Dr. Arthur Frazão

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica grave caracterizada pela inflamação dos nervos e fraqueza muscular, que em alguns casos pode ser fatal. Geralmente ela é diagnosticada após algumas semanas de uma infecção viral como dengue ou Zika Vírus, por exemplo.

A Síndrome de Guillain-Barré progride em 2 a 4 semanas e a maioria dos pacientes recebe alta hospitalar após 4 semanas, mas o tempo total de recuperação pode demorar meses ou anos. A maioria dos pacientes se recupera e volta a andar após 6 meses a 1 ano de tratamento, mas existem alguns que tem maior dificuldade e que precisam de cerca de 3 anos para se recuperar.

Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

Os sinais e sintomas da Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré podem se desenvolver rapidamente e pioram ao longo do tempo, podendo deixar o indivíduo paralisado em menos de 3 dias. No entanto, nem todos os pacientes são gravemente afetados porque alguns podem somente apresentar fraqueza nos braços e nas pernas.

Os sintomas da Síndrome de Guillain-Barré podem ser:

  • Fraqueza muscular, que geralmente começa nas pernas, mas depois atinge os braços, diafragma e também os músculos da face e da boca, prejudicando a fala e a alimentação;
  • Formigamento e perda de sensibilidade nos braços e nas pernas;
  • Dor nas costas, nos quadris e nas coxas;
  • Palpitações no peito, coração acelerado;
  • Alterações da pressão, podendo haver pressão alta ou baixa;
  • Dificuldade para respirar e para engolir;
  • Dificuldade em controlar a urina e as fezes;
  • Medo, ansiedade, desmaio e vertigem.

Quando o diafragma é atingido, o paciente começa a sentir dificuldade para respirar, e neste caso é importante que o paciente seja ligado a aparelhos para respirar.

Em caso de suspeita de Guillain-Barré deve-se ir rapidamente para o hospital ou ao neurologista. Veja o que falar para o médico na consulta.

 

Sintomas, causas e tratamento para Síndrome de Guillain-Barré

 

Diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré

O diagnostico da Síndrome de Guillain-Barré pode ser feito com base nos sintomas apresentados pelo paciente e é confirmado através de exames como ressonância magnética da coluna, punção lombar; exame de sangue para avaliar os leucócitos e eletromiografia.

Todos os pacientes diagnosticados com Síndrome de Guillain-Barré devem permanecer internados no hospital para serem devidamente acompanhados e tratados, porque quando esta doença não é tratada, pode levar à morte.

Tratamento da Síndrome de Guillain-Barré

O tratamento da Síndrome de Guillain-Barré não cura definitivamente a doença, mas ajuda a reduzir seus sintomas e aceleram a recuperação. Inicialmente o tratamento é feito no hospital mas após a alta é necessário continuar o tratamento fazendo fisioterapia.

Um tratamento usado no hospital é a plasmaferese, um método que consiste numa espécie de hemodiálise, em que o sangue é removido do corpo e filtrado, de forma a reter os anticorpos que estão a atacar o sistema nervoso.

Uma outra alternativa consiste na injeção de altas doses de anticorpos (imunoglobulina) contra os anticorpos que estão atacando os nervos, reduzindo a sua inflamação e destruição da bainha de mielina.

Quando estão presentes complicações graves, como dificuldade em respirar, problemas de coração ou gastrointestinais, pode ser necessário que o paciente fique internado na UTI para que seja monitorada sua respiração e coração.

Saiba mais detalhes sobre o tratamento para Síndrome de Guillain-Barré.

Fisioterapia na Síndrome de Guillain-Barré

A fisioterapia na Síndrome de Guillain-Barré é importante para a recuperação das funções musculares e respiratórias do paciente e deve ser mantida por longos períodos até que o paciente recupere o máximo de suas capacidades.

O acompanhamento de um fisioterapeuta com exercícios diários realizados com o paciente é necessário para estimular a movimentação das articulações, melhorar amplitude de movimento das articulações, manter força muscular e prevenir complicações respiratórias e circulatórias. Sendo que para a maioria dos pacientes o principal objetivo é voltar a andar sozinho.

Quando o paciente encontra-se internado na UTI, pode ser ligado a aparelhos para respirar e neste caso o fisioterapeuta também é importante para garantir a oxigenação necessária, mas após a alta hospitalar o tratamento fisioterapêutico pode ser mantido por 1 ano ou mais, dependendo do progresso alcançado pelo paciente.

O que causa Síndrome de Guillain-Barré

As causas da Síndrome de Guillain-Barré estão relacionadas as defesas do próprio organismo, porque neste caso os anticorpos devido a um erro, atacam o próprio sistema nervoso periférico, destruindo a bainha de mielina que recobre os nervos, gerando os sintomas.

Ao perder a bainha de mielina que recobre os nervos, estes ficam inflamados e isto impede que o sinal nervoso seja transmitido para os músculos, levando a fraqueza muscular e a sensação de formigamento nas pernas e nos braços, por exemplo.

