Para adquirir placas solares, inversor, fixadores, proteção elétrica e cabos solares, além de instalação, a moradora de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, gastou em torno de R$ 21 mil.

Embora os sistemas tenham preço elevado para o padrão da maioria da população – os valores equivalem de 6 a 8 vezes o salário médio de um brasileiro –, os donos das placas enxergam o gasto como um bom investimento. (Foto: Reprodução)

– “Coloquei as placas solares em julho de 2018 porque a conta de luz em casa era muito alta. Depois reduziu bastante o valor.”

O relato é da bióloga Ana Maria Rebelo, 69, cuja conta mensal ficava em torno de R$ 700 antes dos geradores de energia em casa. Agora, ela desembolsa cerca de R$ 200 por mês, uma economia de 70%.

Para adquirir placas solares, inversor, fixadores, proteção elétrica e cabos solares, além de instalação, a moradora de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, gastou em torno de R$ 21 mil.

O valor está próximo do relatado por empresários ouvidos pela reportagem. Segundo Eduardo Nicol, que trabalha em São Paulo com instalações do sistema, o investimento médio para colocar os aparelhos em casa varia de R$ 15 mil a R$ 20 mil.

“Fica nesse valor, mas já teve uma queda. Eu investi R$ 25 mil há cinco anos, e hoje a mesma estrutura custa R$ 16 mil.”

Embora os sistemas tenham preço elevado para o padrão da maioria da população – os valores equivalem de 6 a 8 vezes o salário médio de um brasileiro –, os donos das placas enxergam o gasto como um bom investimento.

“O que adianta eu deixar esse valor na poupança, rendendo menos de 1%, se posso investir e ter retorno de R$ 170, que é o que eu economizo?”, diz Sergio Aoyama, 59, professor de ensino médio que, em 2017, gastou cerca de R$ 25 mil na instalação do sistema.

“É caro, mas, se você pensar em um sistema que dura de 25 a 30 anos, é um investimento com retorno garantido”, diz. 

O retorno do investimento depende da economia do sistema, que varia de acordo com o equipamento, o tipo de empresa que o instala e com o valor da tarifa de energia cobrada pelas distribuidoras.

A empresária Thaís Nobre, 38, conseguiu uma boa equação: reduziu a conta de luz de R$ 900 para perto de R$ 100.

“Há ainda a questão ambiental, que é importante. Somos cinco em casa e usamos muito ar condicionado”, diz a moradora de Arapiraca (AL).

Ela conta que, depois, familiares se interessaram pela geração de energia solar. Até virarem exemplo para parentes, porém, passaram por um infortúnio. “Caímos em um golpe. Pagamos R$ 10 mil, mas nunca instalaram o sistema.”

Como teve prejuízo lá trás, ela agora tem receio de perder o novo investimento caso a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) altere regras para a geração distribuída.

“Não estou acompanhando a discussão de perto, mas não me parece justo pagar uma taxa se estou gerando a minha energia”, afirma a empresária.

Embora o receio seja comum entre donos de placas, a resolução proposta pela agência prevê transição até 2030 para quem já adotou o sistema. Até lá, valeria para os atuais usuários a estrutura em vigor hoje.

Proprietários de geradores de energia solar têm um discurso uníssono quanto ao debate da revisão da medida da Aneel. Dizem que não acham correto serem cobrados pela estrutura das redes elétricas, se estão gerando excedente de energia que entra no sistema e é consumido por outras pessoas.

“Estou dando energia para a distribuidora”, diz o médico Harley de Abreu, 70, que adotou energia solar em 2017.

“Gerando economia e um excedente, ajudando meu vizinho e a comunidade. Eles [as distribuidoras] estão ganhando muito mais”, diz Ayoama.

Lavínia Hollanda, sócia-diretora da Escopo energia, diz que a estrutura do sistema elétrico é muito complexa e, portanto, inserir energia no sistema não basta para que o uso da estrutura seja desconsiderado.

“Quem tem placa solar só gera energia durante o dia, e quando há sol. Quando não gera, o que faz? Puxa energia da rede. Por mais que gere energia excedente, ela não gera na hora em que consome.”

Hollanda diz ainda que nem sempre as cobranças da conta de energia elétrica são compreendidas. A fatura é divida em três: energia, transporte e tributos e outros custos.

A parte da energia é referente às usinas geradoras. O transporte engloba transmissão (quando a energia vai das usinas às subestações), distribuição (conexão da energia das subestações aos consumidores) e alguns encargos e subsídios como a Conta de Desenvolvimento Energético, que financia programas do governo no setor, como desconto a famílias de baixa renda.

Por fim, na parte de tributos, há cobranças de custos como de iluminação pública. 

Hoje, quem usa placas solares paga só o mínimo da conta de luz e um extra do que consome das distribuidoras caso não gere energia suficiente para seu consumo no período.

Por não pagarem incentivos a programas sociais nem encargos e tributos, além da distribuição e transmissão, Hollanda vê aí um subsídio implícito. Para quem está do outro lado, porém, esse pagamento significa sobretaxa.

O presidente Jair Bolsonaro disse que, se depender dele, não haverá aumento de tarifa sobre energia solar.

Em Santos, na sexta-feira (10), reforçou o que já havia dito no começo da semana. “Botamos um ponto final naqueles que queriam taxar a energia solar”, afirmou.

Hollanda diz entender o não pagamento, por parte de quem gera energia, da rede de transmissão, já que eles não precisam financiar o transporte das usinas até suas casas. 
Quanto aos encargos, afirma que talvez seja hora de repensar o modelo de subsídios.

“Se o governo quer fazer política pública, tem que fazer com que o contribuinte faça isso, e não necessariamente na conta de luz. Tem de ser transparente para que as pessoas saibam qual é a política pública.”

Nisso, há uma convergência com quem tem o sistema solar. Para Aoyama, o governo está equivocado na forma como cobra subsídios.

“O governo que subsidia, e nós que temos que pagar? Não está certo. Isso é incoerente e abusivo.”

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