado atos antidemocráticos.

Sobre a existência de 1 “gabinete do ódio” dentro do Planalto, Técio afirmou que o nome surgiu pelo fato do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, “ser ativo nas redes sociais, causando em alguns momentos conflitos”. O assessor disse que, por conta de sua ligação com Carlos, “a mídia rotulou o grupo como ‘gabinete do ódio’”. Tércio é ex-assessor de Carlos Bolsonaro.

Ele confirmou que participa, junto com o blogueiro Allan dos Santos, de 1 grupo do WhatsApp. Segundo o relatório, Técio falou que “foi inserido [no grupo] por Allan, pois ele queria montar 1 grupo que pudesse se reunir na casa de Allan, semanalmente, para discutir temas relacionados ao governo federal com pessoas que estão dentro do governo”. Explicou que “nunca participou desses eventos e que se manteve no grupo como forma de se informar de temas de interesse”.

Allan dos Santos, responsável pelo site Terça Livre, é 1 dos investigados no inquérito da PF sobre atos antidemocráticos. Também é investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito das fake news.

O assessor falou que os deputados federais Paulo Martins (PSC-PR) e Daniel Silveira (PSL-RJ) também integravam o grupo, assim como “outras pessoas de baixo escalão do governo”.

CARLOS BOLSONARO NEGOU O USO DE ROBÔS

O vereador Carlos Bolsonaro prestou depoimento no mesmo inquérito, em 10 de setembro, como testemunha. Negou o uso de robôs para promover postagens em redes sociais. Disse que não produziu ou divulgou conteúdo que incitasse ataques ao STF.

“Jamais fui covarde ou canalha ao ponto de utilizar robôs e omitir essa informação”, declarou.

O vereador falou ainda que não participa da elaboração de políticas de comunicação feitas pelo governo federal. Segundo Carlos, ele apenas ajuda na divulgação do que foi produzido pela equipe de comunicação, reproduzindo o conteúdo em seus perfis nas redes sociais e nos do pai, o presidente Jair Bolsonaro.

O Estado de S. Paulo / Imagem: Reprodução