Caixa Econômica Federal pediu à Justiça a liquidação do grupo Odebrecht. A informação foi dada pela Reuters, com base em um documento acessado pela reportagem da agência de notícias. A Caixa é uma das grandes credoras do grupo de infraestrutura, que detém dívidas de mais de R$ 98 bilhões e está em recuperação judicial.

Ainda de acordo com a Reuters, a Caixa também quer que o juiz permita aos credores nomear novos administradores para a Odebrecht e suas subsidiárias.

Por que houve esse pedido? A Caixa e os outros bancos estavam insatisfeitos com o plano de recuperação judicial apresentado pela Odebrecht. O documento, divulgado em agosto, foi considerado vago, pois não apresentou prazo e nem valores para o pagamento das dívidas bilionárias.

Outra reclamação dos credores foi sobre o cálculo das dívidas. A Odebrecht listou os débitos de todas as suas empresas, mas não incluiu algumas delas na recuperação judicial. Empresas como a OEC (empreiteira) e Braskem (química), tiveram suas dívidas repassadas para o plano, mas ficaram fora do processo, o que preservaria seus ativos. Vale lembrar que na recuperação judicial as dívidas são pagas parcialmente, e parceladas.

Além da Caixa, Banco do Brasil, Santander, Banrisul e outros já tinham reclamado, oficialmente, do plano apresentado pela Odebrecht. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o Banco do Brasil pediu, ontem, que a proposta do grupo fosse extinta, pois “não permitia aos credores conhecer, objetivamente, quanto e quando receberão seus créditos”.

A Caixa tinha feito pedido parecido na semana passada. O banco público é o que está mais exposto a um calote parcial da Odebrecht, já que é o único, entre as principais instituições, que não possui participação acionária na Braskem. As instituições financeiras estavam brigando para que as ações da empresa química fossem dadas como pagamento dos débitos.

No entanto, esses pedidos de extinção do plano de recuperação judicial não determinavam, necessariamente, a falência da Odebrecht. Agora, caso confirmado que a Caixa pediu à Justiça a liquidação do grupo, ou a nomeação de novos controladores para as empresas, será um movimento mais radical que o tomado pelas outras instituições financeiras.