Muitos indivíduos antes de serem diagnosticados com a Síndrome de Guillain-Barré foram vacinados recentemente, fizeram alguma cirurgia ou apresentaram doenças como gastroenterite ou infecções virais, como: Epstein-Barr, citomegalovirus, HIV, Dengue ou Zika vírus

Homem morre com Guillain-Barré após doença ser confundida com virose

 

Ivaldo Alves procurou a UPA Sotave três vezes onde foi diagnosticado com virose. Foto: Arquivo PessoalVirose. Esse foi o diagnóstico ouvido pela família do metalúrgico Ivaldo Alves da Costa, 53, nas três vezes em que procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sotave, em Jaboatão dos Guararapes. No último dia 16, depois de 12 dias internado no Hospital da Restauração (HR), no Recife, Ivaldo morreu. No atestado de óbito, a rara Síndrome Guillain-Barré (SGB) – associada a processos infecciosos como dengue, chikungunya e zika – consta como causa da morte e revolta a família, que acredita que ele poderia estar vivo caso tivesse sido diagnosticado a tempo. Nos últimos dois dias, outras duas pessoas morreram com suspeita da síndrome no HR, que investiga os casos. Na unidade de saúde que é referência para o tratamento da síndrome neurológica no estado, a taxa de mortes associadas à Guillain-Barré foi de 16,3% – superior a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não chega a 10%. 

Uma dor muito forte na perna e uma febre leve foram os sintomas que levaram Ivaldo a procurar, no fim de janeiro, um Posto de Saúde, em Jaboatão. Poucos dias depois, com dor nas juntas, formigamentos, dormência e sem conseguir se alimentar direito, procurou a UPA Sotave, onde uma suposta virose foi confirmada, mesmo sem a realização de exames específicos – segundo relata a família. Nos dias seguintes, voltou à mesma UPA duas vezes, já sem conseguir ficar em pé sozinho e com dificuldade de suportar as fortes dores. O diagnóstico era sempre o mesmo.

 

Revoltada diante da falta de atenção com o marido, que piorava agressivamente a cada dia, a viúva Valdênia Vieira chegou a pressionar o médico para que ao menos um nome fosse dado à tal virose. “Deve ser uma virose dessas, tipo chikungunya”, foi a resposta que ouviu, conta, lembrando de outros abusos ocorridos dentro da unidade de saúde. “Na segunda vez que fomos eu perguntei se ele não ia nem aferir a pressão e nem fazer teste de glicose e o médico perguntou ‘ele é diabético? é hipertenso? então não precisa fazer’”, relata. “Se o médico, que estudou para isso, está dizendo que é uma virose, uma pessoa simples como eu vai dizer o que?”, questiona. 

Ivaldo já não andava, havia perdido os movimentos das mãos, o controle sobre urina e fezes, respirava com dificuldade e oscilava momentos de lucidez e inconsciência quando voltou à UPA pela quarta vez, no Sábado de Zé Pereira, quando finalmente foi encaminhado para o Hospital da Restauração. “Foi a primeira vez que o médico da UPA levantou da cadeira e examinou meu marido de verdade. Fez algumas perguntas, um teste de sensibilidade e me disse que era mais sério do que eu pensava”, lembra a viúva, ainda abalada. “Na hora da transferência queriam que ele andasse, mas ele nem ficava de pé. Ele já estava com muita dificuldade para respirar e foi para o balão de oxigênio, a pressão dele estava 23×12, dava para ver o coração batendo rápido”, conta. 

No HR, a confirmação: Ivaldo já estava com o corpo paralisado do pescoço para baixo e as atividades digestivas e respiratórias já estavam comprometidas. Ele foi entubado e ficou internado por 12 dias na Sala Vermelha da unidade de saúde – que estaria com o dobro da capacidade de pacientes. 

Dentro do hospital, conta a viúva, ouviu de uma assistente social que o quadro poderia ser outro, caso o atendimento tivesse sido realizado da forma correta. “Perdi o amor da minha vida. Foram 27 anos de casados e ele era, além de marido, meu amigo. Sei que nada acontece se não for a vontade de Deus, mas imagino que se ele tivesse sido recebido de outra forma, talvez ainda estivesse aqui. O médico disse que desde a primeira vez ele deveria ter sido transferido, mesmo que tivesse morrido, podia ter chegado no hospital a tempo de ser bem cuidado”, lamenta, emocionada. 

O filho de Ivaldo, Emerson Alves, acredita que a falta de preparação e organização médica e a falta de informação da sociedade colaboraram para a morte do seu pai. “Não houve nenhum cuidado especial, a UPA sequer avisou à Secretaria de Saúde. Tem que haver mais cuidado, mais informação porque se a gente tivesse conhecimento meu pai não teria morrido, e se continuar assim ainda terão muitas vítimas”, preocupa-se. 

Casos recentes no HR
Na última terça-feira o recepcionista Artur da Silva, 33, morreu no HR após 10 dias de internamento com suspeita de complicações após arboviroses. Em uma ficha de esclarecimento, a equipe médica do hospital aponta a suspeita de  Síndrome de Guillain-Barré. No domingo, também no HR, morreu Ana Paula do Carmo Pereira da Silva, 27, cujo atestado de óbito também sugere a síndrome como causa. 

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) esclareceu que a síndrome de Guillain-Barré não é de notificação compulsória no Brasil e que, portanto, não há um protocolo a ser seguido neste sentido, mas garantiu que a orientação é para que os casos suspeitos sejam encaminhados imediatamente ao Hospital da Restauração, centro de referência para a síndrome. A SES ainda informou que a UPA Sotave é responsabilidade do município. 

A Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, procurada pela equipe do Diario, informou que vai apurar as denúncias, mas não havia dado resposta até o momento desta publicação.

 

Veja depoimento de quem teve sídrome de popularmente  Guiné Barré   ( Guillain-Barré)

 

 

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