Campeã olímpica e mundial, a judoca Rafaela Silva, de 27 anos, conquistou nesta sexta-feira (9) a única medalha que faltava no currículo, o ouro dos Jogos Pan-Americanos na categoria para atletas até 57 kg.

A medalha dourada, conquistada após a final contra a dominicana Ana Rosa, completará a coleção de Rafaela, que já tem um bronze (Toronto 2015) e uma prata (Guadalajara 2011) na competição continental.

Ao sair da luta decisiva, Rafaela disse estar muito feliz com o desempenho dela na Lima 2019. “Estou trabalhando e agora preciso manter meu foco, porque isso aqui foi um caminho da minha preparação para o campeonato mundial”, afirmou.

No primeiro confronto do dia, Rafaela encarou a norte-americana Amelia Fulgentes. A judoca brasileira começou a luta mais agressiva e, ao tentar impedir as ações de Rafaela, Amelia foi logo punida com um shido. O cenário voltou a se repetir outras duas vezes e resultou na vitória da campeã olímpica por ippon.

O duelo seguinte de Rafaela, válido pela semifinal do torneio, foi disputado contra a cubana Anailys Dorvigny. Muito superior à adversária, a brasileira precisou de menos de dois minutos para projetar as costas da adversária no tatame, dar um ippon e carimbar a vaga na decisão.

Na final, Rafaela enfrentou a dominicana Ana Rosa, mesma adversária que bateu na semifinal do Campeonato Pan-Americano, em abril. Ao entrar no tatame, a campeã olímpica logo acertou a pegada e tentou projetar as costas da adversária no solo.

Em umas das tentativas, logo conquistou um wasari. Rafaela não se contentou com a vantagem no placar, seguiu firme no combate e logo deu um hippon na adversária para conquistar a medalha inédita na carreira.

 

México detém crianças em centros superlotados, sujos e com doenças

Condições similares a de prisões superlotadas, pulgas e doenças estão entre as principais reclamações dos imigrantes em um centro de detenção na Cidade do México que ainda abriga dezenas de menores dois meses depois de um tribunal decidir que a situação é inconstitucional.   

Sob a ameaça de sanções econômicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o México intensificou neste ano a detenção de imigrantes, numa tentativa de conter o fluxo de refugiados provenientes da América Central.

Conhecido como Las Agujas, o centro de detenção cercado por paredes com espinhos, no distrito de Iztapalapa, na região leste da Cidade do México, até essa semana ainda abrigava 108 menores, alguns dos quais desacompanhados, disse Jesus Quintana, que monitora o local para o escritório do ouvidor de direitos humanos do México (CNDH).

Em junho, um tribunal julgou ser inconstitucional manter crianças em Las Agujas depois que uma menina guatemalteca de 10 anos morreu sob custódia. O Instituto Nacional de Migração do México (INM), que administra o centro, não recorreu da decisão, mas disse à Reuters que cumpre as leis de proteção aos imigrantes em “todo e qualquer caso”.

Las Agujas faz parte de uma rede de centros que o governo prometeu reformar. A detenção de menores aumentou a preocupação sobre o tratamento dado aos imigrantes pelo governo do México, em sua tentativa de reduzir o fluxo de pessoas para o norte.

“O que eles têm são instalações similares a prisões”, disse Ana Saiz, diretora do Sin Fronteras, um dos quatro grupos de defesa dos imigrantes que acionaram Las Agujas na Justiça após a morte da menina guatemalteca, em maio. “Essa prática (de deter crianças) é contrária aos direitos humanos e ilegal no México.”

O governo disse que a menina, que foi detida junto com sua mãe, morreu sob custódia oficial depois de cair de um beliche no centro, que tem capacidade para 464 pessoas.

Em 10 de junho, um painel de juízes ordenou que Las Agujas deixe de abrigar crianças, em observância a leis de migração e aos direitos dos menores.

Em 24 de julho, uma corte administrativa disse que o diretor de Las Agujas, Miguel Angel Hernandez, descumpriu a ordem judicial, fazendo referência a cinco menores da Índia ainda no centro.

Hernandez disse à corte que ele cumpriu a decisão ao realocar 38 menores identificados pelos grupos que abriram a ação judicial, de acordo com documentos anexados aos autos verificados pela Reuters. O INM disse em 27 de julho que “em nenhum momento deixou de cumprir a decisão do tribunal”.

Em nota, o INM disse que prioriza a união familiar e que menores desacompanhados encontram-se apenas “temporariamente” nos centros.

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